segunda-feira, 8 de setembro de 2008

POEMA VINDIMA

VINDIMA

Moita dos Ferreiros
Certa noite atravessei, numa Caminhada
Dirigia-me a uma vindimada
No Casal Torneiro
Ali perto do Bombarral
Mantimentos iam no bornal
O patrão Chico Bento
Encarregara de arranjar grupo
Ao Américo do Casal
Quinze dias, o desterro
Que soou a liberdade celestial
Dormir na palha era banal
Sustento, batatas cozidas
Chicharro seco e Sardinhada
Sardinha prateada, como se fora para banquete
Aparecia na madrugada
Consistia, em cortar uva, a jornada
De formosa ramada
Cada cesto de pau, quando cheio
Encosta acima a despejar na tina
Para o lagar era transportada
Dezasseis anos e da vida sabia nada
Ouvia historietas, ao som de sorrisos
Fixei uma bastante engraçada
Caso de infidelidade
Dizia o homem:
Vi, foi mesmo de pé, mulher danada
Retorquia esta:
Não gostaste de estar na taberna encantada?
Cesto vazio, cesto cheio
Encosta acima
Vindima terminada
Vinte e dois mil e quinhentos por jornada
O rapaz, se também merecia, os levava
A terminar, uma ceia de adiafa
Para a festa bacalhau, alto como nunca vi
Mais as batatas, grande tachada!
Na própria adega
Na goela, o forte tinto carrascão refrescava
Depois do adeus e da última dormida
O grupo, pelas mesmas vias, encetou a abalada.

Daniel Costa

40 comentários:

Laura disse...

Lindo, lindo, porque eu assisti às vindimas da casa dos meus avós, mas nesse tempo não se pagava, lá na terra todos iam ajudar e depois todos voltavam a ajudar o outro e assims evindimava em Covêlo do gerês, e eu ajudei tantas vezes, carreguei cestos, cortei uva americana, ajudei no lagar a ve rpisar ehhhhhh, e as minhas tias e avó faziam cada merendeio que nem te digo, tudo do bom e do melhor!...

Hoje as uvas estão abandonadas ninguém as poda ninguém as quer ninguém as leva
e fica-se assim;
a sonhar com o fim!...


Beijinho da laura que gostou da poesia dos tempos das vindimas...

Camila disse...

Que festança!
União é a palavra chave.
Ótima semana pra ti!
Beijo

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Daniel:
Faça um milagre e me tire dessa depressão, pois estou a ponto de fechar o Blog. Há muitas pessoas na Blogosfera que não gostam de mim e me querem ver fora daqui, não poupando esforços para fazê-lo.
Por favor, amigo, dê-me uma palavrinha de conforto.
Renata

O Sussurrar do Corpo disse...

Belo!
Um sussurro...

Bandys disse...

Caniel,
Cada poema seu, é uma surpresa.
Estou adorando.
beijos

Bandys disse...

*Daniel,
desculpa!

Anja Rakas disse...

Hoje a lua despiu seu véu
E flutua a dormir no céu
Na canção que de mim nasceu
Meu amado adormeceu
Meu amado adormeceu

Dorme, meu amor
Como no céu a lua
Tu serás sempre meu
E eu só tua

Dorme, amigo, que a poesia
É um mistério que não tem fim

Dorme em calma
Que assim, um dia
Dormirás para sempre em mim
Dormirás para sempre em mim

daniel disse...

Renata

Gosto tanto do teu blogge, o que me leva a pedir, que o sigas e não desiludas os teus amigos. Eles merecem "beber" do teu talento, como tu bem os mereces.
Estarás deprimida, por certas consequências. Descansa um pouco e segue em frente.
Já pensaste, que o talento incomoda os atrazadinhos da silva, que nem sabem fazer algo para a amostra?
Depois dois ou três empatas, nem merecem ser olhados, pura e simpleste são dignos de desprezo obsoluto. Se tiverem importância só se fôr pelo péssimo negativismo.
Se não és capaz de assobiar, podes tomar uma atitude de encarar o mundo, com ar prazenteiro, nem que seja apenas interiormente, olhar e dizer: olhem a minha cara de chateada!...
Minha cara o teu blogge é demasiado precioso. Vai sempre, dedicando-lhe carinho. Muitos amigos agradecem, como eu. Sê tu, igual a ti!...
Deixo-te um beijinho na testa, em sinal de ternura e amizade.
Daniel

Desnuda disse...

Lindo este poema que retrata de forma bucólica, um canto de saudade.


Obrigada pela bela partilha e por seu carinho no meu cantinho.

Uma semana proveitosa e harmoniosa.


Grande beijo, amigo

Marta disse...

Fala-se em saudade...Sente-se nas palavras....
Lindo...
Ainda continuo com o mesmo poeta - vai até lá e dá-me a tua opinião...
Beijos e abraços
Marta

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Não achei nada não, Daniel, mas o que importa é que vc está do meu lado. Um beijo,
Renata

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Não achei nada não, Daniel, mas o que importa é que vc está do meu lado. Um beijo,
Renata

o¤° SORRISO °¤o disse...

Oi Daniel. Só coisa boa. Vinho, sardinhada, bacalhau com batatas. Hummmm... E é claro, muito trabalho em manusear as uvas.

Boa semana e Beijos mil! :-)

vero disse...

Também eu assisti às vindimas em casa da minha avó mas era muito pequenita. Adorava descalçar-me e esmagar as uvas, mas ficava comnpletamente tonta com aquele cheiro intenso... lol, coisa que já deve ser muito raro ou praticamente inexistente hoje em dia, é uma pena porque é um momento de grande convívio!


Gostei muito deste poema

Beijinhos

Bill Stein Husenbar disse...

Encantado. Quem não se recorda das vindimas por volta de Setembro?

Tempos em que a uva e as angústias eram piasdas e davam origem ao doce vinho da vida.

http://desabafos-solitarios.blogspot.com/

xistosa - (josé torres) disse...

Amigo Daniel

Não se pode convidar a Laura para trabalhos.
Ela só assiste, pelo que diz, não invento nada.
Há afinal, teve um rebate e foi ajudar.
Foi o que me sucedeu, salvo erro há dois anos no Douro. Por amizade, fui para lá dois dias.
Os cestos são pesados que nem burros, (sei o peso dos burros porque peguei em muitos ao colo).
Fiquei com os ombros, que nem sabia se era sangue se sumo de uvas esborrachadas.
Ao 2ª dia emigrei, que a vida na terra plana é melhor ...

Bem a Laura que não leve a mal, que é só brincadeira.
mas ainda hoje tenho as marcas das correias dos cestos ... até julguei que me tinham colocado pedras, como brincadeira ...

Por desporto é uma brincadeira que se faz e em Monção, como não há quem trabalhe, se os espanhóis não nos compram as uvas, (eles fazem a vindima e pagam na hora, não é como a Adega Cooperativa que só paga no ano que vem ...), mas como dizia, ajudamo-nos uns aos outros.
As minhas videiras só dão silvas, também são meia dúzia de pés e ainda tenho que aturar o vizinho que as silvas lhe invadem a ramada ...

Já tentei fazer sondagens para prospecção de "pitról", mas aquilo só dá mesmo, ervas e silvas.

Ana Martins disse...

Um belo poema que tão bem retrata o tema "VINDIMA".

Beijinhos

Cadinho RoCo disse...

Leitura deliciosa em ambiente desprendido de toda e qualquer reserva e a obter do prateado da sardinha, luz de experimento encantado. Que brindemos com bom vinho português.
Cadinho RoCo

VANUZA PANTALEÃO/OBRA LITERÁRIA disse...

Caro Daniel!
Como costumo ser sincera nas minhas opiniões e conhecedora que sou do vernáculo, sei que o verbo "obrar" pode ter alguns sentidos. Entre eles, um significado desairoso e pouco cavalheiresco. Quando você encerrou seu comentário, a princípio elogioso, encerrou-o dizendo:"...e obra". Vou reafirmar um detalhe da minha maneira de ser com as pessoas:mesmo gostando, ou desgostando das mesmas, não temos o direito de expô-las ao ridículo ou execração pública. Lido aqui com várias pessoas do sexo masculino, porém, não permito que tomem iniciativas no sentido de tornarem as situações dúbias ou nebulosas. Meu trabalho se resume ao afeto natural e ao comentário dos seus escritos. Disponho de bom- humor e o acho, inclusive, válido em certas ocasiões...Mas, não subestimo a inteligência de ninguém. Não faço com os outros o que não desejo que façam comigo.
Portanto, se estiver sendo injusta, receba as minhas escusas. Porém, se estiveres agindo sob "outras influências" que é o que percebo aqui, por favor, seja claro e coloque as cartas na mesa. Não estou tramando a expulsão de ninguém daqui, nem tenho poder para tanto e esse tipo de comportamento não faz parte do meu perfil democrático. Mas, NÃO ADMITO, SOB HIPÓTESE ALGUMA, receber alfinetadas ou estocadas de quem quer que seja. Não quero saber quem você vai apoiar, ou não, mesmo porque não estamos num tribunal inquisitorial, a caça às bruxas, segundo me consta, já terminou a séculos e se tem que haver uma bruxa aqui, ESSA NÃO SOU EU!!!
Se houver ainda alguma dúvida, pode se dirigir à minha página que a esclarecerei, pois aqui não voltarei para ler a sua resposta, simples falta de tempo, tenho família, marido e filho para cuidar. Tem mais, depressão se cura ou se trata com acompanhamento psiquiátrico e remédios para pessoas com problemas mentais, doentes, e não com palavras amigas que são importantes, mas NÃO curam.
Boa noite e doravante, se puder, me devolva a consideração e Respeito que sempre demonstrei por você e pelo que você vem obrando!(no bom sentido, lógico!)

VANUZA PANTALEÃO/OBRA LITERÁRIA disse...

OPS:"...o esclarecerei". Digitei rápido, estou com outras ocupações e não tenho costume de conviver com picuinhas e intrigas.

Ana Diniz disse...

Suas palavras me transportam a lugares que nunca fui. O seu estilo é espetacular, lembra-me algo do Realismo? Ou Naturalismo? O descrever é bem parecido com o de Júlio Ribeiro. Algo de parar e de se deleitar, a cada palavra que soa e ressoa ao olhar... bela ambientação, Daniel, belíssima.


Venha ver o meu poema.

doseuinteresse.blogspot.com


Beijos...

Ana

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Daniel:
Vc sabe que eu estava prestes a fechar o meu Blog, e só não o fiz porque recebi a solidariedade dos amigos, inclusive a sua, embora não tenha encontrado aquilo que vc postou para mim. De quebra, fiz novo post, mais ousado. Apareça, querido, vc será muito benvindo.
wwwrenatacordeiro.blogspot.com/
Um beijo,
Renata

Laura disse...

xistosa, ê cá ajudei a cortar uvas cá de baixo onde elas rasavam, ajudei sim e carreguei com cestos só plo meio ehhh, mas carreguei e ajudeo a tia a por a mes apara vinte e tal pessoas e a levar a merenda nos carros de bois quando a vindima era mais para longe de casa...toma lá e aprende, a nina alura ajuda sempre onde acha que pode...
és memso um xiste e o nome fica-te a matar..ah e também ajudei a beber a pinguita que até sabia bem...
Beijinhos ó daniel, para ti e o xiste também pod elevar um...ehhhhhh

Laura disse...

querida renatinha as pessoas comentam onde querem e se deixam de fazê-lo por alguma coisa é! repito que não a estou a atacar e que até gosto de você, mas essa sua teimosia em puxar todos para ver seus filmes e suas coisas lindas, só resulta com quem gosta e como vc passa a vida a querer agarrar o pessoal, eles caem fora quando enchem, assim só vc pode fazer com que eles voltem virando-se para os verdadeiros cinéfilos... eu gosto de treta do dia a dia como já viu e não peço a ninguém que me venha visitar, pois quem gosta aparece sempre...e vc com suas birrinhas acaba por despachar os que restam. Tenha calma e faça as coisas devagarinho evá procurando quem goste de seus posts e que não a visitem por piedade apenas, mas pelo lindo trabalho que vc faz!... eu raramente apareço porque como já disse; você nos obriga a ler montes d ecoisas que nem sempre gostamos, pois os filmes vêm-se nãos e contam e por ai fora. Me desculpe a rudeza, mas tente mudar alguma coisa pois quem tem de mudar é vc e não quem deixa de a visitar. Que eu saiba não fiz nada para a prejudicar, apenas me afasto porque enchi de ler sobre o que não me interessa muito, assim como o meu blog não deve interessar a muita gente..tente participar nos blogues dos outros da mesma forma que gostaria que participassem no seu, e vai ver que muda..ou então mude o visual e escreva sobre outras coisas da vida, quem sabe!...Repito não estou a julgar nem a ralhar nem a ser má, apenas a mostrar-lhe o caminho talvez por ser mais velhota...um abraço da laura..

daniel desculpa de me meter assim, mas, comecei e fui-me alargando...beijinho e espero que me entendas... para bem da nossa amiga renatinha e para que todos gostem d elá ir sem ser preciso obrigar-nos..laura..

VANUZA PANTALEÃO/OBRA LITERÁRIA disse...

Caro Daniel, felizmente, o bom senso prevaleceu. Fico-lhe grata pelos esclarecimentos.
Sua amiga, Vanuza

Carla disse...

...e estão quase a chegar, assim como o Outono que as anuncia!
saudades que me trazem de um tempo que já lá vai´beijos

Laura disse...

daniel; desculpa por-me aqui a dar prosa à renatinha, mas...desculpa mesmo pois por instantes julguei-me no meu resteas e...pode-se dizer que as ninas te batem forte ehhhhhh!...até já fui ler o que se passou e nada de mal da tua parte, apenas se lê de forma diferente daqui e o nosso amigo o Alves, está farto de se rir mas pelo sim pelo não; não entra a matar antes pergunta o que quer dizer e depois de elucidado, ri-se a bom rir, mas ...

Nanda Assis disse...

olá dani, sempre bom ler seus textos seus poemas, adoro estar em contato contigo.
bjosss...

daniel disse...

Laura

Creio que enganaste no nome. Mas obrigado sabes que sou incapaz de ser menos elegante, por formação.
Quem se zangue comigo, e não retrocede, conversando, é por ser mau carácter e aí, contará com desprezo absoluto.
Felizmente não é o caso. Francamente aprendi!...
Beijinhos
Daniel

Cristina disse...

Huummmmmmmmmmmm esses vinhos e iguarias é de deixar água na boca.
Bela poesia das vindimas.
Beijos e a continuação de uma boa semana.
Cristina

Vanessa. disse...

Que bonitas palavras :)

Maria Dias disse...

Nossa q delícia este poema em prosa...Agorinha viajei no aconchego deste lugar q citas e tb me deliciei com a comida portuguesa q amo!Bacana ler-te assim...

Aproveito para convida-lo até o meu espaço...Tenho postagem nova!

Abraços de longe!

Sonhadora... disse...

Daniel, obrigada pelas palavras...gostei daqui e espero te ver mais vezes.

grande beijo..sonhadora!

Ana Diniz disse...

Daniel!

Venha ver minha prosa, a estilo de continuação do que vc leu ontem, lá no meu blog...


Beijinhos...

Ana

Bia disse...

Mais um post que gostei !!
Quem não se lembra das vindimas... saudades !! Tens um jeito muito particular de escrever !!
E depois, o bacalhau, a sardinhada.. hhumm... fiquei ocm agua na boca !!

miminhos.. atrevidos!

Anja Rakas disse...

Querido Daniel..
Eu nao guardei uma petala mas sim uma flor inteira para ti...ve com mais cuidado abaixo...
beijao

Anja Rakas disse...

Se pode haver troca de experiências?
DEVE....
Afinal pra que estamos neste mundo senão para trocar-mos ... muita coisa hehehehe
Um beijo doc

jo ra tone disse...

Gosto de tudo que trate da vida do campo, como muito bem é descrito neste poema.
Nas vindimas punham também todas as noticias em dia, Algumas de ficar com a boca aberta, como uma aqui descrita.

Crisfonseca disse...

Olá Daniel,
uma escrita saudosa, poética, simplesmente magnífica.
Beijos,
Cris

Maria Soledade disse...

Amigo Daniel,falar-se nas vindimas tudo bem, eu também participei nelas muitas vezes a pisar as uvas, que coisa horrivél porque aquilo fazia muitos piquinhos nas pernas mas...diziam os mais velhos que era para bem da saúde,mas no bacalhauzinho...pelamordedeus...huuuum já sinto o gostinho dele, do bacalhau,é claro!...

Tá muito bonito o poema amigo.Retrata as vindimas de uma forma poética mas tão real, e a saudadita apertou,não?Ah, eu trabalhava mas de borla...lá está, era p'rá mamã...

Beijinhos/até sempre amigo