domingo, 20 de abril de 2008

ESQUADRÃO 297 EM ANGOLA - 6

REGIÃO DOS DEMBOS

Uma coluna militar composta por Jepps e Unimogs acabados de estrear, adaptados com blindagens de aço, preparados para a missão de guerrilha, enquanto se ia esperando a localização da área a ocupar.
Esta foi na Região dos Dembos.
Terminado o tempo de estágio, chegou a ordem de avanço, com viagem e tomada de posição na Fazenda Lifune-Tari, situada a cerca de duzentos quilómetros a norte de Luanda.
Saídos naquela madrugada de Março, a breve trecho, todo o Batalhão de Cavalaria 350, se tinha embrenhado na viagem. Logo a sua estrutura foi assumindo, pouco a pouco outra postura. O ambiente já se ia tornando o tal de mato, definido como o habitat das tropas em combate, naquele cenário que se apresentava de guerra.
Pouco depois da saída, passou a ser facto estar desbravado o capim e toda a flora em cerca de uma dúzia de metros, dos dois lados da estrada de terra batida e ao longo de toda a extensão, que ia sendo percorrida pela coluna militar, não só para que a visibilidade fosse um facto, mas também para obviar um ataque traiçoeiro dos bandidos da mata, como eram definidos os terroristas, caindo em cima da tropa, vistos apenas quando já seria impossível um contra ataque, sem que tivessem caído uns quantos militares apanhados pela surpresa, um dos grandes trunfos de todas as guerras.
Assim, metido no grande Esquadrão, o Onofre ousava seguir sempre descontraído, como lhe era natural, o que não excluía a grande atenção patenteada em todas as acções da sua incumbência.
Chegados á primeira instalação de tropas, uma fazenda chamada Balacende, logo aí houve conhecimento de ter havido, apenas dias antes, um verdadeiro ataque terrorista cobarde, como sempre. Veio a verificar-se ser o último do género.
Consistiu no seguinte:
- Uma horda de terroristas, armados apenas com catanas e canhângulos, armas rudimentares, com que uma facção indígena havia iniciado aquele tipo de guerra, levou a efeito um assalto à mistura com imprecações como:
- A bala do branco é água... não mata!...
Evidentemente que, da surpresa resultou a queda de vários militares. A partir daí seria de prever, o que aconteceu, dava a ideia que os atacantes tinham sido criminosamente drogados, acabando todos por cair à força do poder de fogo das tropas regulares, ali estacionadas, prontas para a defesa militar de toda a zona.
Ali verdadeiramente, os militares do grande Esquadrão, começaram a sentir os perigos que lhes haviam sido destinados.
A grande aventura sempre prevista pelo Onofre, já se estava a concretizar.
De emoção em emoção, ainda no dia 5 de Março de 1962, apenas percorridas algumas dezenas de quilómetros, os novíssimos carros da coluna começavam a avariar com frequência.
Indiciava-se a pouca experiência dos condutores. De uma maneira geral, só levavam na bagagem o que tinham aprendido na instrução militar de três a quatro meses e transitavam caminhos de terra batida, designados de estradas, impróprios para condução, ainda que os carros utilizados já fossem de fabrico adaptado ao terreno.
A cada interrupção a lógica obrigava a formar-se guarda ao dispositivo militar em deslocação.
Numa dessas ocasiões, com uma verdadeira temperatura africana, já de noite, esgotados os cantis, de novo chegou a sede. Foi altura da tropa conhecer providencialmente uma árvore frondosa, existente ali naquele microclima, deitando pingos de um líquido muito fresquinho, que serviu de atenuante à irresistível vontade de refrescar as gargantas.
Embora mais vezes se viesse a sentir a necessidade daquele milagroso néctar, nunca mais seria detectado.
Ainda na mesma noite, depois de passado o dia com recurso à alimentação de reserva, bolachas de água e sal e umas latinhas de variados produtos, deu-se a chegada a um outro ponto operacional militar, designado por Beira Baixa, foi aí que se pernoitou. No caso do Onofre e seus e seus companheiros mais próximos o Jeep serviu de cama.
Como tudo o que indiciava, a instrução para a nova missão era motivo de atenta observação: Para trabalhar na fazenda logo de manhã cedo, um grupo de Bailundos formou, afim de se proceder à habitual chamada imposta pelos tempos de guerra.
Pela primeira vez era dado ao Esquadrão ver tantos pretos juntos. Depois já perto da "picada" de saída, encontrava-se uma casota, servia de cadeia a terroristas, porventura, apanhados. Ostentava a pomposa inscrição de palácio da justiça. Muito perto uma tábua em jeito de seta, apontada para Lisboa, indicava a distância respectiva em quilómetros.
Com passagem no cruzamento de Nambuangongo, depois pela fazenda Onzo, outra posição militar! Chegou-se cedo a Muxaluando, onde ia ficar o comando do Batalhão.
A alimentação continuou baseada na habitual ração de reserva.
Estávamos no dia de Carnaval de 1962.
Naquele Entrudo, ali se fez a dormida, sobre um cartão, com o bonito firmamento, como cobertura.
Mas a vida aventurosa não deixaria de continuar.
Chegados ao aquartelamento, ainda fora do recinto de arame farpado, que ladeava o perímetro do mesmo, constituindo uma primeira defesa, enquanto os militares esperavam a ordem de se instalarem, logo o Picão combinou uma banca de sueca. Debaixo de um Unimog, num jogo circunstancialmente demorado o Onofre, de parceria com o organizador, chegaram a um resultado deveras positivo, naquela actividade a que continuava a chamar lúdica, embora movimentasse largos Angolares.
Valeram as amizades, já constituídas, terem entretanto tratado da instalação, em ponto agradável nas ruínas do edifício, a que se chamou de caserna, como tinha de ser óbvio, não obstante a sua degradação, em virtude da acção do recente início de guerra.
Depois de demorar de três dias a percorrer os cerca de duzentos quilómetros, no dia sete de Março o grande Esquadrão instalara-se finalmente na Fazenda Tari-Lifune, onde iria ficar sedeada.
Da ementa do almoço daquele dia voltou a constar ração de reserva.
Já havendo as barras das camas, para servir de colchões estavam de serviço folhas de zinco, para almofadas os militares usaram feixes de capim. Não havia ainda qualquer roupa de cama.
A lógica do: - "desenrasca-te que és de cavalaria" - talvez nunca tinha tido tanto sentido de oportunidade!
Daniel Costa – in JORNAL DA AMADORA

sexta-feira, 18 de abril de 2008

ESQUADRÃO 297 EM ANGOLA - 5

ESTÁGIO NO GRAFANIL
Chegados ao porto de Luanda, após o desembarque, depois de cerca de duas horas de espera para desfilar logo ali na deslumbrante Avenida Marginal, perante as mais altas autoridades territoriais e mediante imenso povo a assistir, objectivando, desde logo, a sensação da presença militar nacional na defesa do mais rico e imenso território sob Administração Colonial Portuguesa.
Esperava ver-se apenas naturais de cor negra, porém deparam-se quase só colonos brancos, uns com o fim de se encontrarem com familiares, que tinham viajado, mas a maior parte para trocar Angolares, que não serviam de divisas, porque só localmente tinham curso legal, por Escudos que chegavam na bagagem dos novos militares.
Só esse dinheiro era possível enviar para a Metrópole, por muito que se dissesse, mesmo com todo o aparato a exibir, era outro Portugal.
Depois do aparatoso passeio, de exibição na principal Avenida da cidade, toda a tropa embarcou em camionetas militares, de caixa aberta, rumo ao que já se começava a desenhar como o Centro Militar da Colónia em guerra que, no dia quatro de Março de 1961, tinha estalado relativamente perto, em forma de ensaio.
A permanência ali, pelo menos no princípio, era tida como um estágio de adaptação ao clima africano. Depois na medida do alastramento territorial da guerrilha e do discurso célebre de António de Oliveira Salazar, imortalizado pela frase: "Para Angola em força". O Grafanil, a sete quilómetros de Luanda, passou apenas a ser ponto de passagem, para milhares de militares, ao longo de cerca de catorze anos.
Convém trazer à memória as incidências de factos, na comunidade que constituía o Esquadrão, porque a grande história é feita de pequenos episódios.
O grande Esquadrão que pertencera a princípio ao Batalhão de Cavalaria, sob o comando do Tenente-Coronel António de Spínola, veio a ser separado por motivos estratégicos.
Depois de se ter recebido a nova farda, que se iniciara a distribuir a todos os militares destinados ao Ultramar, no mesmo dia acabada de receber, voltou a ser devolvida para entregar ao Esquadrão substituto, com a agravante de muitas devoluções serem já de roupas adaptadas à morfologia dos primitivos donos.
A primeira construção do Grafanil, à beira da estrada de Luanda ao Dondo, for destinada ao Esquadrão que viera de Faro, ficando o resto do Batalhão nas seguintes. A outra tropa que já ali se encontrava, estava acomodada em tendas de campanha.
Mesmo assim, os novos habitats construídos, como equipamentos, apenas dispunham de camas, colchões e cobertores.
O restante equipamento militar de serviço era ainda muito incipiente. A comida era bem feita, mas servida em fila e para utensílios de campanha. Não havendo ainda qualquer tipo de refeitório, a refeição era degustada pelos militares espalhados a esmo pelo terreno. No mesmo já havia barracões, a servir de cantinas, onde podiam ser adquiridas bebidas refrescantes.
Grandes estruturas, para servir bebidas e frequentes banhos, num novo clima. Também para as necessidades fisiológicas, havia latrinas feitas em sulcos, com tábuas de través, onde as pessoas se equilibravam, visto que rudimentares, eram um facto. Os excrementos, usualmente, todas as manhãs eram tapados com terra por buldozeres, para evitar a propagação de focos infecciosos.
Tudo aquilo era levado à conta de aventura por Onofre, tanto mais que se estava no tempo áureo das Madrinhas de Guerra e do Serviço Postal Militar (vulgo SPM) criado já em 1961. Funcionava muito bem.
Para não ser conhecido o estabelecimento de cada Unidade, quatro dígitos fornecidos na origem, constituam a morada. Assim à chegada, entre a muita correspondência, lá estava a carta da inconfundível Ana Zé, que imprimia um cunho especial á correspondência, com as boas vindas.
Assim se viveu naquele campo, entre alguns serviços e os sempre presentes exercícios de aplicação militar, continuação da prática de movimentação do armamento e tácticas de guerra de guerrilha, tudo o que parecia útil ao serviço do perfeccionismo de combate no terreno.
Embora se tivesse partido em pleno Inverno da Europa, chegados à África estava-se na época de Verão, assim o tempo disponível, era aproveitado em gozo, na ilha do Mossulo, voltas pela cidade de Luanda, visitas aos muceques, a cervejarias, a cinemas e a outros lugares.
Nessa altura, estava estabelecido um serviço de camionetas militares de caixa aberta, para transportes de homens a horas certas, ida e volta, para o Grafanil e cidade.
Ainda incipientes estes serviços, numa estimativa um pouco aleatória, já haveria em Angola cerca de vinte e cinco mil militares, mesmo assim no portão do campo do Grafanil dava-se o estacionamento de muitos motoristas, de ligeiros a oferecer boleia, para a cidade a quem pretendesse.
Muitas visitas também se efectuavam ao nível do novel e curioso estabelecimento de tropa, normalmente eram familiares a viver na Colónia e militares conhecidos, da metrópole.
Foi um tempo deveras interessante de observar, para o ideal de juventude, aquele princípio de 1962. É evidente que dos passeis resultavam: À noite dentro da caserna, episódios, parodiados de maneira verdadeiramente espectacular. Era tudo gente muito nova à espera de entrar numa guerra que ainda ninguém conhecia, pelo que era presente o convite ao alheamento, se bem que já chegassem as más notícias da frente de combate.
Tudo servia de “charge”: Havia um repórter chamado Ferreira da Costa, que ao serviço da Emissora Nacional, diariamente emitia para Lisboa, na sua voz meio roufenha, meio arrastada, dava notícias individuais, naturalmente a quem as solicitava. Eram sempre boas, por regra.
Então surgia, normalmente á noite: "Minha senhorra o seu filho está bem... anda de muletas, ou este outro exemplo: "Minha senhorra o seu filho está bem... está no cemitério de Luanda".
Esta era uma maneira de brincar com a tropa, como por vezes se dizia.
Uma forma, digamos que lúdica continuou, sempre como parceiro um beirão, um amigo peculiarmente interessante, talvez por isso era-o do peito, de nome Arsénio. Não era um bom executante daquele jogo, que exigia um bom coeficiente de inteligência, porém ficava sempre com bons trunfos. Parecia um predestinado ganhador. Como o Onofre já lhe administrara algumas instruções, depois da primeira ronda de cada risco, ficava logo com uma leitura do jogo e exercia o controle adequado, acabando a peleja no mínimo empatada, nunca havia perdas.
Daí veio inesperada "promoção", depois de uma dessas disputas, um elemento adversário que obviamente mais uma vez perdera, o Picão, cujo acompanhamento dos métodos, o fizera considerar, confraternizou e a propósito afirmou peremptório: "Onofre és bom demais para meu opositor.... A partir de agora passarás a ser parceiro".
Assim foi, com excelentes resultados! Sendo já previsíveis, o grande amigo Arsénio foi avisado para a não participação, porque mesmo com bons trunfos, passaria à condição de perdedor.
Chegados a segunda feira, cinco de Março, logo de manha cedo, já munidos para enfrentar finalmente, o estado de guerra a sério, todo o Batalhão comandado pelo Tenente-Coronel Costa Gomes, que se dizia estar ali voluntariamente, para amenizar a dissidência com Salazar, de que fora Subsecretário, em relação ao conflito.
Convém destacar, que este Oficial Superior viria a ser hospitalizado em Luanda, veio a falecer de morte natural em Lisboa, durante a comissão.
O apelido de Costa Gomes, igual ao do que foi Presidente da República, tem a ver com parentesco próximo.
Daniel Costa – in JORNA DA AMADORA

quarta-feira, 16 de abril de 2008

ESQUADRÃO 297 EM ANGOLA - 4

DE FARO A LUANDA
No princípio da noite de 11 de Janeiro de 1962, o cais de embarque ferroviário de Faro estava apinhado de gente. Era a primeira vez que um comboio especial de tropas, com a ainda inédita farda camuflada, saia dali rumo à guerra. Tratava-se de um grade Esquadrão que estivera no quartel de Infantaria daquela cidade, à espera de embarque para o Ultramar, tal como uma bateria de Artilharia, que vinda do Porto ali estacionara também. Era preciso ter em conta, que muitos militares eram algarvios.
Além da proximidade de alguns, aconteceu que muitos ao passarem por ali cerca de três meses de juventude, com fardas nunca antes vistas, a atracção e desenvoltura do elemento feminino local fez com tivessem ficado muitos namoricos que, obviamente, se apresentavam com alguns familiares a engrossar a despedida daquela leva de soldados.
O mesmo comboio servia de transporte directo até à Rocha do Conde Óbidos, em Lisboa, onde o velho paquete "Niassa", uma parte transportador de passageiros, o restante feito para cargueiro, estava fundeado para levar um grande contingente militar rumo a Luanda.
Chegados ao alvorecer do dia doze, via directa, àquele porto. Cumpridas as praxes militares, o paquete deixando a cais, primeiro lentamente, depois conforme deixava terra firme, ia tomando a navegação normal. Até que, deixou de se avistar terra e com duas lágrimas teimosas pelo rosto de Onofre, que depois foi instalar-se nos seus aposentos:
- Um espaço que dava apenas largura para um militar se entender e pouco, para colocar os seus pertences, que se resumiam a dois sacos de lona, onde se armazenava toda a roupa de campanha.
O Tejo estava bravo naquele dia de Janeiro, as escadas que davam acesso aos porões transformados em casernas, onde tinha de passar a tropa, em breve se encheram do que a maior parte dos estômagos não podiam suportar, naquelas condições atmosféricas.
Depois de ter tomado conta da sua posição, Onofre não pôde deixar de sentir uma certa nostalgia, que se misturava com um certo sabor aventureiro, há muito acalentado. Havia de regressar para jamais sentir o pó da terra, jurava mesmo que deixaria de ser um "coitadinho", um trabalhador rural, como muitos sem saberem o que é ter palavra, ali iam sem direito a saber porquê ou para quê.
De relance olhou o passado. Tinha a força suficiente para ter sido já "um dos homens das mãos grandes", como a sua mãe desejara, porque naqueles tempos, um trabalhador rural que se destacasse, em épocas de muito trabalho, chegava a receber cem escudos de diária, enquanto normalmente, nos mesmos tempos de aperto, a tabela nunca passava dos trinta escudos. Geralmente, naquela zona, a diária de sol a sol, evidentemente, não passava de vinte e cinco escudos,
Foi assim, que o grande Onofre, nos três dias de trabalhos remunerado (fora das pequenas courelas familiares), arranjara os trezentos escudos, que juntara a alguns trocados, das suas parcas poupanças para a vida militar, que há pouco iniciara.
Já embarcado, como se iniciaram contactos de resultados promissores, a vida passada a bordo, tornara-se razoável para Onofre, porque duma apresentação resultou, a troco de alguma ajuda na cozinha, ganhar o privilégio de fazer as refeições na copa do próprio Navio, o que evitava o rancho geral e as próprias marmitas militares, um desconforto para quem viajava no mar alto, durante doze dias.
Naqueles tempos de Janeiro de 1962, vividos a bordo, entre distribuição de armas de guerra, alguns exercícios militares, muitos olhares nostálgicos e melancólicos inspirados pelo grande oceano, jogava-se diariamente a sueca. Um jogo de cartas tornado doloroso porque consistia num "cachet" de cinquenta escudos por cada risco perdido, porém o homem tinha a plena convicção de poder sair-se bem dessa perigosidade.
Aquela grande aventura passava-se noutros tempos, em que os próprios foram tornando os homens submissos, para estes destinos, como algo de privilégio.
Uma coisa ainda era lembrada da escola, foi o ensejo de por alturas do Equador, poder observar peixes voadores... muitos peixes a voar!...
A passagem do Equador foi assinalada festivamente, com a contribuição da orquestra residente, como tal, também acompanhava a expedição marítima, com todo o aparato de festa. Porém a representação mais colorida foi exibida por vários militares que viajavam a caminho da guerra.
Tudo corria, apesar de o "Niassa" transportar cerca de dois mil e quinhentos homens, quando fora concebido apenas para uns seiscentos, mais mercadorias. Em resultado, podia falar-se de um barco em que uma parte fora, para o efeito, destinado ao transporte de "condenados", tanto mais que tudo quanto fosse praça tinha além do péssimo alojamento, de se servir da coberta para refeitório, tendo o respectivo estojo militar de campanha como talher.
Por outro lado, atingido o Equador, o calor era demasiado. Para a classe das praças, o tempo de banhos, em grandes compartimentos, era limitadíssimo, dado haver tantos homens, para a pouca água possível de transportar armazenada.
A refrigeração era feita por mangas, a entrar em porões, vindas do alto. Em resultado, apesar dessa criatividade, a frescura que supostamente chegaria, foi sempre nula.
Entre conversas, ver mar, somente mar, durante doze dias, chegou finalmente a tão ansiada véspera de entrada em Luanda. Toda a gente entrou em euforia, tal era o desejo de pisar terra firme!
Enquanto a coberta da Nave se enchia de homens desejosos de voltar a avistar terra, nos porões transformados em casernas, algumas das estreitas tarimbas, que serviam de cama ou enxerga, estavam pela última vez, Até que, começou a soar o alarme de fogo a bordo, pela estreita escadaria que servia o porão, os circunstantes subiam debaixo de inúmeras faúlhas e viam com certo pânico o que se passava.
Ficou perpetuada a coragem da tripulação, que acabou por extinguir o que chegaram a ser fortes labaredas.
Logo por cima do porão que calhara ao Onofre, tinham sido edificados barracões de madeira, para armazenar os coletes de salvação que, distribuídos a todos os soldados, tinham sido já recolhidos, em fim de viagem.
Na vigília da noite, à espera da chegada a terra, presume-se que alguém fumando, deixara inadvertidamente uma ponta de cigarro rebolar por uma das aberturas que havia na base a servir de respiração aos improvisados barracões, causando o que se chegou a prever-se catastrófico.
Chegou a haver pavor, traduzido num facto deveras peculiar: De entre outros, destaco o que me parece mais hilariante, tendo como protagonista um soldado do grande Esquadrão, o 911. Ao munir-se da pistola Walter, que lhe havia sido atribuída, com a qual decidia atirar-se ao mar.
Perguntando alguém para que serviria a arma?
- Peremptório na resposta:
- " Para matar os tubarões"!
- A história durou e foi transversal a toda a campanha do Esquadrão!...
Daniel Costa –in JORNAL DA AMADORA.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

ESQUADRÃO 297 EM ANGOLA - 3

EM NAMBUANGONGO
Até 1961 Portugal era potência administrativa de variados territórios coloniais, um pouco por todo o mundo, fruto das vastas viagens feitas por terras desconhecidas até então, pela gesta lusitana de 1500.
Nesse ano deu-se o início ao desmoronamento do mesmo. Uma escaramuça começada nos subúrbios de Luanda, que logo se estendeu a Norte de Angola, foi a causa próxima.
O cabo Onofre, dito comandante de esquadra, mais os dois soldados do mesmo núcleo, Teodoro e Esquim Pinto, integrando o motorista Gastão, num Jeep propositadamente blindado e com metralhadora Breda montada, que lhes havia sido distribuído, pertenciam a um grande Esquadrão que substituíra no Tari-Lifune, uma das célebres Companhias do Batalhão 96, que havia reconquistado a zona de Nambuangongo.
A missão de Onofre e camaradas, com essa dissuasora arma, era o serviço de escoltas.
Foi assim, que logo nos primeiros meses de 1962, Onofre estava na vila de Nambuangongo, para onde tinha viajado em apoio ao pelotão a que pertencia. Havia sido formada uma coluna de abastecimento.
Era naquele local que se centrava o Comando do Sector Militar, que actuava na zona.
Nambuangongo era uma das regiões por onde, já em 1961, havia sido lançada, a rebelião que haveria de se estender a todo o mundo ultramarino até 25 de Abril de 1974, data em que se deu a célebre Revolução, tornando possível a democratização do País.
A povoação era composta por uma igreja. A ladeá-la um cemitério todo cimentado, onde ficaram a repousar os militares mortos em combate, na zona.
Muita tropa passou por ali, desde praças, a oficiais superiores, em missões de comando. Formavam uma comunidade a tornar aliciante a visita de gente na flor da vida, como o observador Onofre.
Para começar, o abastecimento demorava quase todo o dia, preenchido pela classe das praças, na procura de conterrâneos, o que proporcionava inesperados encontros.
Nas cantinas militares, eram lembrados episódios pitorescos tudo natural duma fogosa mocidade. Ali era sede do teatro terrorista, em virtude de tal circunstância, verificara-se um êxodo total de residentes, incluindo já se vê o elemento feminino, a ponto de a a zona se um exclusivo de homens fardados, servindo o exército,
Na verdade, muitas incidências valiam exacerbadas recordações, Normalmente metiam namoradas ou aventuras vividas.
As cantinas, obviamente, eram os únicos pontos de encontro dos circunstantes, em serviço, que mais tinham a fazer senão a escolta de volta. Então era à roda das "Cucas" que se processava todo o tipo de conversas, até que vinham à baila as localizadas naquele espaço e no próprio tempo que ali se vivia.
Onde há muita gente, existe sempre infinita matéria factual a abordar.
Os circunstantes sempre iguais, na aparência, porque fardados, regra geral, pertenciam a classes mais baixas. Vários oficiais superiores , até por mais velhos, serviam os muitos motivos de interesse anedótico, aos olhos da juventude.
Havia um Tenente-Coronel que já se celebrizara pela denominação de "Totobola". Em operações militares, comandava os seus efectivos, viajando em avião, proferindo incentivos como o de ter sido grande desportista do volante e entre outros, o de ter conquistado grande número de mulheres. Outro comandante dum Batalhão estacionado ali, num monte imediatamente a norte, todas as manhãs vinha à localidade fazendo uso da pistola, num tipo de preparação física, pelo que era alvo das maiores chacotas.
Depois das obrigações militares tornava-se obrigatório, falar sem qualquer cerimónia de certos oficiais, mesmo superiores.
Não deixava de ser curial, pois já o próprio Montegomery, figura muito conhecida da Segunda Grande Guerra, como a raposa do deserto, tinha pouco apreço por elevadas patentes, embora pertencendo a essa alta classe militar.
Naquela primeira cavaqueira, entre muitos assuntos, surgiu aquela de os terroristas terem atacado a cozinha. Da escaramuça não resultaram mortos ou feridos, pelo que a boa disposição não arrefeceu. Só os grandes tachos haviam sido furados pelas cargas dos canhângulos (espingardas artesanais) dos inimigos.
De volta, nos cerca de trinta quilómetros, que era necessário percorrer, metidos naquela fortaleza, em estradas de terra batida, muitas peripécias havia a comentar, como a do Esquim Pinto que, tendo possuído uma oficina de bicicletas, encontrava amigos, como ninguém:
- Dizia ele: Em Nanbuangongo há grandes camaradas!
- O Teodoro retorquiu: Pudera!... Passámos todo o tempo no meio de cervejas "Cuca" e havia sempre alguém a pagar, para nós!
Outra do Esquim Pinto, inveterado fumador:
- Agora só fumo C.T. (era considerado o melhor tabaco), mas só se for dado!
Viagens em escolta eram quase diárias. Tudo era levado em jeito de divertimento e passatempo lúdico, não excluindo os perigos que podiam vir das matas.
No acampamento do Tari, o Onofre reflectia muito, uma forma de ser e estar, embora em contraste com a situação de guerrilha, dava para se sentir bem, apesar de tudo a sua existência, era melhor do que a passada, assim como a futura jamais seria tão sofrida.
O optimismo iria manter-se em alta, durante os vinte e sete meses seguintes, que culminaram com o fim da comissão.
Daniel Costa – in Jornal da Amadora

sábado, 12 de abril de 2008

ESQUADRÃO 297 EM ANGOLA - 2

PRÓLOGO
A quatro de Fevereiro de 1961, grupos de guerrilheiros protagonizaram ataques à Casa de Reclusão, ao quartel da P.S.P. e à Emissora Oficial de Angola. Actos que passaram a ser considerados o início da guerra de Angola.
Os canais de informação, de que dispunha o Estado indiciavam que ia começar uma luta sem quartel, pela libertação de todo o Ultramar, administrado pelo governo português.
Foi já nesta conjuntura, que em 1959 teve lugar a minha inspecção militar. Confesso que me agradou o apuramento para "todo o serviço", à época a passagem pela vida militar por quem vivia como trabalhador rural, era considerada assim como uma "Universidade", visto que traria um certo desenvolvimento para o intelecto.
Um ano atrás e não seria apurado, dado que na operação de peso e medidas, a altura só registou um metro e cinquenta e nove, porém ouvi o médico que me examinava comentar: Dará um bom militar, tem uma largura de peito apreciável! Em casa, onde se daria mais pela falta daqueles dois braços para o trabalho, o pai ficou satisfeito, para ele a tropa servia como uma escola.
Aceitando trabalhar na ceifa, de sol a sol, durante três dias de quarta a sexta, com a diária de cem escudos a competir com as grandes feras da jorna, quando em tempos de aperto, como era o caso, o máximo que se podia alcançar cifrava-se em trinta, tinha como ideia subjacente juntar o dinheiro para futuros gastos, já que mensalmente o pré era apenas de cerca de oito.
Naquele tempo as repartições atendiam ao sábado, havendo já mancebos a emigrar clandestinamente, para fugir à miséria e da tropa.
Nessa sexta, ainda não estava cumprido o levantamento das respectiva guias e uma patrulha, em bicicleta foi verificar o que se passava.
Dirigiram-se logo à autoridade máxima da terra, o cabo chefe, que era por acaso vizinho e familiar, na sua loja serviu uma bebida a cada, perguntado o que poderia haver de menos bom.
Soube logo do caso, soltando uma risada! Mas esse rapaz anda no trabalho, naturalmente para arranjar algum, para encarar a nova situação, fiquem descansados que amanhã de certeza irá levantar as guias!
Mais nenhuma acção foi levada a efeito. Mesmo assim o amigo que representava o governo na terra, apareceu pela hora da ceia a contar o sucedido e ficou com a certeza que tudo se passaria como garantira aos elementos da patrulha.
Por mim achei que iria ter a oportunidade de deixar a agressividade do meio, como sempre desejei e iria muito mais além, pelo menos se o destino fosse a Lisboa dos meus sonhos.
Não acontecia assim, a ideia de mudar a existência para uma nova dignidade nunca me saiu do pensamento. Certo é que nunca mais viria a trabalhar no campo.
Em Junho de 1961 assentei praça na cidade de Elvas, até aí ninguém nascido naquela aldeia do Oeste, tinha iniciado a tropa numa terra tão distante, normalmente ia-se para Caldas da Rainha ou Lisboa.
Cheguei à estação de Santa Eulália, de comboio na madrugada de dezoito. Camionetas de caixa aberta enviadas do quartel do destino esperavam os muitos jovens que aportavam, uma vez que chegavam ali cerca de mil e seiscentos homens e o estabelecimento militar, aquele novo mundo, distava cerca de cinco quilómetros.
Desembarcado de madrugada, integrei-me imediatamente num grupo. Como era muito cedo, demos um giro ao típico mercado da cidade, onde logo tratámos de tomar o pequeno-almoço, constituído por sardinhas assadas na brasa. Pareceram as melhores até então degustei.
Ainda escuro, fomos deambulando, por aquele verdadeiro miradouro, donde se avistava Badajoz. Tudo o que observava era um deslumbramento, pela primeira vez estava a conhecer uma cidade.
Até que, pelas nove horas, sempre em grupo, lá rumei ao quartel de Infantaria, para cumprir as formalidades de entrar na vida militar.
Uma rápida sucessão de acontecimentos faziam suspender a respiração, pois de um momento para o outro, todo o modo de estar se tinha invertido. Começou com a distribuição do fardamento, o cabelo que pensava estar suficientemente curto, depois de inspeccionado foi alvo de novo corte para ficar quase rapado, a seguir o banho, que tinha de passar por todos, para de imediato começar a preparação militar.
Veio o meio-dia e o almoço. Como havia duas companhias de recrutas, uma enchia o grande refeitório, que abandonava imediatamente após a refeição, dando lugar à outra, em segunda leva de comensais. Era altura de alguns dizerem que mais valia andarem a cavar chão seco do que suportar aquele inferno, isto originou o meu comentário:
- Pois é!... Se ao menos tivessem experimentado o trabalho do campo não pensavam do mesmo modo!...
Passados três dias, tinham-se acabado os fundos e era vê-los esganados a comerem, talvez melhor de que ninguém, no refeitório, abominado dias antes.
Durante as sete semanas de recruta em Elvas, algumas vezes ouvi superiores comentar, que todo aquele aglomerado de homens já estava destinado ao Ultramar. Não queria crer no que ouvia e questionava para os meus botões:
- Então, quem fica a tomar conta das posições por cá?
Febril com anginas, evitei a consulta médica, pensei ir a doentes já noutra cidade, visto que não queria perder o novo lance da mudança.
Resultado - Nesse mesmo dia, talvez por se registar um calor tórrido, desmaiei, só vindo a acordar no hospital militar de Elvas.
Ao fim de rápida convalescença, passados poucos dias, depois de ter ficado ainda uma noite no quartel original, apanhei uma carreira regular para a cidade de Estremoz.
Pertenci a um pelotão comandado pelo Alferes Fidalgo, foi dizendo que depressa seríamos mobilizados e viriam, entretanto novos comandantes, para formar um Batalhão a partir já estruturado, ele não iria pelo que não imprimiria rigor à instrução, se fosse queria um núcleo bem preparado fisicamente.
Poucos dias depois chegaram de facto os homens que constituíram o grupo, que passou a ser comandado pelo Tenente-Coronel António de Spínola.
O Esquadrão 297, nos primeiros dias de Outubro de 1961, recebeu o novo fardamento camuflado, cuja devolução foi feita na mesma tarde.
Por ter o comandante mais novo, aquela fracção de unidade, acabou por deixar o Batalhão, tendo ido com a sua tropa, para o quartel de Faro aguardar embarque, em substituição de uma outra, cujo comandante reivindicou a troca, uma vez que estava há muito à espera de embarque.
O comandante do novo Batalhão foi depois o Tenente-Coronel Costa Gomes.
Curiosamente, neste já fora integrado o citado Alferes Fidalgo, que no Grafanil, a fim de se livrar da tropa e de intervir no mato, furou um pé descarregando um tiro com a arma que lhe estava distribuída.
Daniel Costa

quinta-feira, 10 de abril de 2008

ESQUADRÃO 297 EM ANGOLA - 1

DUAS PALAVRAS
ESQUADRÃO 297 EM ANGOLA - (aqui desde 07/11/2007)
O Jornal da Amadora publicou de 1 de Janeiro do ano de 2006 a 15 de Fevereiro de 2007 as crónicas de Daniel Costa enquanto militar mobilizado em comissão de serviço no norte de Angola a fim de combater na guerra colonial.
Tudo começou nos primeiros meses de 1962 e vai desenrolar-se até Abril de 1964.
O relato assume-se sempre de forma objectivada e pormenorizada.
A escrita diarística encontra aqui um representante válido porquanto os acontecimentos militares não podem excluir as relações de casualidade.
Trabalhos desta índole representam na micro estória a busca de significantes e interrogam-nos.
A figura do soldado Onofre (Daniel Costa), nestas crónicas revela uma continuidade complementar na postura que se propõe a si próprio ao longo do relato, na procura, conseguida, de informar e informar-se.
Prepassam nestas páginas breves alusões, embora, a personagens conquanto alheias à guerra colonial relevam de contemporaneidade ( De Gaulle e Montegomery).
Todo o descritivo situa-se na ambiência geográfica africana - a negritude - na sua carga milenar; esta assimila-se à presença portuguesa gerando a miceginação.
O acervo de dados a partir do Esquadrão 297 é impressionante: o real quotidiano, as obrigações da guerrilha. o outro. A Breda e a Mauser, o alojamento, os acampamentos, as refeições, o convívio entre militares, o lazer, as "madrinhas" de guerra.
Os desfiles. A sexualidade na ambivalência das recordações femininas e as "derivações" na mulher africana.
Por fim a aurora da libertação.
Onofre (Daniel Costa) coloca-nos perante as memórias das vivências insuspeitadas destes actores.
Deles e dor do outro, visto que a memória é recíproca.
Necessáriamente.
A. M.
Lisboa, Agosto de 2007

quinta-feira, 3 de abril de 2008

TEJO NORTE - VI

CORRUPÇÃO EM COMISSÕES

Afinal a Paula nessa manhã decidiu nem sair de casa, ia trabalhando e cismando muito no Gil. A certa altura soltou um ai… teria hipóteses?
Pelo menos, podia contar com amigo e isso faria tudo para conservar. Dava-se conta que aquela amizade iria frutificar, nela beberia importantes dados para o seu trabalho.
A Daniela nem sabia a sorte que lhe calhara, ser a dona privilegiada do coração do Gil, partilhar com ele um mundo de cumplicidades, em que não iria interferir, contentava-se, ser a número dois.
Absorta em pensamentos dourados, ia remexendo os seus papeis, tirando apontamentos, até que consultando o relógio chegara a tão desejada hora de almoço.
Dirigiu-se para o ansiado encontro, as pernas parece que tremiam, tal a emoção, algo de que não se lembrava ter acontecido.
Já era esperada, o Gil era mesmo cavalheiro, cumpria horários, talvez fosse hábito de educação, mas a Paula diria que também ele apreciava a beleza a conversação e a desenvoltura dela.
Entretanto servidos, foram degustando e sempre em animadas, mas conversas banais. Até que a Paula foi-as torcendo, primeiro para as diversas formas de amar, parece que estava a ser entendida e era isso que pretendia e mais não forçava, aquele flirt era diferente, tudo queria, porém nada havia de forçar.
Por agora preocupavam-na outros assuntos de interesse profissional, como os seus casos a investigar e tinha já como certas as dicas do parceiro, o resto viria a seu tempo, procurava não mostrar sofreguidão. Quem muito e depressa quer tudo perde!
Sem mais rodeios, abordou o caso da editora de que o Dr, Vilaça era administrador. Porém ambas as empresas faziam parte do ficheiro de clientes do Gil e este havia anos que acompanhava as movimentações do Elias, que se facto, de paquete chegara a homem de confiança da casa. Por ele passavam todas as encomendas de impressão e edição de livros.
Sabia, mas não trairia, nem mesmo estando em jogo o trabalho da Paula, tinha de confessar depressa se habituara a ser fiel amigo e admirador, e depois?
Disse comissões!... Se isso é corrupção que se investigue o Elias!...
Como viu que de momento mais, nada seria adiantado e percebera, ficou pensativa e calada!
Mais à tardinha, quando reunisse com o administrador e o ouvisse, saberia por onde começar.
Comissões? Aí está uma maneira docemente corrupta de fazer fortuna!...
Hum!...
Devia ser o caso!...
E a Zeca e o Helmer?
Aí o Elias, observava há muito que este era assim: Dinheiro na mão era como sebo em boca de cão, derretia-se depressa.
Como partia de observações pessoais aturadas, podia ir mais longe, mas devagar, a Paula ia ter muito para remexer, mas devia ir caso a caso.
Esta, cada vez mais abismada com o que ouvia pensou, mas que grande amigo que encontrei!
Este Elias, parece um investigador de alto coturno! Errou a profissão!...
Estava cada vez mais fascinada, quando este disse:
- Olha que a Zeca faz jogo duplo!
- Sim? A admiração subira ao rubro!
- A boa conversadora, a óptima companhia, a cerebral Zeca?
Devagar! Cada assunto a seu tempo!
Por agora sugiro o caso, do pedido de rescisão do contrato de trabalho de uma empresa gráfica, trazendo consigo um grande um grande cliente!
Ficou pensativa e mentalmente a imaginar o quanto beneficiava daquela amizade.
Inspirou fundo e intimamente, disse:
Céus!...
Antes de se despedir, de trocarem números de telemóveis e de Mails, combinou encontro para o café da tarde do dia seguinte.
Foi a vez do Elias pensar:
- Esta deve ser uma boa companhia, para umas passagens e conversas intimas em casa. De facto, estava ali uma boa estrela, numa interessante e agradável figura de mulher!
Por outro lado a Paula, cismava na maneira de o convidar o tomar um copo em sua casa!
Definitivamente, Apaixonara-se!
Seguiu de vez, passaria ao escritório, trocaria impressões com o empregado, veria se havia algo de novo e e depois encontro na editora!

Daniel Costa