quarta-feira, 12 de novembro de 2008

COISAS DA VIDA

ACÁCIO BARRADAS

Trago aqui uma das minhas figuras inesquecíveis, que reparo, ao longo da caminhada foram muitas, se bem que para as considerar assim, apresentaram um grande humanismo, a par de outros valores que mostraram.
Neste caso esteve o jornalista Acácio Barradas, falecido no próximo passado dia 26/l0/2008.
Por uma vida, demasiado absorvente, da minha parte, confesso não lhe ter prestado a atenção que me merecia.
Vi-o pela última vez, a falar para a RTP, num dos programas da série, sobre a Guerra do Ultramar, em que falou sobre Angola, onde de facto tinha trabalhado, como jornalista.
Por 1973, trabalhava no extinto jornal “Diário Popular” e ao mesmo tempo dirigia a revista “Rádio & Televisão”, propriedade da mesma empresa do jornal.
A capa era feita a cores, o que motivava, não ser executada nas oficinas do jornal. Era-o então na empresa, onde trabalhava. Todas Sextas-Feiras, cabia-me apresentar ao Director, para recolher fotografias e outros elementos.
A visita dava-se à tardinha, na mesma hora, em que devia acabar a reunião de agenda, para a feitura do número da semana seguinte. Acontecia por vezes, a mesma ainda não ter começado, era normal dizer que voltaria depois.
Assim procedia, até que um dia Acácio Barradas, olhou-me de frente, mirando os presentes, onde se encontravam nomes, hoje sonantes, das letras e disse: “o Daniel é da casa, deve sentar-se e assistir ás reuniões”.
As fotografias a cores raramente estavam prontas, quando acabavam as reuniões. Enquanto as esperava, fui conhecendo, internamente, todos os mecanismos do jornal, desde oficinas, sala de trabalho dos jornalistas, câmaras escuras (onde se revelam fotografias) a impressionante sala dos telex, com estes ininterruptamente a matraqueando a sós, recebendo notícias de todo o mundo e por fim a própria expedição do jornal,
Foco um episódio a que assisti: tinha-se sido eleição da miss Portugal, muita matéria específica, para a revista.
Ao telefone com Vera Lagoa, que coordenava, sobre algo que envolvia noticiário, havia complicação por problema com Ramiro Valadão, o então, director poderoso da RTP:
- Acácio Barradas:
Quero que o Ramiro Valadão se “F”…
Repare-se: era antes da Revolução, no fim olhei-o, este percebeu:
- Que queres? Para conseguir o que se pretende, no próprio interesse deles, por vezes é necessário ser bruto. Verás que assim consigo! Vê tu que a Vera ainda me disse:
- Ai Acácio!...
Em Janeiro de 1974, dada a escassez de papel, devido ao boicote internacional, que estava a ser feito, ao Governo de Marcelo Caetano, tinha havido necessidade de reduzir páginas do jornal.
Várias rubricas foram omitidas, necessariamente. Uma delas era a secção “Filatelia” de Sábado, conduzida por Costa Júnior. Porém, o Acácio Barradas sabia de andar a trabalhar nela. Sem qualquer intenção dei-lhe conta da saída, no mesmo momento agarrou no telefone, do qual falou com o Costa Júnior, disse:
- “Meu caro, saiu a revista “Franquia”, esta semana tens de fazer a tua secção “Filatelia” e editar texto a propósito”.
Não é que saiu?...
Acácio Barradas, que faleceu com 72 anos, depois de passar pelo “Dário de Notícias”, ainda colaborava no “JL – JORNAL DE LETRAS, ARTES E IDEIAS”.
Um artigo seu, do número de 17 a 23 de Setembro noticiava a morte de um amigo comum, João Leitão, que falecera repentinamente, estando em gozo de féria no Algarve.
Coisas da vida!...


Daniel Costa

18 comentários:

Val Du disse...

Como é bom ter histórias para contar.

Narrando essa passagem de sua vida, você compartilha um pouco de sua história, faz uma homenagem ao jornalista Acácio Barradas e leva conhecimento para muitas pessoas.
Eu, sou uma delas.

Muito obrigada.
Beijos.

EternaApaixonada disse...

*****

Querido Daniel,

Sempre tão bom ler seu blog, que já virou parte do meu dia!
Memórias recentes misturam-se a sua vida, nos enchendo os olhos e coração, de passagens que têm vida
especial!
Beijos com todo carinho sa amiga
Helô

*****

NAELA disse...

Daniel uma bela homenagem ao Acácio Barradas, este texto narra de forma extraordinaria a vida de um jornalista que fez uma diferenca na vida de quem cruzou com ele!
Um beijo terno

Bandys disse...

Daniel,

bela homenagem.
"Ouvir" suas historias ou suas poesias engrande-me como pessoa.
Um beijo

poetaeusou . . . disse...

*
tão bom recordas,
velhas amizades . . .
,
abraço
,
*

Laura disse...

Ainda me lembro de ler sobre o Acácio barradas... e nem me lembrava que já faleceu, as coisas passam e nemd amos por elas..beijinhos da laura..

Lisa disse...

Oiiiiiiiii Dannnnn...

Texto maravilhoso...

Vim agradecer o teu carinho e desejar uma linda noite e maravilhoso restim de semana pra ti...

Deixando gandi abraço pra ti...

Jinhussssss...

www.serrademinas.blogspot.com disse...

Muitas vezes não damos a atenção merecida às pessoas que realmente merecem, e, quando damos contas a perdemos para sempre. Parabéns pelo artigo.

Abraço,

o que me vier à real gana disse...

Boa noite!

Mais um excelente texto, todo ele comunicação, neste blog.

Laura disse...

Não sabia que ele faleceu há tão pouco tempo e logo outro amigo e mais outro..que raio de fim todos temos... beijinhos.

ANA DINIZ disse...

É. O irmão cumpriu a missão e já deixa saudade.

...


Vc, Daniel, sempre me cativou com a sua expressão, com sua forma atenciosa e carinhosa de o ser. Venho aqui com todo o prazer do meu coração para dizer q tenho vc como um grande amigo da alma.

Beijos.

Ana

Círculo Literário disse...

Interessante Blog!!!Parabéns!!!
O círculo literário o convida para visitar o nosso cantinho!!E juntos propagarmos a Literatura!!
Até!!

ANA DINIZ disse...

Daniel.

Ao ler acima alguns comentários, senti a necessidade de um apêndice: ninguém perde para sempre alguém querido. Os laços do espírito, depois de estabelecidos, pela profunda afinidade, é claro, são os únicos que não se rompem nem com a morte.

Beijinhos.

Ana

SÓ EU disse...

Daniel,
vc não vem hj?
Beijos,
Lucienne

Poemar disse...

As figuras notáveis que cruzam os nossos caminhos, deixando ótimas histórias pra contar.

* Beijos!

Olhos de mel disse...

Lindo amigo! A trajetória de sua vida, suas passagens, vem contando de forma magnífica! Gosto do realismo e simplicidade que conta os fatos. Apesar de não ter conhecido o Acácio, a homenagem foi belissima!
Beijos

Mariana disse...

O teu: oh oh oh, me lembrou o papai-noel,,,rsss,,,,

Um beijo e obrigada pelo carinho

vania marques disse...

amigo Daniel, queria te dizer que é muito bom ter vc como amigo,mesmo que seja um amigo virtual.vc tem uma grandiosidade maravilhosa.sua alegria de viver me contagiou, adimiro muito esse seu amor pela vida. cada vez que converso com vc tenho mais certeza do que quero p mim ,to aprendendo mt com vc,tenho o sonho de me tornar jornalista +tinha guardado esse sonho na gaveta porque pensava que ja era muito tarde para mim que ja estou com 37 anos e ainda estou terminando o ensino médio.conhecer vc foi um presente de Deus,atravez de suas histórias suas aventuras voltei a sonhar...um beijo meu amigo
fica com Deus...
muito obrigada por você existir.
ass:vania marques de almeida