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quarta-feira, 25 de junho de 2008

ESQUADRÃO 297 EM ANGOLA - 26

EPÍLOGO
Julgo que haverá vários ineditismos, neste trabalho, na medida em que, será a primeira vez a aparecer em público, em livro da Guerra de Angola, da autoria de uma praça. Afinal uma classe muito numerosa a ser mobilizada.
Há vários trabalhos de autores conhecidos, apenas tropa de galões. Muito fundo político e ficção, ficando de fora o lado humano do grosso composto pelas praças, que raras vezes tiveram voz.
No fundo a base de toda a mobilização foram as praças, os muitos homens, que começaram aí a libertar-se da miséria das suas terras, deixando ao mesmo tempo, muitas vezes um vazio nos orçamentos familiares, porque se está a equacionar o Portugal real dos anos sessenta.
O que fariam os oficiais subalternos e superiores, se não dispusessem de um grande exército de praças para comandar?
Então porque é a RTP 1, pagos os seus serviços pelos impostos desses, os eternamente esquecidos, dá tempo de antena a estrangeiros?
Estiveram nessa guerra, é certo, mas beneficiaram da oportunidade de conquistar as independências para os seus países e é aos órgãos da comunicação social desses, que deverão pedir a palavra.
Um dia ouvi a um eficaz comandante militar: Nós temos direito à vida, porque somos novos e apenas mobilizados, ao serviço da Pátria.
Não terão esses milhares de praças, direito ao respeito sincero dessa mesma Pátria a que foi “oferecido” o sacrifício de muitas vidas?
Deve ter-se em boa conta os adversários de ontem!
- E nós?
É apresentada uma versão mais de caserna, outro ineditismo!
Fala A.M. e muito bem, na sua apresentação, que designou por: DUAS PALAVRAS – de escrita diarista, de facto os créditos são devidos ao meu diário pessoal, rudimentar é certo, porém só conheço a existência de mais um, o do actor Pedro Pinheiro, que o mostrou na Televisão.
Portanto, estará aqui outro ineditismo!
Há todo um desfile de factos reais, só possíveis de mencionar com datas certas, porque foram anotados no local respectivo. Só os nomes da praças e sargentos são ficcionados ou omitidos.
Os nomes dos oficias subalternos, do 297 e os dos Comandantes sãos reais.
Omitidos os do eventual 350, são a revelação da admiração pelo profissionalismo dos primeiros a contrastar com o dos segundos.
Aparece o apelido do sargento Pinedo, uma pequena homenagem que lhe é devida, um merecimento, que ninguém lhe terá reconhecido.
Os quatro sub grupos, constituídos nos Batalhões, para as Guerras do Ultramar, formaram sempre companhias. A designação ESQUADRÃO é atribuído a Cavalaria. Como os oficias eram todos oriundos da Arma, e estava-se no princípio, utilizaram sempre as vozes de comando inerentes e até a postura foi sempre a transmitida.
O cabo Onofre, assim como todo o seu primitivo pelotão tinha a especialidade de Armas Pesadas, da Cavalaria. Foi já adaptado no Grafanil, ficando uma secção, de doze homens, em esquadras de três, uma de Metralhadora Pesada Breda, outra de Morteiro, e uma outra de Bazuca, a pertencer a cada pelotão.
Um paradigma importante é do caso do soldado raso, que vindo da Portugália a Luanda, para se apresentar numa parada, afim de receber a Cruz de Guerra, de Ferro por acto de bravura em guerra, ter regressado em estado de desnutrição, a ter de receber tratamento médico.
- Então um herói não merecia receber tratamento como tal?
- Por exemplo, ser acompanhado por um superior e estar à sua disposição uma avioneta ou outro transporte condigno, para a deslocação.
- Presente a banalização de condecorações!...
Daniel Costa
Fim