sexta-feira, 12 de setembro de 2008

LISBOA CAFÉ - 16

RUA DE SANTA MARTA

A dezanove do mês terceiro do ano de setenta, do simbólico e certa maneira marcado, pelo cumprimento dum sonho antigo, sem elevada dose de convencimento, o João Moisés deu entrada ao trabalho de uma grande empresa, instalada em enorme casarão, da artéria de Lisboa, paralela à Avenida da Liberdade, do lado nascente e à direita de quem sobe, a RUA DE Santa Marta.
O nome tina uma certa antiguidade e laborava para todo o Portugal de Aquém e Além - Mar em África, razão porque era invejavelmente popularizado, até porque estava na onda clerical, conhecida em todas as paróquias, o que fazia irradiar um ar de reverência que, se bem verificado, a firma estava a ficar muito desactualizada e fora de caminhos tendentes ao progresso empresarial.
Vejamos: Administrativamente, pretendia chegar a essa modernidade, o que só podia ser alcançado com sangue novo, em toda a linha, o que procurava com Administrador e Director Comercial, mais secção de publicidade, tudo novidade.
Continuavam, contudo os reinados com “reizinhos” e freiras a deter o comando em sectores, onde por atrasados no tempo, ou por puro boicote a novas directivas ultrapassavam-nas, ao serviço de interesses mesquinhos e pessoais, de há muito instalados, fazendo ruir toda e qualquer ordem de progresso, inerentes a uma empresa de vanguarda como pretendia ser e o que anunciava na insistente publicidade.
Assim inexoravelmente, com a inovação a chegar, o colosso empresarial afundava-se mais, com os custos das então novas tecnologias a tornarem a viabilidade enganosa, como o eram as campanhas de publicidade que, em conjunto iam tendo lugar.
Logo no dia de apresentação, João Moisés imediatamente observou o logro em que tinha caído, pois aceitara um insistente convite.
Não tinha de se arrepender, ponderar apenas!
Tinha tomado a opção errada ao aceitar o convite de pessoas, que conheciam bem as boas condições em que trabalhava e não obstante!...
Decididamente, a União Gráfica não poderia oferecer o que tentava preparar em vão.
De um moderno gabinete, saltara para uma espécie de vão de escada, da cadeira rotativa passara a trabalhar de pé, de poder visionar qualquer obra ao vivo, em qualquer fase de execução no próprio local, por onde tivesse de passar, tinha de se limitar a ser informado por um telefone interno.
Simplesmente, era-lhe vedado o trabalho oficinal, o que dificultava o acompanhamento, tal como conviria aos executantes e era sabida a habilidade para sonegar as informações necessárias, a fornecer aos clientes, afinal o motor da existência da fábrica, para quem nem havia respeito.
Com estruturas estabelecidas em velhas rotinas, o boicote era a condição oficinal numa sociedade onde a reivindicação era proibida e que só o estatismo podia ser notado, como poder de força invisível.
Pois bem!...
O caminho tinha sido tomado, serviria de asas para novos voos!...
- Imediatamente, se iniciaram medidas para novo salto. A força de vontade, o poder negocial, algum talento e até a juventude ajudariam!...
- Em vão, os dias passavam, verificava-se que os tempos eram outros. A integração fez-se, como se tudo se apresentasse correcto. Houve depois também a previsível melhoria de instalações, embora sempre deficientes e o interesse em conhecer mais, aquele estranho mundo gráfico, acentuou-se com o desejo de crescente preparação.
Agora, já havia instalações, de certo modo, dignas para receber e atender clientes, logo na entrada do edifício e enquanto seguia a procura de um novo rumo, efectuava-se a adaptação.
Aquele era mesmo um espaço diferente, os clientes diferentes, não se repetiam, mas no fundo gostavam do bom acolhimento, tal como fora sempre aprendido pelo João Moisés, pareciam agradados!...
Podiam detectar-se duas espécies de trabalhadores, os mais antigos a procurar a situação de ruptura, face à tentativa de modernização, eram os coitados!
E outros, que se mostravam agradados de ver gente a indiciar nova era.
Verificava-se algum rejuvenescimento, havia já um interessante “lobie” constituído por elementos vindos do Dafundo, a abarcar diversos sectores, que procurava fazer evolucionar o sistema.
Entretanto, começava o serviço de relações públicas a trazer alguma satisfação e interesse, e recordavam a João Moisés, o modo como gostava de ver o universo do trabalho gráfico.
Bastantes obras estavam a passar pelo departamento, inclusivamente algumas de carácter menos ortodoxo, religiosamente falando e olhado a Senhora Dona Censura, já que a gráfica era de pertença e inspiração católica e ali evolucionava, em missão de trabalho, um alto censor de nomeação estatal, para questões da Fé.
Trazer impressa, o que era de lei, a origem da União Gráfica seria a garantia perante o público, que podia descansar por não cometer algum sacrilégio, mergulhando em leituras menos comuns.
Acompanhando variados trabalhos, é grata a recordação de um livro editado pela Câmara Municipal de Sesimbra, com o planeamento da edição a cargo do seu autor, Rafael Monteiro.
O livro ficou com a designação: “A VERDADE Sobre os Limites dos Concelhos de SESIMBRA, ALMADA E SEIXAL”. Rafael Monteiro seria um funcionário, assim a modos, que avulso… fazia muitas coisas, apresentava-se modesto por natureza e sem pretensões qual asceta culto. Seria remunerado à tarefa.
Dedicava-se muito à investigação arqueológica, levando a cabo várias escavações em sítios, como o do Mosteiro da Arrábida.
Era também muito interessado no estudo do esoterismo.
Tornou-se um bom amigo, confiante em quem, internamente, acompanhava a execução da obra, João Moisés.
Já este tinha sido obrigado a deixar a União Gráfica e… finalmente, o livro saiu!...

- Dedicatória:
- O livro “esperado” e gralhado… Agradece a colaboração “Técnica”, lamentando que não fosse até final”
(Assinatura – Rafael Monteiro)

Daniel Costa – in JORNAL DA AMADORA

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

PENSAMENTO AMAR

PENSAMENTO

Se vires uma pessoa amar o mundo, terá capacidade de amar um só humano!...

Daniel Costa

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

POEMA VINDIMA

VINDIMA

Moita dos Ferreiros
Certa noite atravessei, numa Caminhada
Dirigia-me a uma vindimada
No Casal Torneiro
Ali perto do Bombarral
Mantimentos iam no bornal
O patrão Chico Bento
Encarregara de arranjar grupo
Ao Américo do Casal
Quinze dias, o desterro
Que soou a liberdade celestial
Dormir na palha era banal
Sustento, batatas cozidas
Chicharro seco e Sardinhada
Sardinha prateada, como se fora para banquete
Aparecia na madrugada
Consistia, em cortar uva, a jornada
De formosa ramada
Cada cesto de pau, quando cheio
Encosta acima a despejar na tina
Para o lagar era transportada
Dezasseis anos e da vida sabia nada
Ouvia historietas, ao som de sorrisos
Fixei uma bastante engraçada
Caso de infidelidade
Dizia o homem:
Vi, foi mesmo de pé, mulher danada
Retorquia esta:
Não gostaste de estar na taberna encantada?
Cesto vazio, cesto cheio
Encosta acima
Vindima terminada
Vinte e dois mil e quinhentos por jornada
O rapaz, se também merecia, os levava
A terminar, uma ceia de adiafa
Para a festa bacalhau, alto como nunca vi
Mais as batatas, grande tachada!
Na própria adega
Na goela, o forte tinto carrascão refrescava
Depois do adeus e da última dormida
O grupo, pelas mesmas vias, encetou a abalada.

Daniel Costa

sábado, 6 de setembro de 2008

LISBOA CAFÉ - 15

BERTRAND – IMPRIMARTE

A grande empresa gráfica do Dafundo, estava a entrar em processo de reorganização, com um administrador brasileiro e um Director comercial cubano, vindos do país irmãos, para vender a mesma, o que se tornava notório.
Assistia-se ao impensável, pelo menos no que tocava à impressão de livro, o editor que tinha aceite um orçamento para uma unidade, recebia um emissário do sector de vendas, com proposta para a transformar para quatro unidades Como ficaria mais em conta e depois de muito instado aceitava.
Ao tratar da obra nos CONTACTOS, comentava o efeito de que não percebera os fins, tanto mais que, teria argumentado o não ter ainda novo original para outra edição. Acontecia isso frequentemente, o editor mostrar ali a estranheza.
Já se vê que o emissário de vendas também era beneficiado, com as comissões a chegarem no mês seguinte, bastava o orçamento ter sido aceite, nem que a obra não viesse a conhecer efectivação, o que seria natural acontecer.
Que se conhecesse, um editor falido aproveitou e mandou imprimir quatro livros, nunca terá liquidado, porque entretanto teve de acabar de vez, a actividade, mas o homem de vendas tinha recebido a compensação.
Tratava-se de operação fraudulenta, destinada a enfatizar a carteira de obras, a ser exibida às empresas interessadas a entrar no negócio.
Num Domingo, realizou-se um almoço de confraternização num afamado restaurante da periferia de Sintra, só destinado a gente em exercício de chefias ou equivalente, até porque a bandeirada era elevada para a época, o relevante custo de 40$00.
Comparecerem os detentores dos mais elevados cargos, alguns vindos do Brasil em regime de comissão de serviço e partiu desses a verdadeira loucura em que terminou o almoço, com um jarrão de vinho a passar por todos, de mão em mão, com um acima abaixo e bebe.
Resultou em vários pró embriagamentos, o tecto decorado com várias réstias de cebolas e outros produtos imperecíveis, esvaziou-se, com as orgias que se seguiram.
Na Segunda-Feira seguinte uma mulher secretária de quem pagou, foi de secção em secção, apresentar a conto suplementar, a quantia de mais 20$00, o valor de um bom almoço na época.
No fim do ano, na secção de encadernação, houve festa geral com garrafas de champanhe e bolos. O discurso fácil do administrador brasileiro, não se fez esperar visando os muitos que se iam demitindo, para formar uma empresa concorrente, enquanto pintava de cores negras, a gerência que se formava.
Gerara-se nova fraude, tentava-se o funcionamento de relações públicas internas, para que não se desse a insinuações que sendo certas, eram contrárias aos objectivos traçados.
Agora os CONTACTOS deixaram de ser, como que uma pequena empresa a actuar dentro de uma grande e ficara reduzida a dois elementos, acoplados à Secção de Programação. Os outros elementos, sem conhecerem ainda uma previsível situação de despedimento, eram transferidos para tarefas bonitas, mas a que já se apelidava de prateleira.
Deixaram de lhe atribuir o característico dinamismo com que se distinguia, que era o de representar internamente, os interesses dos clientes, afinal o que, comercialmente motivava o objectivo a fábrica.
Mesmo assim, a desenhadora e maquetista do projecto, pretendia desviar a feitura de um livro, encomendado por um departamento estatal. Funcionara, decerto o aceno de uma melhor comissão para o desvio!
Com as muitas vicissitudes, o atraso era evidente, tendo em conta o que constava do próprio orçamento de contrato, porém a feitura da obra chegara à encadernação, o mesmo que dizer, à fase de acabamento.
João Moisés, acumulara o acompanhamento dos trabalhos do sector estatal e fora convocado para uma magna reunião, a propósito, no respectivo departamento, incluía maquetista, representante da empresa gráfica e o próprio Secretário de Estado.
Cabia ao acompanhante interno da obra, fazer-se representante da empresa. Aconteceu assim e com oportunidade, começou de imediato a tratar do melindroso assunto. Dirigiu-se ao chefe da encadernação e com o habitual, mesmo necessário, poder de relações públicas e pondo-o ao corrente da situação, obteve deste a garantia de lhe ser proporcionada a execução completa de um livro, para apresentação.
Mesa redonda e eis que aparece o único livro executado, o bastante para o Senhor Secretário de Estado de Estado a presidir, desse por finda a reunião, visto estar concluída a obra.
A maquetista teve a resposta devida e nem queria acreditar, exibindo sempre o seu olhar trocista, desconfiado e de soslaio. Devia contar haver pessoas que levavam muito a sério os seus deveres, em todas as circunstâncias, como aconteceu.
Desta vez não lhe valeram os trunfos de mulher nova, matadora e espampanante, numa floresta de machos latinos.
- Perdeu!...
Agora tinha acabado a Bertrand & Irmãos, do grupo brasileiro Celsa, que já a havia transaccionado com a americana ITT.
Dera lugar à Imprimarte, ficara com o mesmo nome e ficou na mesma direcção das Páginas Amarelas, as listas telefónicas que já executava,
Já não se verificavam as mesmas condições de trabalho, tudo mudara!
João Moisés, vendo a publicidade, que no caso se tornava enganosa, aceitou um convite, também eivado dos enganos e das deslealdades do mudo.
Demitiu-se, indo para essa empresa concorrente, antes que chegasse a hora da previsível ordem de despedimento.

Daniel Costa – in JORNAL DA AMADORA

LISBOA CAFÉ - 15

BERTRAND – IMPRIMARTE

A grande empresa gráfica do Dafundo, estava a entrar em processo de reorganização, com um administrador brasileiro e um Director comercial cubano, vindos do país irmãos, para vender a mesma, o que se tornava notório.
Assistia-se ao impensável, pelo menos no que tocava à impressão de livro, o editor que tinha aceite um orçamento para uma unidade, recebia um emissário do sector de vendas, com proposta para a transformar para quatro unidades Como ficaria mais em conta e depois de muito instado aceitava.
Ao tratar da obra nos CONTACTOS, comentava o efeito de que não percebera os fins, tanto mais que, teria argumentado o não ter ainda novo original para outra edição. Acontecia isso frequentemente, o editor mostrar ali a estranheza.
Já se vê que o emissário de vendas também era beneficiado, com as comissões a chegarem no mês seguinte, bastava o orçamento ter sido aceite, nem que a obra não viesse a conhecer efectivação, o que seria natural acontecer.
Que se conhecesse, um editor falido aproveitou e mandou imprimir quatro livros, nunca terá liquidado, porque entretanto teve de acabar de vez, a actividade, mas o homem de vendas tinha recebido a compensação.
Tratava-se de operação fraudulenta, destinada a enfatizar a carteira de obras, a ser exibida às empresas interessadas a entrar no negócio.
Num Domingo, realizou-se um almoço de confraternização num afamado restaurante da periferia de Sintra, só destinado a gente em exercício de chefias ou equivalente, até porque a bandeirada era elevada para a época, o relevante custo de 40$00.
Comparecerem os detentores dos mais elevados cargos, alguns vindos do Brasil em regime de comissão de serviço e partiu desses a verdadeira loucura em que terminou o almoço, com um jarrão de vinho a passar por todos, de mão em mão, com um acima abaixo e bebe.
Resultou em vários pró embriagamentos, o tecto decorado com várias réstias de cebolas e outros produtos imperecíveis, esvaziou-se, com as orgias que se seguiram.
Na Segunda-Feira seguinte uma mulher secretária de quem pagou, foi de secção em secção, apresentar a conto suplementar, a quantia de mais 20$00, o valor de um bom almoço na época.
No fim do ano, na secção de encadernação, houve festa geral com garrafas de champanhe e bolos. O discurso fácil do administrador brasileiro, não se fez esperar visando os muitos que se iam demitindo, para formar uma empresa concorrente, enquanto pintava de cores negras, a gerência que se formava.
Gerara-se nova fraude, tentava-se o funcionamento de relações públicas internas, para que não se desse a insinuações que sendo certas, eram contrárias aos objectivos traçados.
Agora os CONTACTOS deixaram de ser, como que uma pequena empresa a actuar dentro de uma grande e ficara reduzida a dois elementos, acoplados à Secção de Programação. Os outros elementos, sem conhecerem ainda uma previsível situação de despedimento, eram transferidos para tarefas bonitas, mas a que já se apelidava de prateleira.
Deixaram de lhe atribuir o característico dinamismo com que se distinguia, que era o de representar internamente, os interesses dos clientes, afinal o que, comercialmente motivava o objectivo a fábrica.
Mesmo assim, a desenhadora e maquetista do projecto, pretendia desviar a feitura de um livro, encomendado por um departamento estatal. Funcionara, decerto o aceno de uma melhor comissão para o desvio!
Com as muitas vicissitudes, o atraso era evidente, tendo em conta o que constava do próprio orçamento de contrato, porém a feitura da obra chegara à encadernação, o mesmo que dizer, à fase de acabamento.
João Moisés, acumulara o acompanhamento dos trabalhos do sector estatal e fora convocado para uma magna reunião, a propósito, no respectivo departamento, incluía maquetista, representante da empresa gráfica e o próprio Secretário de Estado.
Cabia ao acompanhante interno da obra, fazer-se representante da empresa. Aconteceu assim e com oportunidade, começou de imediato a tratar do melindroso assunto. Dirigiu-se ao chefe da encadernação e com o habitual, mesmo necessário, poder de relações públicas e pondo-o ao corrente da situação, obteve deste a garantia de lhe ser proporcionada a execução completa de um livro, para apresentação.
Mesa redonda e eis que aparece o único livro executado, o bastante para o Senhor Secretário de Estado de Estado a presidir, desse por finda a reunião, visto estar concluída a obra.
A maquetista teve a resposta devida e nem queria acreditar, exibindo sempre o seu olhar trocista, desconfiado e de soslaio. Devia contar haver pessoas que levavam muito a sério os seus deveres, em todas as circunstâncias, como aconteceu.
Desta vez não lhe valeram os trunfos de mulher nova, matadora e espampanante, numa floresta de machos latinos.
- Perdeu!...
Agora tinha acabado a Bertrand & Irmãos, do grupo brasileiro Celsa, que já a havia transaccionado com a americana ITT.
Dera lugar à Imprimarte, ficara com o mesmo nome e ficou na mesma direcção das Páginas Amarelas, as listas telefónicas que já executava,
Já não se verificavam as mesmas condições de trabalho, tudo mudara!
João Moisés, vendo a publicidade, que no caso se tornava enganosa, aceitou um convite, também eivado dos enganos e das deslealdades do mudo.
Demitiu-se, indo para essa empresa concorrente, antes que chegasse a hora da previsível ordem de despedimento.

Daniel Costa – in JORNAL DA AMADORA

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

ANEDOTA DA BUFARDA

ANEDOTA
O Senhor Francisco era ateu, porém a esposa era muito católica. Um dia, na época pascal, como bom bebedor e já com um grão na asa, resolve ir fazer a confissão de desobriga da Páscoa!
Mostrou nada saber de praxes religiosas!
Pergunta do confessor: sabe ao menos quem è Deus?
Sei Senhor padre, Deus sou eu, sem dúvida!...
Como assim? Indagou aquele.
É que a minha Crestena, todos os dias ao deitar, reza e diz assim:
- Com Deus me deito e com Ele me levanto.
Ora - ela deita-se sempre comigo!...

Recolhida nos anos cinquenta, na Bufarda – Peniche, do próprio contador e autor.
Crestena era como o senhor Francisco pronunciava o nome da mulher Cristina.
Recolha e daptação: Daniel Costa

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

POEMA PRESSA DE VVER

PRESSA DE VIVER

Tenho pressa de viver
A um oitavo de década
Na segunda encarnação
Da primeira, nada arrepende
Recuperei a pressa de viver
Pois então!
Que hei-de fazer?
Se tenho pressa de viver?
Reparo que ainda estão
A fazer labiríntica gestão
Não acabaram os “boys”
Pois então
A segunda encarnação
Será mais curta
Porque tem de ser
Tenho pressa de viver
Traduz empurrar
O natural acto de morrer
Naturalmente é fazer jus
Ao ditado que diz:
“Deitar cedo e cedo erguer
Dá saúde e faz crescer”
Ou seja alargar o tempo
Nesta encarnação também uso
Tenho pressa de viver
Não ao desuso
Quem vai, com desejo de morrer
Deixo passar, quero viver
Abrir as mãos e dizer
Deixem-me, estou a fazer!
Tenho pressa de viver
Quero recordar
Os meus três anitos
Da tia que então feneceu
Da miúda, que de mãozinha dada
A subir a Rua me acompanhava
Recordo o desgosto
Porque logo morreu
Sempre com pressa de viver
Fiquei eu!...

Daniel Costa