terça-feira, 25 de novembro de 2008

RESOLUÇÃO

Aconteceu, a João Moisés ter sido afectado pela vulgar patologia da gripe, algo banal, porém talvez pelo infatigável apego e gosto pelo que fazia, aconteceu uma recaída e o resultado foi a necessidade de assistência médica.
Aconteceu, o doutor além de medicamentos adequados, contra vontade do paciente receitou dois dias de baixa, para descanso.
Conformado teve de aceitar, tanto mais que ouviu: Aqui sou eu o médico!
Mal chegado a casa para convalescer, por telefone foi convocado pelo efémero chefe de serviço, era preciso! Foi, cumprir um “dever” acima de tudo!
No fim do mês, não estranhou receber o salário por inteiro. Como não se surpreendeu receber o correspondente à baixa, a contabilidade resolveria!
Já então, em virtude do forte incremento da editora, traduzido na constante entrada de pessoal. O Moiteirim e o Merilim de directores, cada um do seu departamento, promoção e vendas, subiram ao topo do mesmo sector, que se juntara na supervisão.
Maldosamente o tal de Moiteirim, veio com um postal afim, da caixa e questionou sobre o assunto. Julgou, como mau juiz, nem ouviu e João convocado, por necessidade, os dois únicos dias de baixa de doença. Sacrificara a saúde, ao serviço de uma grande empresa e trabalhou dois dias sem qualquer remuneração, inadmissível! Só promovidos e consentidos por quem não sabia estar em lugares de chefia.
A empresa teve culpa, porque alimentava servidores, que sabiam fingir que pensavam, mas actuavam em nome da mesquinhez de princípios.
Entrou uma leva de promotores, talvez por maldade planeada por Merilim. Da sua formação, pela única vez, constou da observação de como formava o seu grupo de agentes de tutela e ele João Moisés, o próprio, em demonstração actuou durante visitas de contactos com sócios.
A acção teve em vista humilhar, tanto mais o João ser considerado exemplar nesse trabalho, que já provara com algo apresentado.
Fez a demonstração a propósito, achou que decorreu impecavelmente.
Finda a qual um dos Afins, estava em formação e para agradar ao “dono”, mostrou cobardia e disse: Foi interessante, porém podia ter sido muito melhor!
A perseguição continuava, outro Afim, já chefe de grupo ordenou, a um chefe de tutela um trabalho fora do horário laboral, este recusou, porque não tinha de receber ordens para transgredir.
O João Moisés assistiu à arrojada cena, um gesto de pura vilania. O colega mesmo assistindo-lhe a razão teve ordem de despedimento.
Por apontamentos pessoais, estavam anotadas todas as horas pós laborais, foi accionado processo.
João Moisés, convidado a ser testemunha do caso, disse ao chefe, muito bem!
- Sabe que o trabalhador tem razão e não espere ver verdades alteradas, arrostou com ameaças, mas a integridade acima de tudo! Acabou por ser dispensado o seu depoimento.
A empresa acabou por pagar e muito justamente, o que lhe veio a ser exigido!
Pequenos factos, denunciadores da perseguição continuavam. A isenção de horário de trabalho seria compensada monetariamente, com prémios de produtividade, por trimestre, o ciclo de entrega da revista com a indicação dos livros disponíveis, recolha dos postais com os pedidos e entregas, enquanto se recebiam as quotas mensais.
João Moisés procurava pôr o seu grupo a funcionar bem, por exemplo, em determinado trimestre tinha saído o livro “Fábrica de Oficiais”, no memo havia uma cena em que um sargento tinha sido violado, por colegas mulheres. Destacado o assunto aos agentes, o livro teve grande sucesso de vendas no sector conduzido por João Moisés. Um marketing útil enquanto interessante no prémio de vendas.
Pois, recebeu indicações da supervisão, que apenas tinha de vender trimestralmente consoante a quotização dos sócios. Efectivamente não havia erro, estavam a ser atingidas metas, que iam contra desígnios pessoais. E as admoestações vinham de supervisores!.... O que seria o último trimestre, pela sua própria contabilização, atingiria um prémio de cerca quatro mil escudos, quantia jeitosa, para a época.
Por interferências na contabilidade, o próprio rapaz Moiteirim conseguiu que ficasse reduzida a dois. Nem assim evitou que fosse a mais elevada de entre as quatro, que então existiam.
O género de perseguição era tal que ao João Moisés chegou receio de entrar acção da própria P.I.D.E. Com essa nada podia, não obstante a sua força interior para brincar ao gato e ao rato, com tamanha irresponsabilidade, dir-se-ia de rapazes imaturos.
Um dia aconteceu que ao chegar ao escritório, um dos Afins entretanto na chefia do departamento, naturalmente para não desagradar ao “dono”, deixara a ordem para não sair sem a vinda do tigre de papel do chefe.
João Moisés, assim procedeu pensando logo no que viria de novo! E o que havia era uma confrontação com um caso de um agente de tutela desonesto, caso que nem podia conhecer a fundo, porque já se apresentava problemático e fora entregue a um ajudante mais disponível, para restabelecer o contacto.
O agente sabia bem a fraude que tinha feito, detectado aqui, fugia para ali, vida e obra complicada! Pensando bem era o chefe que o tinha seleccionado, em última análise era o primeiro culpado, por outro lado, sendo este o responsável pela tutela, era dever de não implicar o colega, que saberia melhor pronunciar-se sobre o assunto, mas isso estaria fora de causa.
A perseguição era dirigida a um alvo certo!
Sem ouvir, o tal Afim decretou o ter de assistir os sócios do sector, de imediato. O João Moisés recusou, então quando devia subir, descia de cavalo a burro?
Jamais! A brincadeira chegara tão longe!
A recusa sortiu efeito, pelo menos para o Moiteirim e consequentemente para o Merilim.
Castigo de dois dias de suspensão, mas a prazo, quando mais convinha aos serviços!
- Ordem emanada do chefe de pessoal!
“Democraticamente”, Moiteirim convocou-o para uma audição. Evidentemente uma ideia patética, só podia esbarrar numa negativa.
- Aplicava sanção, só depois ouvia razões!
Os deuses deviam estar loucos!
Havia tempos João Moisés tinha sido convidado pelo próprio administrador de outra empresa, a funcionar na mesma rua, não dissera sim nem nim. Nos dias de suspensão descansou tranquilo e pensou a melhor maneira de partir para outra.
Concluiu que devia verificar se o convite ainda esperava. Ao ver que sim aceito-o.
Chegado ao Circulo de Leitores, depois da forçada travessia desértica, pediu ao pagador para ser o primeiro a receber. Este bastante amigo, com o seu sorriso malicioso assentiu.
Assim que foi recebido o ordenado, sem mais, disse adeus!...
No mesmo dia, foi escrita uma carta à administração, alegando justa causa, explicando porquê e pedindo contas do que achava ser-lhe devido.
Ninguém teve a coragem de responder, mas a desonesta, a cobarde perseguição acabaria!

Daniel Costa – in JORNAL DA AMADORA

15 comentários:

LuzdeLua disse...

Poxa, que coisa intrigante.
Belo texto amigo.

"Mesmo que as pessoas mudem e suas vidas se reorganizem, os amigos devem ser amigos para sempre, mesmo que não tenham nada em comum, somente compartilhar as mesmas recordações."
Vinícius de Moraes

Passando, deixo-te um abraço amigo

Círculo Literário disse...

excelente publicação!!!ótimo..ótimo.. está interessantissimo...

Laura disse...

E assim, saiste e de cabeça erguida e os malfeitores lá receberão o prémio justo!... É sempre assim, paga o justo pelo pecador e eles enchiam-se...Mas não te rales, ELE está lá sempre e de olhos bem abertos!... Beijinhos.

Pelos caminhos da vida. disse...

Obrigado pela sua visita.

bjs.

NAELA disse...

Afinal temos que lutar pelo que achamos de direito, sair com a cabeca erguida foi uma luta vencida!
Um beijo doce

Bandys disse...

Daniel,
Estou correndo hoje so pra te dar um beijo

Volto depois pra ler

Ana Martins disse...

Olá Daniel,
uma hitória impressionante num excelente texto.
O que importa na realidade, é mantermos a cabeça erguida, e sentirmo-nos bem com a nossa consciencia. E aconteça o que acontecer, os amigos do peito vão sempre estar presentes. Aqueles que se afastam, é porque afinal não eram tão amigos como diziam ser.

Anja Rakas disse...

Imagina se não tivesse acontecido???
Teus textos são bombásticos...qualquer dia perco emprego só de ficar a lê-los em pleno expediente.

beijos

Laura disse...

Tal e qual como diz uma nian ai abaixo; os amigos do peito é que importam, os peseudo amigos, que s elixem, não eram, nem são, nem nunca serão, nem nunca conseguirão; ser uns bons amigos... Beijinhos.

SAM disse...

Que horror, Daniel...Mas acontece ainda, e sempre haverá esta mesquinhez. Mas o importante é a consciência e os verdadeiros amigos, a cabeça erguida...Mas fica a marca indelével na memória, pois fere a dignidade humana.


Beijo

Laura disse...

Já reparaste que nós somos amigos através d anet e nunca nos vimos nem pintados? Pois é o amor está em todo o lado e amamos os seres que se nos assemelham..beijinhos.

Olhos de mel disse...

Lindinho! A vida geralmente, cobra das pessoas atitudes e comportamentos, seja lá em que época for. Amigos são os que se pode contar, nas horas alegres e tristes. Nos caminhos e descaminhos...
Beijos

Marta disse...

Infelizmente, continua a ser verdade...
Os verdadeiros amigos ficam sempre connosco, aocnteça o que acontecer...
Obrigada pela visita....
Beijos e abraços
Marta

intimidades disse...

e a historia repete-se..

adorei o blog

Jokas

Paula

Laura disse...

Que bom que tenho amigos em todo o lado, mais gente conheço; mais amigos faço...que maravilha se eu adoro a amizade!... Beijinho desta amiga que será deste mundo e no outro...laura.