NOSTALGIA
Doce recordar, Será magia?
Será a doce nostalgia?
Será a doce lembrança?
Do amor de algum dia
Do amor que não esqueceu
Um amor que não morreu
Gravado sempre ficou
Jamais deixar de recordar
Essa ternura de amar
Recordar esse farol
Como marinheiro do alto mar
Deuses!... Como consola amar
Ternura que se estendeu
Esse alto mar não perdeu
A ternura, a nostalgia, a esperança
Sempre o acto de muito amar
Pensamento a navegar
A nostalgia nunca vai minar
A grande ternura de amar
Esperança e nostalgia,
Podem encerrar magia
O tranquilo acto de amar
De alguém que está a regressar
De novo o alto mar
Por perto seria mais fácil amar
E, de novo a doce nostalgia
De ter amado alguém um dia
Daniel Costa
domingo, 13 de julho de 2008
sexta-feira, 11 de julho de 2008
LISBOA CAFÉ - 3
AVENIDA DA LIBERDADE
Nos ano de l994 e parte do 1965, Lisboa de João Moisés, não passava muito do Bairro da Graça onde vivia, da Avenida da Liberdade, que subia diariamente, por ser o local de trabalho e da zona da Praça do Chile, onde em dois locais distintas, fazia os seus estudos.
Ao fim e ao cabo, parecia não ser existência muito auspiciosa, embora tudo corresse sobre rodas, porque ainda no primeiro ano e perto do local de trabalho, o Teatro D. Maria II sofreu um grande incêndio. Estava com representações de peças teatrais, da programação da grande actriz Amélia Rey Colaço, que passou a trabalhar no então Teatro Avenida. A reconstrução veio a durar até 1978, altura em que reabriu as suas portas.
Não obstante, a vida continuava, o espaço comercial da Rua da Portas de Santo Antão era frequentado, durante o período da tarde, por todo o tipo de pessoas, entre outros um vendedor ambulante de gravatas, cuja montra consistia numa tábua dependurada ao pescoço com as ditas à vista, um senhor forte, de certa idade a quem muitos encomendavam um tipo de bisnaga de creme de barbear, um indivíduo que fora jogador de futebol do Barreirense, durante anos a militar na primeira divisão, um cromo oriundo de famílias abastadas, que o exército expulsara com o posto de capitão, uma verdadeira chaminé fumante, que chegara ao limiar da pelintrice. Para fazer durar alguns trocos oferecidos por amigos, em tempos de mais penúria usava cigarros Kentuky, a que com um certo toque de ironia, apelidava de Phillip Morris. Tabaco de importação e vedado a pobres, pelo preço proibitivo. Aquele custava apenas oitenta centavos por embalagem.
Davam ainda muito nas vistas, um empregado numa firma de distribuição de filmes, de passagem e permanência “obrigatória” à saída do trabalho, um arrumador de sala do cinema Éden, que passava a tomar ginja, antes de entrar no trabalho e era sempre atendido pelo encarregado, a quem deixava taxativamente cinquenta centavos de gorjeta, o que naquele tempo se poderia considerar elevada, para uma despesa de um escudo.
Também muitos empregados de estabelecimentos vizinhos faziam parte da frequência.
Durante um certo tempo, apareceu à noite um casalinho a consumir o licor Natal, a bebida da casa, de fabrico próprio. Davam bom ambiente, pois até metiam conversa o que sempre agradava, tratando-se de uma hora em que a clientela se ia desvanecendo.
Um dia porém, de certeza tinham gasto as últimas economias e fizeram a rábula do esquecimento da carteira. Estava presente, a fazer o lugar de chefia, o filho do dono da casa que, marcava sempre presença, para o fecho da mesma e de boa vontade assentiu que a conta fosse paga no dia seguinte.
Para aqueles clientes, não chegou a haver o dia depois, nem mais nenhum, deixaram de ser vistos definitivamente.
Os turistas eram em pouca quantidade, mas iam adquirindo ali os agradáveis licores, que a casa fabricava, em local próprio: Por vezes pediam para serem entregues no Hotel da sua estadia, normalmente um dos próximos.
Um dia coube a João Moisés fazer uma dessas entregas. A hospedagem era no grande Hotel Avenida, quase imediato, na grande artéria do lado oposto, no início da Praça dos Restauradores, Aí ficou a saber mais sobre o mesmo, tinha constituído um verdadeiro ninho de espiões da Segunda Guerra Mundial.
A sua abertura já datava de 1898, a privilegiada localização e ocupação prestava-se à recolha de todo o tipo de informações que, durante alguns anos interessavam os contendores dos dois blocos, que mantiveram a Europa a ferro e fogo, num conflito armado, sem paralelo ou antecedentes de tão grande belicismo.
Quem, como era o caso, estivesse atento á diferenciação que a grande sociedade humana produzia, a partir daí podia idealizar estudos dedutivos.
Aquela visita era o máximo!...
Realmente João Moisés, começava a ver mais do que, justificada a sua grande vontade de viver numa cidade de grandeza europeia, como Lisboa e lembrava-se muito do dito que antes ouvira:
- “Terras pequenas não fazem homens grandes”!...
Daniel Costa – in JORNAL DA AMADORA
Nos ano de l994 e parte do 1965, Lisboa de João Moisés, não passava muito do Bairro da Graça onde vivia, da Avenida da Liberdade, que subia diariamente, por ser o local de trabalho e da zona da Praça do Chile, onde em dois locais distintas, fazia os seus estudos.
Ao fim e ao cabo, parecia não ser existência muito auspiciosa, embora tudo corresse sobre rodas, porque ainda no primeiro ano e perto do local de trabalho, o Teatro D. Maria II sofreu um grande incêndio. Estava com representações de peças teatrais, da programação da grande actriz Amélia Rey Colaço, que passou a trabalhar no então Teatro Avenida. A reconstrução veio a durar até 1978, altura em que reabriu as suas portas.
Não obstante, a vida continuava, o espaço comercial da Rua da Portas de Santo Antão era frequentado, durante o período da tarde, por todo o tipo de pessoas, entre outros um vendedor ambulante de gravatas, cuja montra consistia numa tábua dependurada ao pescoço com as ditas à vista, um senhor forte, de certa idade a quem muitos encomendavam um tipo de bisnaga de creme de barbear, um indivíduo que fora jogador de futebol do Barreirense, durante anos a militar na primeira divisão, um cromo oriundo de famílias abastadas, que o exército expulsara com o posto de capitão, uma verdadeira chaminé fumante, que chegara ao limiar da pelintrice. Para fazer durar alguns trocos oferecidos por amigos, em tempos de mais penúria usava cigarros Kentuky, a que com um certo toque de ironia, apelidava de Phillip Morris. Tabaco de importação e vedado a pobres, pelo preço proibitivo. Aquele custava apenas oitenta centavos por embalagem.
Davam ainda muito nas vistas, um empregado numa firma de distribuição de filmes, de passagem e permanência “obrigatória” à saída do trabalho, um arrumador de sala do cinema Éden, que passava a tomar ginja, antes de entrar no trabalho e era sempre atendido pelo encarregado, a quem deixava taxativamente cinquenta centavos de gorjeta, o que naquele tempo se poderia considerar elevada, para uma despesa de um escudo.
Também muitos empregados de estabelecimentos vizinhos faziam parte da frequência.
Durante um certo tempo, apareceu à noite um casalinho a consumir o licor Natal, a bebida da casa, de fabrico próprio. Davam bom ambiente, pois até metiam conversa o que sempre agradava, tratando-se de uma hora em que a clientela se ia desvanecendo.
Um dia porém, de certeza tinham gasto as últimas economias e fizeram a rábula do esquecimento da carteira. Estava presente, a fazer o lugar de chefia, o filho do dono da casa que, marcava sempre presença, para o fecho da mesma e de boa vontade assentiu que a conta fosse paga no dia seguinte.
Para aqueles clientes, não chegou a haver o dia depois, nem mais nenhum, deixaram de ser vistos definitivamente.
Os turistas eram em pouca quantidade, mas iam adquirindo ali os agradáveis licores, que a casa fabricava, em local próprio: Por vezes pediam para serem entregues no Hotel da sua estadia, normalmente um dos próximos.
Um dia coube a João Moisés fazer uma dessas entregas. A hospedagem era no grande Hotel Avenida, quase imediato, na grande artéria do lado oposto, no início da Praça dos Restauradores, Aí ficou a saber mais sobre o mesmo, tinha constituído um verdadeiro ninho de espiões da Segunda Guerra Mundial.
A sua abertura já datava de 1898, a privilegiada localização e ocupação prestava-se à recolha de todo o tipo de informações que, durante alguns anos interessavam os contendores dos dois blocos, que mantiveram a Europa a ferro e fogo, num conflito armado, sem paralelo ou antecedentes de tão grande belicismo.
Quem, como era o caso, estivesse atento á diferenciação que a grande sociedade humana produzia, a partir daí podia idealizar estudos dedutivos.
Aquela visita era o máximo!...
Realmente João Moisés, começava a ver mais do que, justificada a sua grande vontade de viver numa cidade de grandeza europeia, como Lisboa e lembrava-se muito do dito que antes ouvira:
- “Terras pequenas não fazem homens grandes”!...
Daniel Costa – in JORNAL DA AMADORA
quarta-feira, 9 de julho de 2008
PARA LÁ DO MARÃO... III
JERUSALÉM DE ROMEU
Romeu é sede de freguesia, do concelho de Mirandela. Dela apenas 30l residentes fazem parte.
Porém ir a Mirandela e não tomar conhecimento visual da sua antiguidade, de ir tomar um refeição no seu antigo restaurante “Maria Rita” de seguida visitar o Museu de Antiguidades contíguo, observar a paisagem circundante. Atrevo-me a dizer: “É como ira Roma e não ver o Papa”.
De facto, almocei no “Maria Rita”, no dia 05/06/2008, na primeira vez, que passei na região Transmontana.
Não negarei que cultivo o prazer da mesa, faço-o moderadamente. Nessa base a refeição, para mim foi sempre um ritual, uma condição que ali o restaurante satisfaz plenamente, senão veja-se:
Tudo ali está muito bem planeando na antiguidade, que se pode respirar plenamente. Logo na parede da sala de entrada uma placa grossa de madeira diz assim:
“… CHEGUEI À POVOAÇÃO DO ROMEU ÀS 4 HORAS DA TARDE DO DIA 18 DE MAIO DE 1874, PROCUREI UMA ESTALAGEM E ENCONTREI A ÚNICA QUE LÁ EXISTIA E QUE ERA A DA SRª. MARIA RITA, QUE, POR SINAL, NADA TINHA QUE NOS DAR DE COMER. MANDEI ENTÃO ASSAR BACALHAU ACOMPANADO, A PRIMEIRA VEZ PARA MIM DE PÃO NEGRO DE CENTEIO…”
CLEMENTE MENERES
( C ) Daniel Conde 2005
Sentados em cadeiras, a uma mesa, na sala a seguir, com toada de linho e guardanapos do mesmo tecido. A própria sala decorada, entre os vários adereços antigos, continha ainda o seu ancestral forno de lenha.
Domina a ancestralidade, consubstanciada na própria apresentação da ementa, cujo aperitivo principal, é um pequeno pratinho quadrado, de uma alva brancura, contendo azeite, para molhar no pão.
Foi escolhido o prato principal – “Bacalhau à Maria Rita”. Consiste naquele peixe desfiado em pedacinhos de couve, passado pelo forno. Numa próxima visita degustarei o “Bacalhau à Romeu.” Outro item para considerar.
Acompanhou um óptimo vinho, própria Quinta.
À saída, numa outra sala, mais propriamente um salão, uma grande mesa oval serve para uma maior enchente, que se dará mais nos meses de Verão, ou para festas diversas. Decoração sempre à antiga.
Segundo o casal que nos levou ao sítio, pela morada de proximidade, tem ido ali de vez quando emquando, declarando, que a estalagem existe desde há quinhentos anos, por ser local de passagem de espanhóis e naturais de Bragança, sede do Distrito.
Depois uma visita ao “Museu de Curiosidades” contíguo, onde estão patentes automóveis antigos, telefones, gramofones, grafonolas, aparelhos de rádio, relógios, bicicletas, biciclos, máquinas de costura e por aí fora. Tudo dos primórdios e dignos de ser apreciados.
(“Foi preponderante a acção e a generosidade da D. Maria Isabel Bacelar para a abertura do Museu de Curiosidades".
“Clemente Meneres foi um homem influente e de grande inteligência e empreendimento. Oriundo da Vila da Feira, negociava em vinho e cortiça para a Europa e Brasil, tendo empreendido viagens ao Brasil, Norte de África e Médio Oriente, tendo um seu stand participado na Feira de Osaka de 1903. Com o sucesso e crescente aceitação destes produtos, procura não só comercializar como produzi-los também. Nesta sua demanda, chega pela primeira vez a território transmontano em 1874, procurando por supostos sobreirais subaproveitados, acabando na zona do Romeu. Pouco tempo passou para que adquirisse esses sobreirais, e fundasse a Quinta do Romeu à qual se seguiria a Companhia Meneres. O seu interesse pelo cobre ainda as vinhas e os olivais, que adquire e melhora. No Romeu monta ainda uma fábrica de rolhas de cortiça, toda esta exploração existe ainda, sendo visível o IP 4, que corre ao lado desses terrenos, considerado os mais ricos de Trás-os-Montes, de onde sai azeite reconhecido além fronteiras.
Foi depois deste empreendimento que Clemente Meneres se percebeu da importância vital de poder escoar de forma rápida os seus produtos, e, depois da Câmara Municipal de Mirandela se mostrado interesse em trazer o comboio à Terra Quente Transmontana, fez todos os esforços possíveis para exercer pressão com a sua influência e da Associação de Comércio do Porto para que esta obra se concretizasse. Mais tarde, a via-férrea chegaria finamente às portas da sua Companhia no Jerusalém do Romeu, em Agosto de 1905, ficando a estação do Romeu de frente para o seu armazém, permitindo a carga e descarga de matérias e produtos. Não obstante, deixou ainda uma Escola Primária, para a qual alojou e contratou professores, e oferecia o almoço às crianças.
Por tudo isto a linha do Tua não seria o que foi e o que ainda é, sem a intervenção enérgica deste homem de negócios, com uma visão decidida sobre o futuro.
NOTA: Este último texto está numa web da Internet e será devido a Daniel Conde, nome que se encontra gravado entre um traçado retangular e que escrevi acima. O mesmo vem na respectiva tábua a finalizaz.
Daniel Costa
Romeu é sede de freguesia, do concelho de Mirandela. Dela apenas 30l residentes fazem parte.
Porém ir a Mirandela e não tomar conhecimento visual da sua antiguidade, de ir tomar um refeição no seu antigo restaurante “Maria Rita” de seguida visitar o Museu de Antiguidades contíguo, observar a paisagem circundante. Atrevo-me a dizer: “É como ira Roma e não ver o Papa”.
De facto, almocei no “Maria Rita”, no dia 05/06/2008, na primeira vez, que passei na região Transmontana.
Não negarei que cultivo o prazer da mesa, faço-o moderadamente. Nessa base a refeição, para mim foi sempre um ritual, uma condição que ali o restaurante satisfaz plenamente, senão veja-se:
Tudo ali está muito bem planeando na antiguidade, que se pode respirar plenamente. Logo na parede da sala de entrada uma placa grossa de madeira diz assim:
“… CHEGUEI À POVOAÇÃO DO ROMEU ÀS 4 HORAS DA TARDE DO DIA 18 DE MAIO DE 1874, PROCUREI UMA ESTALAGEM E ENCONTREI A ÚNICA QUE LÁ EXISTIA E QUE ERA A DA SRª. MARIA RITA, QUE, POR SINAL, NADA TINHA QUE NOS DAR DE COMER. MANDEI ENTÃO ASSAR BACALHAU ACOMPANADO, A PRIMEIRA VEZ PARA MIM DE PÃO NEGRO DE CENTEIO…”
CLEMENTE MENERES
( C ) Daniel Conde 2005
Sentados em cadeiras, a uma mesa, na sala a seguir, com toada de linho e guardanapos do mesmo tecido. A própria sala decorada, entre os vários adereços antigos, continha ainda o seu ancestral forno de lenha.
Domina a ancestralidade, consubstanciada na própria apresentação da ementa, cujo aperitivo principal, é um pequeno pratinho quadrado, de uma alva brancura, contendo azeite, para molhar no pão.
Foi escolhido o prato principal – “Bacalhau à Maria Rita”. Consiste naquele peixe desfiado em pedacinhos de couve, passado pelo forno. Numa próxima visita degustarei o “Bacalhau à Romeu.” Outro item para considerar.
Acompanhou um óptimo vinho, própria Quinta.
À saída, numa outra sala, mais propriamente um salão, uma grande mesa oval serve para uma maior enchente, que se dará mais nos meses de Verão, ou para festas diversas. Decoração sempre à antiga.
Segundo o casal que nos levou ao sítio, pela morada de proximidade, tem ido ali de vez quando emquando, declarando, que a estalagem existe desde há quinhentos anos, por ser local de passagem de espanhóis e naturais de Bragança, sede do Distrito.
Depois uma visita ao “Museu de Curiosidades” contíguo, onde estão patentes automóveis antigos, telefones, gramofones, grafonolas, aparelhos de rádio, relógios, bicicletas, biciclos, máquinas de costura e por aí fora. Tudo dos primórdios e dignos de ser apreciados.
(“Foi preponderante a acção e a generosidade da D. Maria Isabel Bacelar para a abertura do Museu de Curiosidades".
“Clemente Meneres foi um homem influente e de grande inteligência e empreendimento. Oriundo da Vila da Feira, negociava em vinho e cortiça para a Europa e Brasil, tendo empreendido viagens ao Brasil, Norte de África e Médio Oriente, tendo um seu stand participado na Feira de Osaka de 1903. Com o sucesso e crescente aceitação destes produtos, procura não só comercializar como produzi-los também. Nesta sua demanda, chega pela primeira vez a território transmontano em 1874, procurando por supostos sobreirais subaproveitados, acabando na zona do Romeu. Pouco tempo passou para que adquirisse esses sobreirais, e fundasse a Quinta do Romeu à qual se seguiria a Companhia Meneres. O seu interesse pelo cobre ainda as vinhas e os olivais, que adquire e melhora. No Romeu monta ainda uma fábrica de rolhas de cortiça, toda esta exploração existe ainda, sendo visível o IP 4, que corre ao lado desses terrenos, considerado os mais ricos de Trás-os-Montes, de onde sai azeite reconhecido além fronteiras.
Foi depois deste empreendimento que Clemente Meneres se percebeu da importância vital de poder escoar de forma rápida os seus produtos, e, depois da Câmara Municipal de Mirandela se mostrado interesse em trazer o comboio à Terra Quente Transmontana, fez todos os esforços possíveis para exercer pressão com a sua influência e da Associação de Comércio do Porto para que esta obra se concretizasse. Mais tarde, a via-férrea chegaria finamente às portas da sua Companhia no Jerusalém do Romeu, em Agosto de 1905, ficando a estação do Romeu de frente para o seu armazém, permitindo a carga e descarga de matérias e produtos. Não obstante, deixou ainda uma Escola Primária, para a qual alojou e contratou professores, e oferecia o almoço às crianças.
Por tudo isto a linha do Tua não seria o que foi e o que ainda é, sem a intervenção enérgica deste homem de negócios, com uma visão decidida sobre o futuro.
NOTA: Este último texto está numa web da Internet e será devido a Daniel Conde, nome que se encontra gravado entre um traçado retangular e que escrevi acima. O mesmo vem na respectiva tábua a finalizaz.
Daniel Costa
segunda-feira, 7 de julho de 2008
LISBOA CAFÉ - 2
SANTO ANTÓNIO DE LISBOA
O grande Santo nascido em Lisboa, tão venerado na cidade que realiza em sua honra marchas populares, na noite de doze para treze de Junho, em grande apoteose, não podia passar despercebido.
João Moisés, apesar de se achar evoluído, por ter começado a trabalhar desde muito novo, gostava deveras do elemento feminino.
Estava instalado numa morada que se prestava aos mais arrojados pensamentos, ainda que vindos daí, mesmo assuntos de carácter religioso, eram de interesse para vasculhar, como vai ficar demonstrado.
Acontecia todos os dias passar algum tempo na sala dedicada ao atelier da anfitriã, onde trabalhavam várias costureiras, que já eram suas amigas, uma delas de certa idade, vivia ainda com o pai, sacristão na capela de Santo António, na Rua do Vale do Santo do mesmo nome.
Em conversa com a senhora, que também ajudava nos arranjos da igreja, veio a revelação surpreendente de que a mesma era a genuína e situava-se no exacto local onde, de facto nasceu o Santo casamenteiro.
A constatação era interessante para investigar, porque era dado como consumado o Taumaturgo lisboeta ter nascido junto à Sé, onde se encontra o grande templo que lhe é dedicado.
O assunto levou João Moisés a muitas pesquisas e afinal nenhuma dava a zona do Vale de Santo António, como o sítio do seu nascimento, no entanto nunca a sua mente deixou de achar verosimilhança no caso, muito pensou no que poderia ser uma hipotética verdade, que não é descabido fomentar e até propor, para uma moderna consideração.
Começou por ser imaginar nos longínquos anos do nascimento do Santo, em que o Vale poderia ser considerado perto da Sé, em que o caminho, de certa maneira curto, era feito a pé.
Pensando bem naqueles tempos, em que por ali tudo eram campos, o Convento de S. Vicente de Fora, onde fizera estudos, que como sempre se situava a meio do percurso, não custava admitir essa versão, que os vizinhos capela do Santo, no Vale tinham arreigada, tanto assim que se estava perante um templo minúsculo e menos pomposo do que o vizinho da Sé e de maior antiguidade, criado antes e também para assinalar o lugar do nascimento do que foi baptizado com o nome de Fernando e mais tarde a pregar em Itália, ao mesmo tempo que veio a Lisboa depor, em tribunal, pelo pai.
Tão bem terá feito a defesa que conseguiu provar a inocência do progenitor, livrando-o de uma condenação certa à morte. O caso faz parte da história da vida do pregador que jaz em Pádua, porque se fosse tomada como verdadeira, estava-se na presença de um invulgar caso do dom da ubiquidade.
A conjectura, não passará disso, mesmo tendo em conta a tradição local e o assunto analisado por alguém que se estava a dedicar ao estudo de todas as coisas, mesmo as vulgares a parecerem comuns, porque ninguém lhes dava importância, mas tinham por onde pegar.
Voltar a estar acordado, na grande mansão da Graça, era interessante porque ali, a par dos serões de cartomancia, muito haveria a contar, como o caso de um casamento e outro de uma espécie de mancebia.
Tratava-se de duas irmãs, uma mulher interessante, mas não bonita, casou com um rapaz a dever pouco à preciosidade de ter inteligência, a outra extraordinariamente bela, a tal ponto que o amante, homem de fortuna, acabou por gastá-la toda à conta daquele enlevo.
Apesar de não haver mulher que valha tal, o certo é que também muita gente daquele sexo contribuiu, para o rápido esbanjamento.
No fundo João Moisés, cuidando do seu futuro, divertia-se naquela verdadeira vida e lá descia, pelo menos, duas vezes ao dia para trabalhar e estudar, a íngreme Calçada do Monte, que leva ao Largo da Graça, mas achava-se fadado para observar os minúsculos actos que a própria labuta de relações públicas traziam à superfície.
Foi assim que, ainda na Rua das Portas de Santo Antão, ao tempo trabalhava numa dependência predial, por debaixo da antiga sede do Sport Lisboa e Benfica, num daqueles Bares de ginjinha, que aliás era de própria designação, a Ginjinha Popular. Não obstante, quando chegava a canícula funcionava e para isso estava preparado, o serviço de venda de capilés, salsaparrilhas, groselhas, bem como limonadas, tudo dissolvido em água com soda, em copos bojudos, de vidro muito grosso.
Era nesse tempo que sempre aparecia um dos porteiros do Clube, homem forte e de grande vozeirão, pedia invariavelmente um capilé à Benfica, numa repetição diária, que o tornava engraçado, enquanto fazia propaganda às virtualidades que achava do Clube seu patrão.
Passava por ali muita classe de gente, um ensaio feito e logo aprendido, é que não se podia guardar fosse o que fosse de qualquer forasteiro, dos muitos que vindos de fora, que aportavam ao local.
Era o tempo da Guerra Colonial, pelo que a senhora dona Censura se mostrava tenebrosa, até mesmo nesses aspectos.
Aquele tipo de policia, sem se dar a perceber, estava sempre presente pelo que nunca se sabia quem era quem, num sítio onde passava todos os tipos de gente.
Já tinham acontecido factos inacreditáveis, no aspecto, embora não se passando mais do que serem levados a interrogatório alguns clientes, que apenas ficavam com ficha na PIDE.
Depois, o João Moisés teve ocasião de observar uma tentativa de jogo da vermelhinha, era uma época em que uma nota de cem escudos se tornava quantia interessante, para aquele verdadeiro conto do vigário.
Passou assim: Um par de homens entrou e solicitou ser servido com ginjinhas de cinquenta centavos. A tentativa de pagamento foi feita com uma cédula de cem, depois de estar o troco pronto, um dos comparsas lá arranjou a moeda de escudo, para a liquidação, então preparava-se para ficar com a nota primitiva e o respectivo troco.
Deu-se de imediato e intuitivamente a descoberta da tentativa de logro, sendo abortada a bem congeminada vigarice.
Desde que abraçara a vida de Lisboa e como só se entendia bem na cidade, onde lhe agradava passar despercebido, tinha terminado uma relação amorosa que ainda possuía na zona de origem.
O trabalho não era encorajador para novos intentos, porque era apenas preenchido pelo género masculino, mas conseguiu a sua primeira namorada, que talvez por imaturidade citadina depressa o trocou. Convém verificar que como não havia chegado a revolução sexual, nem mais ou menos, a abordagem era mais complicada.
Na escola arranjou uma namorada, nada devia a uma mente bem esclarecida, como conviria e depressa teve de ser esquecida, nem o nome Emília dizia algo, já que João Moisés era exigente.
A seguir, foi mesmo ao balcão que catrapiscou uma nova miúda, acompanhada por familiares, a quem veio a conquistar algum tempo depois, em separado, era a Joana e tudo corria bem. Parece que se haviam encontrada duas almas gémeas, mas ainda não seria o fim dos derriços, apesar de o namoro parecer reunir condições para frutificar.
Refira-se que, até então tudo não passou de entendimentos entre jovens, à moda daqueles tempos, porque actualmente, namoro equivale de imediato a uma vida a dois, sendo que os processos de agora, se tirar fora os excessos são mais atraentes, evitando muitos sofrimentos, afinal escusados.
Nessa época, sempre se apresentavam muitas noivas vestidas de branco, que escondiam o seu desfloramento das vistas do público, com um manto constituído também pelo tradicional ramo de flores de laranjeira, o sinal certo que evidenciava a consumação do matrimónio apenas na noite de núpcias, só depois da indispensável bênção divina.
Daniel Costa – in JORNAL DA AMADORA
O grande Santo nascido em Lisboa, tão venerado na cidade que realiza em sua honra marchas populares, na noite de doze para treze de Junho, em grande apoteose, não podia passar despercebido.
João Moisés, apesar de se achar evoluído, por ter começado a trabalhar desde muito novo, gostava deveras do elemento feminino.
Estava instalado numa morada que se prestava aos mais arrojados pensamentos, ainda que vindos daí, mesmo assuntos de carácter religioso, eram de interesse para vasculhar, como vai ficar demonstrado.
Acontecia todos os dias passar algum tempo na sala dedicada ao atelier da anfitriã, onde trabalhavam várias costureiras, que já eram suas amigas, uma delas de certa idade, vivia ainda com o pai, sacristão na capela de Santo António, na Rua do Vale do Santo do mesmo nome.
Em conversa com a senhora, que também ajudava nos arranjos da igreja, veio a revelação surpreendente de que a mesma era a genuína e situava-se no exacto local onde, de facto nasceu o Santo casamenteiro.
A constatação era interessante para investigar, porque era dado como consumado o Taumaturgo lisboeta ter nascido junto à Sé, onde se encontra o grande templo que lhe é dedicado.
O assunto levou João Moisés a muitas pesquisas e afinal nenhuma dava a zona do Vale de Santo António, como o sítio do seu nascimento, no entanto nunca a sua mente deixou de achar verosimilhança no caso, muito pensou no que poderia ser uma hipotética verdade, que não é descabido fomentar e até propor, para uma moderna consideração.
Começou por ser imaginar nos longínquos anos do nascimento do Santo, em que o Vale poderia ser considerado perto da Sé, em que o caminho, de certa maneira curto, era feito a pé.
Pensando bem naqueles tempos, em que por ali tudo eram campos, o Convento de S. Vicente de Fora, onde fizera estudos, que como sempre se situava a meio do percurso, não custava admitir essa versão, que os vizinhos capela do Santo, no Vale tinham arreigada, tanto assim que se estava perante um templo minúsculo e menos pomposo do que o vizinho da Sé e de maior antiguidade, criado antes e também para assinalar o lugar do nascimento do que foi baptizado com o nome de Fernando e mais tarde a pregar em Itália, ao mesmo tempo que veio a Lisboa depor, em tribunal, pelo pai.
Tão bem terá feito a defesa que conseguiu provar a inocência do progenitor, livrando-o de uma condenação certa à morte. O caso faz parte da história da vida do pregador que jaz em Pádua, porque se fosse tomada como verdadeira, estava-se na presença de um invulgar caso do dom da ubiquidade.
A conjectura, não passará disso, mesmo tendo em conta a tradição local e o assunto analisado por alguém que se estava a dedicar ao estudo de todas as coisas, mesmo as vulgares a parecerem comuns, porque ninguém lhes dava importância, mas tinham por onde pegar.
Voltar a estar acordado, na grande mansão da Graça, era interessante porque ali, a par dos serões de cartomancia, muito haveria a contar, como o caso de um casamento e outro de uma espécie de mancebia.
Tratava-se de duas irmãs, uma mulher interessante, mas não bonita, casou com um rapaz a dever pouco à preciosidade de ter inteligência, a outra extraordinariamente bela, a tal ponto que o amante, homem de fortuna, acabou por gastá-la toda à conta daquele enlevo.
Apesar de não haver mulher que valha tal, o certo é que também muita gente daquele sexo contribuiu, para o rápido esbanjamento.
No fundo João Moisés, cuidando do seu futuro, divertia-se naquela verdadeira vida e lá descia, pelo menos, duas vezes ao dia para trabalhar e estudar, a íngreme Calçada do Monte, que leva ao Largo da Graça, mas achava-se fadado para observar os minúsculos actos que a própria labuta de relações públicas traziam à superfície.
Foi assim que, ainda na Rua das Portas de Santo Antão, ao tempo trabalhava numa dependência predial, por debaixo da antiga sede do Sport Lisboa e Benfica, num daqueles Bares de ginjinha, que aliás era de própria designação, a Ginjinha Popular. Não obstante, quando chegava a canícula funcionava e para isso estava preparado, o serviço de venda de capilés, salsaparrilhas, groselhas, bem como limonadas, tudo dissolvido em água com soda, em copos bojudos, de vidro muito grosso.
Era nesse tempo que sempre aparecia um dos porteiros do Clube, homem forte e de grande vozeirão, pedia invariavelmente um capilé à Benfica, numa repetição diária, que o tornava engraçado, enquanto fazia propaganda às virtualidades que achava do Clube seu patrão.
Passava por ali muita classe de gente, um ensaio feito e logo aprendido, é que não se podia guardar fosse o que fosse de qualquer forasteiro, dos muitos que vindos de fora, que aportavam ao local.
Era o tempo da Guerra Colonial, pelo que a senhora dona Censura se mostrava tenebrosa, até mesmo nesses aspectos.
Aquele tipo de policia, sem se dar a perceber, estava sempre presente pelo que nunca se sabia quem era quem, num sítio onde passava todos os tipos de gente.
Já tinham acontecido factos inacreditáveis, no aspecto, embora não se passando mais do que serem levados a interrogatório alguns clientes, que apenas ficavam com ficha na PIDE.
Depois, o João Moisés teve ocasião de observar uma tentativa de jogo da vermelhinha, era uma época em que uma nota de cem escudos se tornava quantia interessante, para aquele verdadeiro conto do vigário.
Passou assim: Um par de homens entrou e solicitou ser servido com ginjinhas de cinquenta centavos. A tentativa de pagamento foi feita com uma cédula de cem, depois de estar o troco pronto, um dos comparsas lá arranjou a moeda de escudo, para a liquidação, então preparava-se para ficar com a nota primitiva e o respectivo troco.
Deu-se de imediato e intuitivamente a descoberta da tentativa de logro, sendo abortada a bem congeminada vigarice.
Desde que abraçara a vida de Lisboa e como só se entendia bem na cidade, onde lhe agradava passar despercebido, tinha terminado uma relação amorosa que ainda possuía na zona de origem.
O trabalho não era encorajador para novos intentos, porque era apenas preenchido pelo género masculino, mas conseguiu a sua primeira namorada, que talvez por imaturidade citadina depressa o trocou. Convém verificar que como não havia chegado a revolução sexual, nem mais ou menos, a abordagem era mais complicada.
Na escola arranjou uma namorada, nada devia a uma mente bem esclarecida, como conviria e depressa teve de ser esquecida, nem o nome Emília dizia algo, já que João Moisés era exigente.
A seguir, foi mesmo ao balcão que catrapiscou uma nova miúda, acompanhada por familiares, a quem veio a conquistar algum tempo depois, em separado, era a Joana e tudo corria bem. Parece que se haviam encontrada duas almas gémeas, mas ainda não seria o fim dos derriços, apesar de o namoro parecer reunir condições para frutificar.
Refira-se que, até então tudo não passou de entendimentos entre jovens, à moda daqueles tempos, porque actualmente, namoro equivale de imediato a uma vida a dois, sendo que os processos de agora, se tirar fora os excessos são mais atraentes, evitando muitos sofrimentos, afinal escusados.
Nessa época, sempre se apresentavam muitas noivas vestidas de branco, que escondiam o seu desfloramento das vistas do público, com um manto constituído também pelo tradicional ramo de flores de laranjeira, o sinal certo que evidenciava a consumação do matrimónio apenas na noite de núpcias, só depois da indispensável bênção divina.
Daniel Costa – in JORNAL DA AMADORA
sábado, 5 de julho de 2008
FIGURA INESQUECÍVEL (Brasil) . I
AMÉRICO TOZZINI
Na verdade há pessoas marcantes na nossa vida. É o caso do Américo Tozzini. A amizade não chegou a este século, segundo julgo, o motivo foi a inevitável viagem ao mítico mundo dos falecidos. Afinal sabia que estava já na presença de um homem de idade avançada, por outro lado a sua escrita denunciava decrepitude.
Mas devo render-lhe a minha homenagem, porque ao iniciar-me como Director e Editor de uma revista filatélica, logo recebi o apoio dele. Alguém de longe e enquadrado em assunto tão especializado, como é do vasto mundo comunitário da filatelia.
A minha intenção era abranger tudo o que fosse comunidade de língua portuguesa, incluindo o Brasil. E daquele país estendiam-me logo uma mão.
De facto o Tozzini fazia uma coluna especializada no Jornal de São Paulo e o "Cinco Minutos com a Filatelia", no programa radiofónico "Pulo do Gato", da Rádio Bandeirantes.
Passei a receber, entre o vasto correio, regularmente o daquele amigo, sempre com as novidades brasileiras do âmbito e o importante estímulo.
Passou a tomar iniciativas, sem me consultar, fazendo publicidade à minha publicação, com a oferta de assinaturas aos ganhadores de um concurso que promovia no "Cinco Minutos com a Filatelia" mencionando a Revista e promovendo-a entre os muitos jornalistas brasileiros da especialidade, que nas sua colunas da especialidade lhe faziam referência. Numa pasta especial guardo os recortes, que me pareceram mais significativos.
Fazia muitos comentários, a propósito e atirava expressões, como fulano é daqueles que se "põe em cima do muro, espera que a procissão passe, para saltar para a frente". Achei este dito o máximo, adequava-se perfeitamente às pessoas em questão, segundo fui conhecendo melhor a comunidade do dirigismo filatélico.
Como Director, em tudo o que escrevia, usava o pseudónimo de Miguel Foz, por admiração familiar, talvez como homenagem, sobre isso escreveu: "Você com um nome tão machão, como Daniel Costa não precisa nada de pseudónimos". O pseudónimo estava devidamente registado e lá lhe expliquei os meus porquês da utilização.
Cheguei, mesmo a ter uma pasta especial onde arquivava essa vasta correspondência. Actualmente mantenho vários documentos e são bastantes, por serem peças de filatelia.
Por fora das cartas, sempre me referenciava, com as palavras Jornalista, ou Editor.
E uma inconfidência, em poucas crónicas que me remeteu usou o pseudónimo
Durante cerca de trinta anos, durou a troca de correspondência, até que se calou.
Daniel
Na verdade há pessoas marcantes na nossa vida. É o caso do Américo Tozzini. A amizade não chegou a este século, segundo julgo, o motivo foi a inevitável viagem ao mítico mundo dos falecidos. Afinal sabia que estava já na presença de um homem de idade avançada, por outro lado a sua escrita denunciava decrepitude.
Mas devo render-lhe a minha homenagem, porque ao iniciar-me como Director e Editor de uma revista filatélica, logo recebi o apoio dele. Alguém de longe e enquadrado em assunto tão especializado, como é do vasto mundo comunitário da filatelia.
A minha intenção era abranger tudo o que fosse comunidade de língua portuguesa, incluindo o Brasil. E daquele país estendiam-me logo uma mão.
De facto o Tozzini fazia uma coluna especializada no Jornal de São Paulo e o "Cinco Minutos com a Filatelia", no programa radiofónico "Pulo do Gato", da Rádio Bandeirantes.
Passei a receber, entre o vasto correio, regularmente o daquele amigo, sempre com as novidades brasileiras do âmbito e o importante estímulo.
Passou a tomar iniciativas, sem me consultar, fazendo publicidade à minha publicação, com a oferta de assinaturas aos ganhadores de um concurso que promovia no "Cinco Minutos com a Filatelia" mencionando a Revista e promovendo-a entre os muitos jornalistas brasileiros da especialidade, que nas sua colunas da especialidade lhe faziam referência. Numa pasta especial guardo os recortes, que me pareceram mais significativos.
Fazia muitos comentários, a propósito e atirava expressões, como fulano é daqueles que se "põe em cima do muro, espera que a procissão passe, para saltar para a frente". Achei este dito o máximo, adequava-se perfeitamente às pessoas em questão, segundo fui conhecendo melhor a comunidade do dirigismo filatélico.
Como Director, em tudo o que escrevia, usava o pseudónimo de Miguel Foz, por admiração familiar, talvez como homenagem, sobre isso escreveu: "Você com um nome tão machão, como Daniel Costa não precisa nada de pseudónimos". O pseudónimo estava devidamente registado e lá lhe expliquei os meus porquês da utilização.
Cheguei, mesmo a ter uma pasta especial onde arquivava essa vasta correspondência. Actualmente mantenho vários documentos e são bastantes, por serem peças de filatelia.
Por fora das cartas, sempre me referenciava, com as palavras Jornalista, ou Editor.
E uma inconfidência, em poucas crónicas que me remeteu usou o pseudónimo
Durante cerca de trinta anos, durou a troca de correspondência, até que se calou.
Daniel
quinta-feira, 3 de julho de 2008
LISBOA CAFÉ -1
CAFÉ LISBOA
Não pode haver dúvidas, Lisboa é uma cidade encantadora, o João Moisés levou uma mocidade inteira a sonhar com uma vida na capital. A ideia não provinha dos deslumbramentos que a paisagem pudesse provocar, pois até à idade adulta nem dela se aproximou! Mas sim dos forasteiros nela a viver, que visitavam a aldeia situada no ameno Oeste, sobretudo por festas populares ou outras do calendário litúrgico, como Natal ou Domingo de Páscoa,
Destacavam-se sempre dos habitantes locais por uma postura mais urbana, patenteada desde logo pela indumentária que exibiam, talvez de modismo mais adequado.
Para já, não achava ter nascido para agricultor, como o Estado Novo catalogava todos os que viviam uma agricultura de subsistência. Como era o caso.
Considerava-se capaz de fazer outras coisas mais importantes e logo na adolescência começava a movimentar-se nesse sentido.
Só no decorrer do ano de 1964, depois de uma cumprida obrigatoriedade militar, entre a qual vinte e sete meses de mobilização em Angola, tempo que considerou serem a únicas verdadeira férias passadas até então, chegou a oportunidade de se fixar na cidade com que sempre sonhou, a formosa Lisboa.
Foi em Abril, o primeiro que o governo de então considerou especial, dedicando-o ao início oficial da indústria turística em Portugal.
O Algarve que tem hoje importância, nessa florescente actividade a todos os níveis, era ainda mal conhecido e do aeroporto existente actualmente na cidade de Faro, estrutura fundamental para o objectivo, havia ainda só o terreno e um projecto.
O centro da cidade era pujante, o Chiado fervilhante foi eleito para uma maior visibilidade turística, com a distribuição de flores aos forasteiros que vinham conhecer o País.
Tinha sido feita além fronteiras, para a divulgação das virtualidades de Portugal na vertente do bom Sol e os próprios Correios apondo sobre os selos das cartas uma flâmula, em francês, cuja mensagem era apenas a seguinte: “Avril au Portugal”.
Por ironia meteorológica, o mês que costuma ser já muito solarengo no rectângulo mais a Sudeste da Europa, apresentou sempre o céu cheio de nuvens e aguaceiros, tudo o que encobria o Astro Rei.
Foi nessa bruma, que João Moisés iniciou a sua nova vida. Pensava-se muito capaz, porém apesar de já contar com alargada experiência de vida, arreigada em muita labuta, seleccionou o trabalho que achou melhor se coadunar com o que pretendia – estudar afim de vir a entrar noutro mundo mais excitante.
O eleito foi o lugar de barman, para todo o serviço, já que a sua experiência de empregado de balcão era a de estreante, tinha vinte e três anos apenas, mas demasiada idade para iniciar do zero, tal carreira.
O local era a baixa de Lisboa, tal como desejava, na Rua das Portas de Santo Antão, ainda designada por Eugénio dos Santos, pois teve como patrono esse grande nome da arquitectura Pombalina,
A altura do ano escolar já estava longe do início e dedicou-se a pequenos cursos que estavam já a deixar de fazer sentido, mas que se revelaram muito benéficos para a integração num mundo novo, o de estudante trabalhador.
Continuando a laborar na mesma entidade patronal e acabando por evoluir rapidamente, foi transferido para outra casa do género, na Avenida da Liberdade, junto ao parque Mayer, na altura um local também de grande bulício da Lisboa nocturna do tempo e como só se trabalhava bem depois das dez da noite, dava para que antes pudesse haver alguma dedicação ao estudo.
As aulas decorriam a bom ritmo, melhor do que João Moisés podia ter sonhado. No caso eram dedicadas a adultos, havia alguns polícias com intuitos de concorrem a inspectores da Judiciária e foi desses que saiu a grande desilusão:
- Para ter acesso àquele Corpo Policial era necessária determinada estrutura física, o ter sido apurado para servir no exército, a condicionante que só por si não bastava.
O seu problema baseava-se em que tinha sido mobilizado por obrigação e fora do mesmo, sem mais outras aptidões físicas, não podia haver seguimento de carreira.
João Moisés “teimoso” como era e muito dado a leituras policiais, sem ter em conta que os cenários se situavam sempre na América do Norte, logo atentou na possibilidade de vir a tornar-se investigador privado. Como se haveria de ver!
Ter chegado a Lisboa, trabalhar e estudar, constituía o princípio do cumprimento dum grande sonho, uma realidade que se estava a concretizar, isso era para já o que importava.
Estava hospedado numa grande mansão, no famoso Bairro da Graça, mais propriamente na freguesia de Santa Engrácia. A casa era de uma grande modista, senhora que, por seu turno a tinha herdado dos pais, cujo elemento masculino tinha pertencido a um Corpo Policial, antecessor da Judiciária, falecido na cama repentinamente na mesma noite, que lhe tinham dedicado um jantar, em virtude de ter subido na carreira.
Guindara-se a um posto mais elevado, pela sua inteligência e estrutura moral, o que orgulhara os inúmeros familiares, que não viviam na cidade. Estes aventaram que talvez alguns colegas roídos pela inveja lhe tivessem administrado, naquele jantar de homenagem algum ingrediente fatal, afim de passar a haver na Corporação um alinhamento menos ambicioso.
Havia já muito tempo que o caso se passara, mas era para ainda dar que pensar.
Não havia professores Karambas ou Alages, vastas publicidades a cartomancias, ou a várias “leituras”, mas a hospedeira de João Moisés, nos tempos livres, entretinha-se ao estudo da vida das pessoas deitando cartas. Além de ser engraçado, porque em muitas coisas ditas, algo aparecia de verosímil.
De concreto as predições só serviam mentes fracas, como todos os prognósticos pessoais.
No fundo, muitas coincidências apontavam que se mantivesse o gosto de investigar a fundo muitos assuntos, tanto mais que o trabalho junto ao Café Lisboa, o local onde funcionavam os Teatros de Revista, uma Broadway à portuguesa e ainda a proximidade da maioria das casas de vida nocturna, a sua labuta até às duas da madrugada, o saber ouvir o que se comentava, muito característico dos profissionais de balcão ou de mesa, da indústria hoteleira, eram os ingredientes ideais para perseguir o objectivo.
Foi assim que num belo dia, depois de terminado o trabalho da noite, ao chegar às quatro da madrugada a pé, passando pelo Martim Moniz e Rua do Benformoso, uma resolução foi definitivamente tomada: O João Moisés em pensamentos, sempre íntimos e positivos, mesmo àquela hora tardia, tomou uma resolução, a de passar a investigar virtualmente certos factos, que lhe parecessem relevantes.
No fundo, sempre praticara a ideia de deitar os olhos por tudo o que lhe parecesse razoável, mas para objectivar mais a ideia.
Planeara encomendar e mandar fazer um novo fato, dirigiu-se ao grande estabelecimento, quase em frente ao Hotel Mundial, a tal casa que as rádios anunciavam como a de – “três entradas para uma saída feliz” – denominada “Lanalgo2 e depois de ter feito a compra, de imediato e por já ter entrado a época de fazer aquisições de vestuário para o Inverno, procurou adquirir uma gabardina que lhe conferisse um toque policial. Consegui-o; era de uma cor azul escuro, cinto do mesmo tecido, com ombros adornados de platinas metálicas, como se pertencesse mesmo a algum policial, com a notória diferença de possuir fivelas de metal prateado a fechar.
João Moisés, tomou ainda a firme resolução de continuar os estudos, para vir a ter um melhor emprego, mas sempre compatível com uma área que lhe permitisse estar atento a qualquer desvio gregário ou algo fora da normalidade comum.
Qualquer defeito vivencial humano que pudesse vir a detectar!...
Daniel Costa – in “JORNAL DA AMADORA
Não pode haver dúvidas, Lisboa é uma cidade encantadora, o João Moisés levou uma mocidade inteira a sonhar com uma vida na capital. A ideia não provinha dos deslumbramentos que a paisagem pudesse provocar, pois até à idade adulta nem dela se aproximou! Mas sim dos forasteiros nela a viver, que visitavam a aldeia situada no ameno Oeste, sobretudo por festas populares ou outras do calendário litúrgico, como Natal ou Domingo de Páscoa,
Destacavam-se sempre dos habitantes locais por uma postura mais urbana, patenteada desde logo pela indumentária que exibiam, talvez de modismo mais adequado.
Para já, não achava ter nascido para agricultor, como o Estado Novo catalogava todos os que viviam uma agricultura de subsistência. Como era o caso.
Considerava-se capaz de fazer outras coisas mais importantes e logo na adolescência começava a movimentar-se nesse sentido.
Só no decorrer do ano de 1964, depois de uma cumprida obrigatoriedade militar, entre a qual vinte e sete meses de mobilização em Angola, tempo que considerou serem a únicas verdadeira férias passadas até então, chegou a oportunidade de se fixar na cidade com que sempre sonhou, a formosa Lisboa.
Foi em Abril, o primeiro que o governo de então considerou especial, dedicando-o ao início oficial da indústria turística em Portugal.
O Algarve que tem hoje importância, nessa florescente actividade a todos os níveis, era ainda mal conhecido e do aeroporto existente actualmente na cidade de Faro, estrutura fundamental para o objectivo, havia ainda só o terreno e um projecto.
O centro da cidade era pujante, o Chiado fervilhante foi eleito para uma maior visibilidade turística, com a distribuição de flores aos forasteiros que vinham conhecer o País.
Tinha sido feita além fronteiras, para a divulgação das virtualidades de Portugal na vertente do bom Sol e os próprios Correios apondo sobre os selos das cartas uma flâmula, em francês, cuja mensagem era apenas a seguinte: “Avril au Portugal”.
Por ironia meteorológica, o mês que costuma ser já muito solarengo no rectângulo mais a Sudeste da Europa, apresentou sempre o céu cheio de nuvens e aguaceiros, tudo o que encobria o Astro Rei.
Foi nessa bruma, que João Moisés iniciou a sua nova vida. Pensava-se muito capaz, porém apesar de já contar com alargada experiência de vida, arreigada em muita labuta, seleccionou o trabalho que achou melhor se coadunar com o que pretendia – estudar afim de vir a entrar noutro mundo mais excitante.
O eleito foi o lugar de barman, para todo o serviço, já que a sua experiência de empregado de balcão era a de estreante, tinha vinte e três anos apenas, mas demasiada idade para iniciar do zero, tal carreira.
O local era a baixa de Lisboa, tal como desejava, na Rua das Portas de Santo Antão, ainda designada por Eugénio dos Santos, pois teve como patrono esse grande nome da arquitectura Pombalina,
A altura do ano escolar já estava longe do início e dedicou-se a pequenos cursos que estavam já a deixar de fazer sentido, mas que se revelaram muito benéficos para a integração num mundo novo, o de estudante trabalhador.
Continuando a laborar na mesma entidade patronal e acabando por evoluir rapidamente, foi transferido para outra casa do género, na Avenida da Liberdade, junto ao parque Mayer, na altura um local também de grande bulício da Lisboa nocturna do tempo e como só se trabalhava bem depois das dez da noite, dava para que antes pudesse haver alguma dedicação ao estudo.
As aulas decorriam a bom ritmo, melhor do que João Moisés podia ter sonhado. No caso eram dedicadas a adultos, havia alguns polícias com intuitos de concorrem a inspectores da Judiciária e foi desses que saiu a grande desilusão:
- Para ter acesso àquele Corpo Policial era necessária determinada estrutura física, o ter sido apurado para servir no exército, a condicionante que só por si não bastava.
O seu problema baseava-se em que tinha sido mobilizado por obrigação e fora do mesmo, sem mais outras aptidões físicas, não podia haver seguimento de carreira.
João Moisés “teimoso” como era e muito dado a leituras policiais, sem ter em conta que os cenários se situavam sempre na América do Norte, logo atentou na possibilidade de vir a tornar-se investigador privado. Como se haveria de ver!
Ter chegado a Lisboa, trabalhar e estudar, constituía o princípio do cumprimento dum grande sonho, uma realidade que se estava a concretizar, isso era para já o que importava.
Estava hospedado numa grande mansão, no famoso Bairro da Graça, mais propriamente na freguesia de Santa Engrácia. A casa era de uma grande modista, senhora que, por seu turno a tinha herdado dos pais, cujo elemento masculino tinha pertencido a um Corpo Policial, antecessor da Judiciária, falecido na cama repentinamente na mesma noite, que lhe tinham dedicado um jantar, em virtude de ter subido na carreira.
Guindara-se a um posto mais elevado, pela sua inteligência e estrutura moral, o que orgulhara os inúmeros familiares, que não viviam na cidade. Estes aventaram que talvez alguns colegas roídos pela inveja lhe tivessem administrado, naquele jantar de homenagem algum ingrediente fatal, afim de passar a haver na Corporação um alinhamento menos ambicioso.
Havia já muito tempo que o caso se passara, mas era para ainda dar que pensar.
Não havia professores Karambas ou Alages, vastas publicidades a cartomancias, ou a várias “leituras”, mas a hospedeira de João Moisés, nos tempos livres, entretinha-se ao estudo da vida das pessoas deitando cartas. Além de ser engraçado, porque em muitas coisas ditas, algo aparecia de verosímil.
De concreto as predições só serviam mentes fracas, como todos os prognósticos pessoais.
No fundo, muitas coincidências apontavam que se mantivesse o gosto de investigar a fundo muitos assuntos, tanto mais que o trabalho junto ao Café Lisboa, o local onde funcionavam os Teatros de Revista, uma Broadway à portuguesa e ainda a proximidade da maioria das casas de vida nocturna, a sua labuta até às duas da madrugada, o saber ouvir o que se comentava, muito característico dos profissionais de balcão ou de mesa, da indústria hoteleira, eram os ingredientes ideais para perseguir o objectivo.
Foi assim que num belo dia, depois de terminado o trabalho da noite, ao chegar às quatro da madrugada a pé, passando pelo Martim Moniz e Rua do Benformoso, uma resolução foi definitivamente tomada: O João Moisés em pensamentos, sempre íntimos e positivos, mesmo àquela hora tardia, tomou uma resolução, a de passar a investigar virtualmente certos factos, que lhe parecessem relevantes.
No fundo, sempre praticara a ideia de deitar os olhos por tudo o que lhe parecesse razoável, mas para objectivar mais a ideia.
Planeara encomendar e mandar fazer um novo fato, dirigiu-se ao grande estabelecimento, quase em frente ao Hotel Mundial, a tal casa que as rádios anunciavam como a de – “três entradas para uma saída feliz” – denominada “Lanalgo2 e depois de ter feito a compra, de imediato e por já ter entrado a época de fazer aquisições de vestuário para o Inverno, procurou adquirir uma gabardina que lhe conferisse um toque policial. Consegui-o; era de uma cor azul escuro, cinto do mesmo tecido, com ombros adornados de platinas metálicas, como se pertencesse mesmo a algum policial, com a notória diferença de possuir fivelas de metal prateado a fechar.
João Moisés, tomou ainda a firme resolução de continuar os estudos, para vir a ter um melhor emprego, mas sempre compatível com uma área que lhe permitisse estar atento a qualquer desvio gregário ou algo fora da normalidade comum.
Qualquer defeito vivencial humano que pudesse vir a detectar!...
Daniel Costa – in “JORNAL DA AMADORA
terça-feira, 1 de julho de 2008
SERÁ LOUCURA
LOUCURA
Dizem que sou louco
Dizem
Que me importo
Convivo feliz com a loucura
Amo o mundo
Amo a ternura
Esse manto de brandura
Afastando sofreguidão
Não…
Não vivo num universo
De ilusão
Sei que muitos choram
Porque não têm pão
Encolhem ombros, que mansidão!
Será hipertensão?
Doçura, remédio na escassez!
Deixem-me ser louco
Digam-me que os grandes
Se preocupam um pouco
Apelo à humanidade
Enquanto justiça do alto espero
Esperar humildade e candura
Dos grandes que apenas almejam
Fazer figura
Fazer da justiça bravura
Bendita loucura
A denunciar um mundo de loucos
Fingindo que pensam
Muitas promessas
Para muito arrecadar
Depois muito a poucos dar
Oh loucura!
Olhai a robustez
A dos loucos de vez
Daniel Costa
Dizem que sou louco
Dizem
Que me importo
Convivo feliz com a loucura
Amo o mundo
Amo a ternura
Esse manto de brandura
Afastando sofreguidão
Não…
Não vivo num universo
De ilusão
Sei que muitos choram
Porque não têm pão
Encolhem ombros, que mansidão!
Será hipertensão?
Doçura, remédio na escassez!
Deixem-me ser louco
Digam-me que os grandes
Se preocupam um pouco
Apelo à humanidade
Enquanto justiça do alto espero
Esperar humildade e candura
Dos grandes que apenas almejam
Fazer figura
Fazer da justiça bravura
Bendita loucura
A denunciar um mundo de loucos
Fingindo que pensam
Muitas promessas
Para muito arrecadar
Depois muito a poucos dar
Oh loucura!
Olhai a robustez
A dos loucos de vez
Daniel Costa
Subscrever:
Mensagens (Atom)
