sábado, 16 de agosto de 2008

LISBOA CAFÉ - 12

O MUNDO EDITORIAL

Afinal o paraíso parecia estar no Dafundo, visto pelo positivismo, havia coisas engraçadas, como a referência africana ao gabinete, que um colega desfrutava, por vezes depois de uma troca de impressões atirava:
- “Bem tenho de ir até à minha sanzala”!... Efeitos de também ter feito a sua comissão militar em terras de Angola!...
Era a zona dos CONTACTOS onde diariamente se recebiam clientes, alguns de grande nomeada, pois apesar do serviço poder fazer deslocações ao encontro desses, é de crer que a própria estrutura da empresa os fascinasse, a ponto de quererem ser eles próprios a estabelecer canais de comunicação pessoal, respeitante aos seus trabalhos.
Por vezes havia outras razões, até as que se prendia com a Censura Estatal, sempre omnipresente em todo o mundo que fosse sítio, tanto mais onde se poderia passar ao papel propagadas contrárias ao regime vigente.
Não vivida, mas sabida de um companheiro. Fora abjudicada à empresa uma obra em livro que depois de editada, seria lançada no Estádio da Luz, por ocasião de um importante desafio de futebol. No dia aprazado não foi possível a entrega, aventaram-se as desculpas esfarrapadas costumeiras, adaptadas ás circunstâncias do caso.
Na Segunda-Feira seguinte veio a saber-se, na clandestinidade, dos mesmos originais fornecidos Bertrand & Irmãos, apareceu o livro à venda durante esse jogo.
O caso, depois veio a ser entregue à polícia judiciária que, munida de mandatos, passou revista a casas de funcionários da empresa.
Sendo assunto recente, mas passado antes da entrada de João Moisés, para este funcionou apenas como interessante, a existência de nobreza daquela ocupação era feita de outras causas.
Era recorrente a visita, à média de duas vezes por semana, por um trio de Administradores e Editores da Palirex, que quando eram avistados, muitas vezes alguém dizia: Tens aí os Índios para tratar!
De facto um destes desenvolvia os assuntos como se estivesse a negociar mercadoria de ferro velho, era o encarregado de gerir a contabilidade, o outro desenhador alinhava muito com o contabilista. O terceiro era verdadeiramente escritor e jornalista, o que tutelava mais a parte editorial, era o Roussado Pinto, que lhe passou a dedicar uma verdadeira amizade.
Com essa editora veio a acontecer algo de lastimável. Estava-se na era dos saquinhos de cromos, que viriam a preencher cadernetas, cujas completas, davam direito a um brinde. No caso, era composto de uma bola do futebol profissional, pois tratava-se de fotografias a cores de jogadores de clubes, que iam entrar na Taça dos Campeões Europeus, onde se contava a do Sport Lisboa e Benfica.
Eram muitos os cromos e as entregas feitas por partes, já que se compunham de várias folhas de 70 x 100 cm, com a necessidade de muitas horas de guilhotina, para separa todas as efígies dos jogadores, que iam entrar em acção.
Certo dia, um dos motoristas ao dirigir-se a entregar uma tranche de cromos, teve um desastre mortal e como consequência, além da sua trágica morte, os coloridos papelinhos espalharam-se por toda a via.
Caro que a empresa tinha seguro a cobrir riscos desses. O assunto era do foro contencioso, mas o contabilista vislumbrando a oportunidade de fazer grande fortuna, reivindicava insistentemente junto de João Moisés ser indemnizado de todo o material, pelo preço que venderia nas livrarias, ao invés do custo de fabrico que lhe assistia por direito.
O acompanhamento da obra acabou por se tornar demasiado complicado, com esse lance.
O Departamento de contencioso, acabou por, tratar do infeliz caso, como lhe competia.
Outra empresa de razoável dimensão, que por ali passou, designava-se Editorial Aster, editando além de outros, bastantes livros didácticos. Terá sido aquela, que mais ficou na retina por muitos motivos, não só por acompanhamento de trabalhos, mas porque fora deles perduraram amizades pessoais.
Houve a feitura de um livro escolar, “Ciências da Natureza”, por três autores, Capitão Mascarenhas Barreto, Dr. Perry Vidal e Dr. Barrilaro Ruas. O livro, como muitas vezes acontecia naqueles tempos, ia sendo concebido aos poucos, até que apareceu a obra impressa.
Além deles e daquela importante realização, de que Aster era editora, e um importante cliente, pelo que foram tratados relevantes trabalhos, recebidos outros eventuais colaboradores e empregados, além do próprio Administrador. Este apareceu por diversas vezes, a verificar itens talvez mais sofisticados, como a obtenção de prazos.
Merece destaque especial, Selecções da Reader’s Digest, um outro dos melhores clientes, em toda a linha, que teve sempre trabalhos em andamento, obras de grande envergadura.
A maior lembrança era a conhecida, por todo o país, Livraria Popular de Francisco Franco, da Rua Barros Queirós, por se dedicar à venda e distribuição de material escolar. João Moisés trabalhos algumas vezes com Carlos Mota, um herdeiro, por casamento, de Francisco Franco, com a particularidade de ser filho do Dr. Góis Mota, um Presidente do Sporting Clube de Portugal, que teve o privilégio de dar o arranque, com o lançamento da primeira pedra, ao primitivo ao primitivo Estádio de José de Alvalade.
No ano de 1968, apareceu um colega com um cartão, pelo qual havia desembolsado a quantia de quinhentos escudos. Tinha entrado num jogo de “pirâmide, pelo que desejava passar o bilhete para outras mãos a todo o custo. No fundo já estava arrependido da aquisição, embora o objectivo fosse o negócio.
O João Moisés entrara em jogos do género, mas implicavam apenas a aquisição de alguns postais ilustrados, até sabia que era interdito, por lei, mas isso era no fundo um passatempo engraçado, mas “brincar” com notas de quinhentos paus?
Na década de sessenta era elevado e caro, a negativa foi o caminho natural, para o seu espírito de mau comprador.
A entidade patronal seria sempre algo de inesquecível. Pertencer a um grupo daquela envergadura e as condições achadas, continuavam a ser coisa de um outro mundo, muito desejado!

Daniel Costa – JORNAL DA AMADORA

31 comentários:

Laura disse...

Ah, até eu andei nessa de ter cadernetas de cromos e as respectivas bolsinhas cheias deles pra trocar por quem tivesse duplicados, era pra mim e pró meu mano, que delicia, eu alinhava nisso tudo... O meu mano gostava era dos jogadores de futebol e eu negociava melhor que ele, pois por vezes tinha mais de cincou ou seis do memso e trocava dois por um que na tivesse e sempre enchia a caderneta, belos tempos esses...Coitado do senhor que teve o acidente e dos cromos espalhados por lá, se a pequenada visse era um nunca mais acabar de os apanhar do chão...
Beijinho da Laura e amanhã um bom Domingo...

daniel disse...

Laura

Estava chuva a valer, estou a ver o condutor antes, era muito calminho e experiente. Os cromos teriam ficado impróprios.
Achei giro, fui às instalações da encardenação levei as respectivas folhas para a minha mesa, cortei tudo a com uma raspadeira e fiz a caderneta completa. Guardo-a! Ainda tem o José Águas o Neto, o Cavém, Cruz e etc.
O pior terá, sido os que ficaram como a mulher e dois miúdos, que ficaram!...
Naquele tempo, vendiam-se muitas carteirinhas de cromos de jogadores de futebol, de hoquei, ciclistas, etc.
Também os havia embrulhados nos rebuçados.
Como sabia como era a engrenagem, sei que havia um que era comum, nunca chegar a ser vendido, para a procura do brinde não perder o interesse.
Então beijinhos e preparemo-nos para um bom Domingo.
Danial

o¤° SORRISO °¤o disse...

Oi Daniel.

"Vá rápido quando puder.
Vá devagar quando for obrigado.
Mas, seja, lá o que for, continue.
O importante é não parar!!!"
(A.D.)


Citius, altius, fortius (Mais rápido, mais alto, mais forte) - lema olímpico

É muita emoção!!
Bom fim de semana.

Beijos mil! :-)

Laura disse...

Daniel, aqui vai o poema prometido no meu blog que nada tem a ver com cromos e afins, mas é lindo e para jesus! Acredito na Mãe Maria sim, mas nada de terços que não rezo, prefiro falar com Ela e dizer o que vai na minha alma que Ela ouve-me...e a vida que tenho e as viscissitudes, mereço-as pois...acredito nas outras vidas que já vivemos e nas mais que teremos de viver até atingir a perfeição!... Sou surda mas não sou burra isso eu garanto ehhhhhh
Foi escrito quando acabei de rezar, ergui os braços para o alto e parecia que queria tocar nas Suas Mãos... e senti toda a energia fluir em mim, foi lindo aquele momento...


Anseio estar contigo… (A Jesus)



Anseio estar Contigo
No silêncio do meu recolhimento.
Cerro meus olhos,
Sinto-Te tão perto
Como se pudesse tocar-Te...

Ergo meus braços
Abro minhas mãos
Sinto a tua energia fluir,
Meu corpo todo treme
Sinto cada ponto da minha pele...

Quero erguer meus braços
Até ao infinito,
Poder agarrar Tuas Mãos
Que manténs estendidas
A todos os que Te procuram...

Queria poder abraçar-Te, és O único que me dá amor,
Sem esperar nada em troca!...

És O único sim.
Porque Tu sabes de mim, sabes tudo o que há em mim,
E amas-me mesmo assim…

Ora diz lá se é lindo ou não é?...ji de mim...

Cadinho RoCo disse...

|As referências do nosso tempo servem em muito para entendermos o que acontece hoje.
Cadinho RoCo

Bia disse...

Infeliz do condutor, que viu assim o fim da sua curta existência...
bom texto.. você escreve bem e prende a atenção de quem lê ...


miminhos.. atrevidos!

Maria Soledade disse...

Amigo Daniel:

Ai, que bom o tempo dos cromos!

Eu era grande coleccionadora,mas,francamente,os de futebol nunca me atraíram muito,isso era mais com o meu irmão,que me "obrigava"a trocar um beijo com um "miúdo" na troca de um cromo!!Mas, a coisa até era gira,porque quem ficava a ganhar era eu, que, levava sempre um dos meus chocolatinhos preferidos (hoje já não existem),só sei que eram da Regina;huuum...que bons!!!

Lembra-se das célebres Vitórias embrulhadas em rebuçadinhos?Era um ai Jesus,para saír o bacalhau,o cabrito e a cobaia...velhos e bons tempos!!!

Lamentável foi a morte do senhor,lamentável e estúpida!!!

Daniel,obrigada por ter visitado o meu "cantinho".Eu sou mais virada para a poesia,ficou-me o "bicho" de pequenina,quando todos diziam que eu tinha "jeitinho" p´ra versejar.

Daniel,vou confessar-lhe uma inveja(saudável)que tenho de si:Ser, ou ter sido jornalista.Foi sempre o meu maior sonho,isso ou pintora.Afinal,nem uma coisa nem outra...também, ninguém me mandou ser BURRA por não acabar nada até ao fim,mas, em compensação orgulho-lhe de irmão e sobrinho terem seguido jornalismo,e, serem bons,pelos menos na minha opinião.

Bom,sou muito chata não sou?!
TERMINEI...para bem de todos:-)

Até sempre Daniel
Beijinhos

poetaeusou . . . disse...

*
maio de 1961 . . .
,
eu não sei se quadra bem,
ocasião soberana,
centro largo de cavem
primeiro golo de santana
,
in-carlos dos jornais,
lembraste ?
,
saudações
,
*

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Daniel:
Já lhe disseram que vc escreve bem , mas muito bem, bem pra burro! Eu o admiro pelo belo post! Também eu, acabo de publicar um belo post feito a várias mãos, ou seja, vários colegas da Blogosfera contribuíram para esta postagem. Venha apreciá-lo.
wwwrenatacordeiro.blogspot.com
Um beijo,
Renata

NAELA disse...

Daniel cada dia os teus textos são um livro ao encontro do passado, de ensinamentos que nos levam a viajar no tempo!
Gosto sempre de vir aqui;)
Beijo doce

Diva disse...

Hehehehe... acontece...
Bjs meus

o¤° SORRISO °¤o disse...

Oi Daniel.

Passando para lhe desejar uma semana com muita paz no coração.

Beijos mil! :-)

Bandys disse...

Daniel,
Imagina ...um escritor de primeira aprender a escrever comigo, rsrsrs
Voce é um amigo maravilhoso.
Tanto suas historias como suas poesias saõ fantasticas...

Eu... eu so brinco mesmo.
beijo querido e um dia cheio de luz!

daniel disse...

Sorrisos

Não perdi tempo!...
Para quê esperar?
Beijos,
Daniel

daniel disse...

Laura

Li e reli o poema, que me deixaste, cuidadosamente.
Observo os humanos, que me rodeiam, pelo que gostei. Apenas confirmei, que és uma mulher de força de muita esperança e fé.
Essas e até o próprio amor, operam milagres.
Sempre lutando e esperando, vamos conduzido a vida, nos trilhos, para olhar cada vez mais alto.
Um Beijo
Daniel

daniel disse...

Cadinho Roco

Não é acaso, haver a disciplina história, Nas escolas!...
Saudações,
Daniel

http:almaspoeticas.zip.net disse...

Seguindo uma trilha vindo do espaço da minha amiga RÔ e tambem conterrânea encontrei seu lindo espaço, Adorei tudo aqui.
Desenhe um sorriso e venha me visitar...
Agradeço desde ja por ter recebido o teu sorriso...
Vou guardá-lo com carinho;
ele para você voltará

Laura disse...

Acertaste daniel, sem tirar nem por!... É a Ele que vou buscar a força quando ela fraqueja pelas constantes dores que a vida me trás!... E é NELE que confio e espero pois sei que não há mal que nunca acabe nem bem que sempre dure, eu sei...
Mas esta poesia depois de rezar, venho direitinha ao pc e escrevo-a ali assim...e depois de ler e reler, cada vez foi ficando mais linda e emotiva!. Dei-a a um jovem sacerdote que se quisesse cantá-la na Igreja estava à vontade, apesar de ter direitos de autor...está no Réstias de sol e tenho mais para Nossa Senhora e Jesus, tenho um ao qual dei o titulo Sou a tua semente, (ja está postado no blog há muito) mas que coisa linda eu senti ao escrever, era como se fosse realidade o que eue stava a pedir... Bem, isto nemt em nada a ver com o teu post...faz de conta, é mais uma conversa de duas almas que se entendem nesta vida..jinho a ti de mim...laura..

Maria Laura disse...

É sempre tão agradável ler estas crónicas de experiências passadas! O tempo dos cromos... que saudades!

daniel disse...

Bia

E o condutor era uma belíssima pessoa!... Foi vitíma!...
Um beijinho,
Daniel

daniel disse...

Maria Soledade

Havia cromos de tudo. Tudo tem o seu tempo, ou como dizia uma professora primáriA: "tudo é de fúrias".
Curiosamente, a única caderneta, que guardo e consegui completar, é uma desses, dei-me ao trabalho de cortar todos os cromos, das folhas. Recolhi tudo com a capa e pedi ao chefe da encadernação para mandar encadernar.
A história passa por nós, somos os actores dela.
Lembro-me que havia muitos rebuçados embrulhados, com um cromo. Havia caderneta e brinde final, que nunca ou raramente saía. Acabei por saber a razão: Um dos cromos, aquele a que chamávamos, o mais difícil, era propositadamente retido, para que o seu aparecimento, não retirasse interesse ao coleccionador.
Recordações, como ainda tenho na retina a vítima do infeliz acontecimento.
Fazer jornalismo é um gosto. Depende muito do espírito de observação, talvez mais do que do grau académico.
Nada disso!... Foi um gosto a conversa.
Diga sempre, que dá prazer!
Beijinhos
Daniel

daniel disse...

Poetaeusou

Em Maio de 1961, não sabia positivamente onde era Lisboa, vim a passar pela Rua do Ouro, ainda nesse ano, em Dezembro. Passei a morar e trabalhar cá, definitivamente, em 1964. Recordo muito bem o Poeta Popular Carlos dos jornais e outros cromos, de que tenho alguns apontamentos, visando possíveis posts.
É que comecei a trabalhar, na Ginjinha Popular, da Rua das Portas de Santo Antão.
Um abraço.
Daniel

JADY*ALVES disse...

Oi Meu anjo! Hoje eu vim te trazer um carinho!
Como eu amo seu blog gostaria que você o aceitasse...

vim aqui trazer um presente, o "PRÊMIO DARDOS"; recebi do amigo querido "BEATIFUL STRANGER"; ficaria feliz se aceitasse; deixei no meu blog para que pegues; e quanto as regras de quem me deu e repassar, estou fazendo informalmente, fica a seu critério ok...?

http://jadyalves.blogspot.com

Deixo um beijo e meu abraço terno!

daniel disse...

Naela

Agradeço as tuas boas palavras!...

Rebribuo beijo doce.
Daniel

daniel disse...

Diva

Sucessos, há os maus, os assim, assim e os bons.
Bjs, Daniel

daniel disse...

Sorrisos

Obrigado, retribuo!...
Corações ao alto e em paz!...
Beijos
Daniel

daniel disse...

Bandys

O facto é que, não copiando ninguém, porque gosto de mim, aprendo sempre nos contactos com os amigos. Falei nessa base, sobre o que achei muito bom.
E brincar, mantém-nos tranquilos.
Luz, a luz e beijo.
Daniel

daniel disse...

Almas poéticas

Cumprimento, agradeço e peço escusa.
Daniel

daniel disse...

Laura

É sempre preciso ter fé, ela guia-nos e nossa própria vontade.
A maneira como se cultiva é que pode ser diferente.
Tu és um bom exemplo. enquan as pessoa perseguem objectivos, mantém mentes sãs, para louvar e amar!...
Beijinhos
Daniel

daniel disse...

Maria Laura

De facto, foram vidas!... A da Bertrand foi única. Há amizades, que perduram, basta que o "Lisboa Café", vai tendo revisão, para o propor a editoras, com prefácio de um desses amigos, catedrático em Madrid.
Possuo caderneta completa desses cromos.
Daniel

daniel disse...

JUDY ALVES

Agradeço, sensibilizado, a carinho, mas não posso aceitar, porque ainda não estudei como colocá-lo aqui.
Espero que compreendas. O resto fica tudo prejudicado.
Considero-te com um beijo e um abraço.
Daniel