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sábado, 5 de julho de 2008

FIGURA INESQUECÍVEL (Brasil) . I

AMÉRICO TOZZINI
Na verdade há pessoas marcantes na nossa vida. É o caso do Américo Tozzini. A amizade não chegou a este século, segundo julgo, o motivo foi a inevitável viagem ao mítico mundo dos falecidos. Afinal sabia que estava já na presença de um homem de idade avançada, por outro lado a sua escrita denunciava decrepitude.
Mas devo render-lhe a minha homenagem, porque ao iniciar-me como Director e Editor de uma revista filatélica, logo recebi o apoio dele. Alguém de longe e enquadrado em assunto tão especializado, como é do vasto mundo comunitário da filatelia.
A minha intenção era abranger tudo o que fosse comunidade de língua portuguesa, incluindo o Brasil. E daquele país estendiam-me logo uma mão.
De facto o Tozzini fazia uma coluna especializada no Jornal de São Paulo e o "Cinco Minutos com a Filatelia", no programa radiofónico "Pulo do Gato", da Rádio Bandeirantes.
Passei a receber, entre o vasto correio, regularmente o daquele amigo, sempre com as novidades brasileiras do âmbito e o importante estímulo.
Passou a tomar iniciativas, sem me consultar, fazendo publicidade à minha publicação, com a oferta de assinaturas aos ganhadores de um concurso que promovia no "Cinco Minutos com a Filatelia" mencionando a Revista e promovendo-a entre os muitos jornalistas brasileiros da especialidade, que nas sua colunas da especialidade lhe faziam referência. Numa pasta especial guardo os recortes, que me pareceram mais significativos.
Fazia muitos comentários, a propósito e atirava expressões, como fulano é daqueles que se "põe em cima do muro, espera que a procissão passe, para saltar para a frente". Achei este dito o máximo, adequava-se perfeitamente às pessoas em questão, segundo fui conhecendo melhor a comunidade do dirigismo filatélico.
Como Director, em tudo o que escrevia, usava o pseudónimo de Miguel Foz, por admiração familiar, talvez como homenagem, sobre isso escreveu: "Você com um nome tão machão, como Daniel Costa não precisa nada de pseudónimos". O pseudónimo estava devidamente registado e lá lhe expliquei os meus porquês da utilização.
Cheguei, mesmo a ter uma pasta especial onde arquivava essa vasta correspondência. Actualmente mantenho vários documentos e são bastantes, por serem peças de filatelia.
Por fora das cartas, sempre me referenciava, com as palavras Jornalista, ou Editor.
E uma inconfidência, em poucas crónicas que me remeteu usou o pseudónimo
Durante cerca de trinta anos, durou a troca de correspondência, até que se calou.
Daniel