terça-feira, 15 de julho de 2008

LISBOA CAFÉ - 4

PARQUE MAYER


Depois foi destinado pela firma, a trabalhar na Avenida da Liberdade junto ao importante Café Lisboa, implantado num prédio que fazia esquina, com o beco a dar para o Parque Mayer.
Naquela década de sessenta do século XX, era onde se processava toda a vida nocturna lisboeta, tanto mais, que as mais importantes casas da vida da noite também marcavam a sua presença a sua presença, quase em exclusivo, nas proximidades. Ao tempo, o mais famoso seria o Fontória, mas havia outros como o Maxime, o Passa Poga., assim como a casa de fados Márcia Condessa.
Sem razão para nostalgias, porque se sabia que a sociedade estava já em mutação e a energia a ser produzida com essa lenta mas verdadeira revolução, haveria de aniquilar tudo o que ia construindo.
Quem sabia aproveitar as oportunidades da mesma, depressa partiria para outra. Caso contrário ficaria banalizado e podia mesmo fenecer, o talento e a capacidade empreendedora dos que procuravam estar em destaque no seio de novos impulsos.
Faziam ainda fervilhar, na noite o Café Lisboa, duas tabacarias no mesmo prédio, uma pertencente à mesma empresa da Ginjinha Avenida, a outra integrada no próprio Café, o Bar Cantinho dos Artistas, sendo parte do Parque, mas com a entrada por fora deste, a Cervejaria Ribadouro, outro requinte nocturno, em actividade pela noite dentro, ali numa esquina a dar para a Rua do Salitre.
Foi destinado a servir naquele bar de Ginjinha pequeno mas conotado como um santuário por João Moisés, pois achava-o o máximo para o que pretendia. Ao iniciar o dia de trabalho, ocupava-se de tudo o que havia a fazer normalmente, a seguir dispunha numa gaveta o que tinha a decorar, a fim de ter tudo na mente para as aulas de liceu destinadas à manhã seguinte, isto em virtude de por aqueles sítios, a clientela ser rara a tal hora.
Depois do jantar e de, a intervalos de um dia, frequentar aulas de Inglês, chegava o verdadeiro serviço de atendimento e consequentemente o muito a observar.
Algumas vezes passavam fugazmente artistas de palco conhecidos, como o Tristão da Silva ou António Mourão ou outros ainda no início de uma carreira de que falava e que não chegaria a frutificar.
Um dia apareceu o Francisco José, já célebre a tal ponto que, vindo de actuar no Brasil, no fim de um concerto, como se diria hoje, em directo na Radiotelevisão, se surpresa desatou a reivindicar dos baixos “cachets” pagos a artistas nacionais em relação a estrangeiros.
Todas as incidências do transcendente acto foram contadas ao vivo, para uma pequena mas interessada plateia, ali junta ao acaso, em jeito de reunião.
Do que fora “escândalo”, ali tratado parecia de efeito contrário, o artista à saída dos estúdios da Televisão, encontrou já vário elementos da PIDE, que o levaram de imediato para interrogatório policial, onde mostro logo que o que ia ser pago seria destinado na totalidade, a uma instituição de caridade, portanto até se podia dar ao luxo de fazer um acto de justiça, vedado a artistas sem a sua cotação.
Foi a última actuação na Televisão Portuguesa, de microfone aberto em directo, para evitar tentações futuras, como aquela do inimitável cantor romântico.
Durante a tarde, mesmo assim, apareciam por ali clientes de rosto familiar, que se tornavam previsíveis quanto a preferências, como o senhor Garcia, do Hotel Vitória, trabalhadores locais com as mais variadas ocupações e outros que diariamente passavam, além de forasteiros ocasionais.
Pela noite, era interessante o desfile de muitos trabalhadores do Parque Mayer, como os celebrados cenógrafos Pinto de Campos e Mário Alberto, que eram habituais. Também os empregados de mesa do famoso Café Lisboa, aproveitavam tempos menos preenchidos, para uma bebida, invariavelmente uma ginja com ou sem elas.
Servia-se um “cokteil”. Dito especialidade da casa e apareciam casais, relativamente novos, socialmente avançados na época. Os homens, num sussurro solicitavam o néctar, depois enquanto decorria o preparado voltavam a segredá-lo às mulheres, que pelo menos fingiam achar muita piada
Era então celebrado “meninete”, uma palavra imprópria para ser pronunciada em público, demais na presença de senhoras!...
Faria já parte como actualmente d linguagem de alcova.
O Parque com os seus teatros de Revista á Portuguesa, os restaurantes e o majestoso Café Lisboa subjacente eram, naqueles anos sessenta, como um eixo dum espaço onde começavam aqueles que faziam da noite o modo de se divertir e não só, porque também elementos da PIDE sempre de olhos abertos e ouvidos à escuta, ali iniciavam o trabalho. Alguns eram tão habituais que conseguiam tornar conhecido o seu modo de vida, outros menos vistos entravam num tipo de provocação, fingindo-se ébrios, tentando ouvir algo que os encaminhasse a iniciar investigações.
Estávamos em plena guerra de África, a viver uma República, apelidava-se de Estado Novo, tendo como Presidente Américo Tomás e Presidente do então chamado Conselho de Ministros, António de Oliveira Salazar que, por força, tinham de estar sempre representados e nada melhor do que ter alguém, com ferocidade suficiente em todos os lugares onde houvesse portugueses.
Daquela esquerda da Avenida da Liberdade, perto de grande Estátua aos Combatentes da Primeira Grande Guerra Mundial, podiam sair textos, que a dona Censura podia deixar passar, interpretados pelos elencos teatrais das Revistas, podiam fazer um explosivo a precisar de uma vigilância imbatível e constante.
Que passava de vez em quando era um engraxador, como tantos que actuavam sobretudo na baixa de Lisboa, tinha sido pugilista de mérito, Belarmino Fragoso.
Já exibido o comentário, que já tinha protagonizado simplesmente designado por Belarmino, realizado por Fernando Lopes, baseava-se precisamente no desporto que o mesmo praticara.
Conheceu algum êxito, se considerarmos os poucos meios e o espaço cinematográfico nacional.
OS comentários que passavam eram de que o realizador tinha ganho bom dinheiro, enquanto o artista principal nunca passou de uma pobreza envergonhada.
Podendo não ser acertados, estes não deixavam de ser atirados, mesmo nas barbas de agentes da polícia política, já que em nada beliscavam o regime vigente.
Entre os vários acontecimentos, que se podiam observar com faro de investigador, João Moisés reteve o de um casal de Ingleses. Estariam instalados num hotel da vizinhança.
De entre os prazeres proporcionados por uns dias de férias na capital europeia de Portugal, à noite contava a degustação de um saboroso licor, junto ao Parque de todos os sonhos.
Fazendo-se entender somente na língua de William Saskepeare, o homem travava certo entendimento com a, senhora engraçada e de fácil trato obviamente, sem que a simplicidade escondesse qualquer intenção, porém as boas gratificaç~es não se faziam esperar.
Passaram uns meses, a mesma senhora entrava com outro acompanhante, mesmo não sendo necessário qualquer aviso, já a dama estava, por detrás a exibir o sinal para não haver palavras, sobre o passado.
A partir daí o novo par constituído apareceu por mais dias e a senhora voltou ao fraternal bate papo habitual.
Isto foi sempre lembrado, porque aquele tipo se “serviço” ainda estava longe de ser vulgar, mesmo na grande Lisboa de sessenta do século passado.
Um dia à tarde apareceu outro tipo de cliente, nunca tinha sido visto por ali, vestido a rigor, de facto a sua aparência mais a de provinciano tipo “Chico esperto”, empunhando a sua bebida, solicitou o empréstimo de certa quantia em seu abono, dizia-se oficial do exército, prestes a ter um encontro com uma miúda e faltava-lhe dinheiro.
Obviamente obteve uma negativa, alegadamente por o João Moisés não possuir a quantia. Sugeriu o impensável:
- Retirar a importância da caixa registadora!...
Para a sua propensão a investigar certos factos gregários, todas as noite, depois das duas da madrugada, durante meses, descia a Avenida da Liberdade, onde tomava o rumo do Largo Martim Moniz a caminho do bairro da Graça, localização da sua morada.
Devido ao avanço nocturno apenas encontrava algumas meretrizes, em fim de trabalho nos Restauradores, que procuravam a oportunidade de insinuar-se, Nunca se meteram, deviam conhecer o habitual transeunte, que não era parte dos ocasionais clientes.
Embora o João viesse amando a doce existência naquela ocupação, onde era tratado como achava merecer, tendo adquirido mais formação académica, com ambições mais elevadas, em breve encetou novos voos.
Depois foi destinado pela firma, a trabalhar na Avenida da Liberdade junto ao importante Café Lisboa, implantado num prédio que fazia esquina, com o beco a dar para o Parque Mayer.
Naquela década de sessenta do século XX, era onde se processava toda a vida nocturna lisboeta, tanto mais, que as mais importantes casas da vida da noite também marcavam a sua presença a sua presença, quase em exclusivo, nas proximidades. Ao tempo, o mais famoso seria o Fontória, mas havia outros como o Maxime, o Passa Poga., assim como a casa de fados Márcia Condessa.
Sem razão para nostalgias, porque se sabia que a sociedade estava já em mutação e a energia a ser produzida com essa lenta mas verdadeira revolução, haveria de aniquilar tudo o que ia construindo.
Quem sabia aproveitar as oportunidades da mesma, depressa partiria para outra. Caso contrário ficaria banalizado e podia mesmo fenecer, o talento e a capacidade empreendedora dos que procuravam estar em destaque no seio de novos impulsos.
Faziam ainda fervilhar, na noite o Café Lisboa, duas tabacarias no mesmo prédio, uma pertencente à mesma empresa da Ginjinha Avenida, a outra integrada no próprio Café, o Bar Cantinho dos Artistas, sendo parte do Parque, mas com a entrada por fora deste, a Cervejaria Ribadouro, outro requinte nocturno, em actividade pela noite dentro, ali numa esquina a dar para a Rua do Salitre.
Foi destinado a servir naquele bar de Ginjinha pequeno mas conotado como um santuário por João Moisés, pois achava-o o máximo para o que pretendia. Ao iniciar o dia de trabalho, ocupava-se de tudo o que havia a fazer normalmente, a seguir dispunha numa gaveta o que tinha a decorar, a fim de ter tudo na mente para as aulas de liceu destinadas à manhã seguinte, isto em virtude de por aqueles sítios, a clientela ser rara a tal hora.
Depois do jantar e de, a intervalos de um dia, frequentar aulas de Inglês, chegava o verdadeiro serviço de atendimento e consequentemente o muito a observar.
Algumas vezes passavam fugazmente artistas de palco conhecidos, como o Tritão da Silva ou António Mourão ou outros ainda no início de uma carreira de que falava e que não chegaria a frutificar.
Um dia apareceu o Francisco José, já célebre a tal ponto que, vindo de actuar no Brasil, no fim de um concerto, como se diria hoje, em directo na Radiotelevisão, se surpresa desatou a reivindicar dos baixos “cachets” pagos a artistas nacionais em relação a estrangeiros.
Todas as incidências do transcendente acto foram contadas ao vivo, para uma pequena mas interessada plateia, ali junta ao acaso, em jeito de reunião.
Do que fora “escândalo”, ali tratado parecia de efeito contrário, o artista à saída dos estúdios da Televisão, encontrou já vário elementos da PIDE, que o levaram de imediato para interrogatório policial, onde mostro logo que o que ia ser pago seria destinado na totalidade, a uma instituição de caridade, portanto até se podia dar ao luxo de fazer um acto de justiça, vedado a artistas sem a sua cotação.
Foi a última actuação na Televisão Portuguesa, de microfone aberto em directo, para evitar tentações futuras, como aquela do inimitável cantor romântico.
Durante a tarde, mesmo assim, apareciam por ali clientes de rosto familiar, que se tornavam previsíveis quanto a preferências, como o senhor Garcia, do Hotel Vitória, trabalhadores locais com as mais variadas ocupações e outros que diariamente passavam, além de forasteiros ocasionais.
Pela noite, era interessante o desfile de muitos trabalhadores do Parque Mayer, como os celebrados cenógrafos Pinto de Campos e Mário Alberto, que eram habituais. Também os empregados de mesa do famoso Café Lisboa, aproveitavam tempos menos preenchidos, para uma bebida, invariavelmente uma ginja com ou sem elas.
Servia-se um “cokteil”. Dito especialidade da casa e apareciam casais, relativamente novos, socialmente avançados na época. Os homens, num sussurro solicitavam o néctar, depois enquanto decorria o preparado voltavam a segredá-lo às mulheres, que pelo menos fingiam achar muita piada
Era então celebrado “meninete”, uma palavra imprópria para ser pronunciada em público, demais na presença de senhoras!...
Faria já parte como actualmente d linguagem de alcova.
O Parque com os seus teatros de Revista á Portuguesa, os restaurantes e o majestoso Café Lisboa subjacente eram, naqueles anos sessenta, como um eixo dum espaço onde começavam aqueles que faziam da noite o modo de se divertir e não só, porque também elementos da PIDE sempre de olhos abertos e ouvidos à escuta, ali iniciavam o trabalho. Alguns eram tão habituais que conseguiam tornar conhecido o seu modo de vida, outros menos vistos entravam num tipo de provocação, fingindo-se ébrios, tentando ouvir algo que os encaminhasse a iniciar investigações.
Estávamos em plena guerra de África, a viver uma República, apelidava-se de Estado Novo, tendo como Presidente Américo Tomás e Presidente do então chamado Conselho de Ministros, António de Oliveira Salazar que, por força, tinham de estar sempre representados e nada melhor do que ter alguém, com ferocidade suficiente em todos os lugares onde houvesse portugueses.
Daquela esquerda da Avenida da Liberdade, perto de grande Estátua aos Combatentes da Primeira Grande Guerra Mundial, podiam sair textos, que a dona Censura podia deixar passar, interpretados pelos elencos teatrais das Revistas, podiam fazer um explosivo a precisar de uma vigilância imbatível e constante.
Que passava de vez em quando era um engraxador, como tantos que actuavam sobretudo na baixa de Lisboa, tinha sido pugilista de mérito, Belarmino Fragoso.
Já exibido o comentário, que já tinha protagonizado simplesmente designado por Belarmino, realizado por Fernando Lopes, baseava-se precisamente no desporto que o mesmo praticara.
Conheceu algum êxito, se considerarmos os poucos meios e o espaço cinematográfico nacional.
OS comentários que passavam eram de que o realizador tinha ganho bom dinheiro, enquanto o artista principal nunca passou de uma pobreza envergonhada.
Podendo não ser acertados, estes não deixavam de ser atirados, mesmo nas barbas de agentes da polícia política, já que em nada beliscavam o regime vigente.
Entre os vários acontecimentos, que se podiam observar com faro de investigador, João Moisés reteve o de um casal de Ingleses. Estariam instalados num hotel da vizinhança.
De entre os prazeres proporcionados por uns dias de férias na capital europeia de Portugal, à noite contava a degustação de um saboroso licor, junto ao Parque de todos os sonhos.
Fazendo-se entender somente na língua de William Saskepeare, o homem travava certo entendimento com a, senhora engraçada e de fácil trato obviamente, sem que a simplicidade escondesse qualquer intenção, porém as boas gratificaç~es não se faziam esperar.
Passaram uns meses, a mesma senhora entrava com outro acompanhante, mesmo não sendo necessário qualquer aviso, já a dama estava, por detrás a exibir o sinal para não haver palavras, sobre o passado.
A partir daí o novo par constituído apareceu por mais dias e a senhora voltou ao fraternal bate papo habitual.
Isto foi sempre lembrado, porque aquele tipo se “serviço” ainda estava longe de ser vulgar, mesmo na grande Lisboa de sessenta do século passado.
Um dia à tarde apareceu outro tipo de cliente, nunca tinha sido visto por ali, vestido a rigor, de facto a sua aparência mais a de provinciano tipo “Chico esperto”, empunhando a sua bebida, solicitou o empréstimo de certa quantia em seu abono, dizia-se oficial do exército, prestes a ter um encontro com uma miúda e faltava-lhe dinheiro.
Obviamente obteve uma negativa, alegadamente por o João Moisés não possuir a quantia. Sugeriu o impensável:
- Retirar a importância da caixa registadora!...
Para a sua propensão a investigar certos factos gregários, todas as noite, depois das duas da madrugada, durante meses, descia a Avenida da Liberdade, onde tomava o rumo do Largo Martim Moniz a caminho do bairro da Graça, localização da sua morada.
Devido ao avanço nocturno apenas encontrava algumas meretrizes, em fim de trabalho nos Restauradores, que procuravam a oportunidade de insinuar-se, Nunca se meteram, deviam conhecer o habitual transeunte, que não era parte dos ocasionais clientes.
Embora o João viesse amando a doce existência naquela ocupação, onde era tratado como achava merecer, tendo adquirido mais formação académica, com ambições mais elevadas, em breve encetou novos voos.

Daniel Costa – in JORNAL DA AMADORA

28 comentários:

Iana disse...

Ola meu querido amigo...
Passei para ler-te e desejar-te uma linda semana cheia de paz e amor... receba meus beijinhos e o aroma das rosas frescas do meu jardim... beijos doces e cheios de carinhos

de
Iana!!!

NAELA disse...

Daniel retrato impressionante de uma Lisboa do Sec.XX!
Realmente muita coisa passou, as classes socias, o bairro "in" frenquentado e apreciado por muita gente!
Gosto mesmo muito de ler-te!
Ah espero que tenhas gostado do mimo deixado para ti no meu blog;)
Beijo doce

xistosa - (josé torres) disse...

Hoje recordei o episódio ou um dos episódios mais marcantes da minha vida.
Era novo, sem compromissos, já ganhava algum ... quando conheci, vou dizê-lo, (os crimes expiram ao fim de 20 ou 25 anos?),a que depois foi uma grande fadista, a Teresa Tarouca.
Que me perdoem alguma coisa, mas é tudo verdade e portanto não ofende a moral, ou será "mural", pública.
Já o Francisco José estava no Brasil ...
São coisas que ninguém consegue explicar ...
Era da minha idade, talvez 1 ou 2 anos mais nova ...
Foi uma paixão que abalou o Zé Filipe Martins, o seu querido ...
Durou mais de duas semanas.

Ainda procurei algo que me fizesse recordar esse tempo. Tenho-o, que não me desfaço de velharias ... mas não encontrei o cartão assinado por ela.
De menina e moça, penso que ainda usava fraldas quando começou a cantar fado, mas quando a conheci já tinha 19 anos, (Ela, eu teria 20).
Foi na altura que conheci toda a vida nocturna ...
Amigo Daniel..., o que passou, é passado, mas até sinto o sangue correr mais depressa.
Obrigado!!!

Laura disse...

Bem, eu nesse tempo nem estava cá, nem aqui, e aos dez anos abalei para África, mas li muito sobre a vida nocturna dos tempos de antes, e agora mal s epode sair que o banditismo assusta, ou se enfiam em discotecas (nunca entrei numa, apenas fui a um bar com musica a o fumo era tanto que vim embora e até hoje nunca mais!) adoro noitadas estar com amigos e amigas, mas aqui liga-se pouco a isso...preferem ficar na paz do lar a ver tv e novelas e sendo assim...
Ah, o meu pai cantava-me a canção do Francisco José, ele dava a letra e eu olhava para os lábios dele e sentia a musica na coluna, como eu adorava a Guitarra toca baixinho!...Como aquilo me soa lindo.
Jinhos.

Laura disse...

Ah, e deixa-me dizer que quando tinha 16 anos viemos cá de graciosa (seis meses, no Principe Perfeito) e quando desembarcamos o pai levou-nos pela cidade, fomos para uma pensão e ficamos ai em Lisboa dois dias, e quando iamos a passear por ali, deparo com o António Mourão à porta de um café, até chamei o pai para ver ao vivo, de gabardina e chapéu...que giro.
Jinho da laura..

Marta disse...

Uuma década marcante e bem descrita neste texto...A década em que nasci e sobre a qual ouvi muitas histórias..
Obrigada pela visita...
Até já
Beijos e abraços

Bandys disse...

Daniel,
Sempre que voce post poesia eu não aparço. Sera conscidencia?

Amei a poesia!!

Jamais deixar de recordar
Essa ternura de amar
Recordar esse farol
Como marinheiro do alto mar
Deuses!... Como consola amar
Ternura que se estendeu
Esse alto mar não perdeu
A ternura, a nostalgia, a esperança
Sempre o acto de muito amar
.

Volto mais tarde pra ler esse .
beijos ☺ ♥ ☺

DANIELE SANTINO disse...

Nao conheco lisboa ainda toda a minha familia nasceu ai, eu nasci no Brazil mesmo. Adorei a sua visita ao meu blog. E espero que volte mais vezes.
Estarei por aqui pra conferir os seus textos tambem.
Abracos

Desnuda disse...

Amigo Daniel,

narrativa apaixonante! Envolvi-me no texto e a imaginação a mil. E Francisco José!!! Amei!

Teus olhos castanhos

Teus olhos castanhos
de encantos tamanhos
são pecados meus
são estrelas fulgentes
brilhantes luzentes
caídas dos céus
Teus olhos risonhos
são mundos são sonhos
são a minha cruz
teus olhos castanhos
de encantos tamanhos
são raios de luz.
Olhos azuis são ciúme
e nada valem para mim
Olhos negros são queixume
de uma tristeza sem fim
olhos verdes são traição
são crueis como punhais
olhos bons com coração
os teus castanhos leais
Teus olhos castanhos
de encantos tamanhos
são pecados meus
são estrelas fulgentes
brilhantes luzentes
caídas dos céus
Teus olhos risonhos
são mundos são sonhos
são a minha cruz
teus olhos castanhos
de encantos tamanhos
são raios de luz
olhos verdes são traição
são crueis como punhais
olhos bons com coração
os teus castanhos leais
Teus olhos castanhos
de encantos tamanhos
são pecados meus
são estrelas fulgentes
brilhantes luzentes
caídas dos céus
Teus olhos risonhos
são mundos são sonhos
são a minha cruz
teus olhos castanhos de encantos tamanhos são raios de luz

FRANCISCO JOSÉ GALOPIM DE CARVALHO

Grande beijo!

daniel disse...

Iana

Adorei os mimos, vejo estar em frente de alguém carinhoso.
Posso retribuir e faço-o com imenso prazer.
Então, beijos de carinho.
Daniel

daniel disse...

Naela

Esta Lisboa é a que me foi dado conhecer. Tento descrevê-la, através do meu roteiro pessoal.
Gostei do teu mmimo, tentare, postá-lo hoje. Digo tentarei, porque certas circunstãncias, fazem de mim novato, aqui em reapredizagem.
Até por isso, fiquei muito sensibilado e procurarei não desmerecer muito.
A minha gratidão consubstanciada num beijinho.
Daniel

daniel disse...

José Torres

Ói, ói, ói... coisas de bons rapazes, daqueles "que nem o diabo quer nada com eles".
A minha Lisboa nocturna acaba aqui, tinha de partir para outra, o que aconteceu.
Irás conhecer um marido da fadista, se bem me lembro foi. E terás sido companheiro de farra.
A voz romântica do Francisco José, marcou-me bastante, tenho CDs da maioria das canções.
Concerteza, que o passado, faz parte das memórias agradáveis. Memórias apenas!...
Daniel

daniel disse...

Laura

Romântismo!... Tem-lo na alma. tal como eu e não tenho nada de feminino, senão o carinho, talvez por ter sido criado, com cinco irmãs.
O tom de voz do Chico Zé, ainda hoje me emociona. Ainda há pouco ouvia ao vivo uma vocalista cantar "Olhos Castanhos". Não resisti e fui pedir-lhe repetição e simpaticamente aconteceu passado mais reportório, como havia prometido.
"Guitarra Toca Baixinho", toca mesmo as almas sensíveis.
Bejinho
Daniel

Laura disse...

Engraçado que sendo eu surda e não conseguindo mesmo com aparelho, entender o que as vozes cantam ou dizem, se puserem a guitarra toca baixinho a tocar e eu encostar o ouvido à coluna e sentir o som nas mãos, sei dizer o que está a tocar, no meu caso apenas a Móniaaaaa de Peter hol dos meus 16 anos..a guitarra e a Grandola Vila Morena,(esta foi o meu mano que me ensinou a letra e me disse que o que se começa a ouvir é os cascos dos cavalos...ele já faleceu mas ensinou-me tanta coisa e era 8 anos mais novo que eu...) só pelo toque ou sentir, e ser romantico e doce é uma coisa boa em qualquer ser humano que se preze...
e claro que a sminhas doces recordações são isso e nem estou à espera de voltar a namorar com nenhum deles ehhhhhh, valha-me Deus!...
Tive foi uma linda vida apesar de trabalhar sempre em qualquer coisa, mas amei amei a minha infância, a juventude e depois de casar bem, o melhor foram os meus filhos e mais nada!...
Jinhos sem fim, a ti, da, laura..

Cadinho RoCo disse...

O lirismo faz-se presente em todos os tempos a inspirarem eternas memórias.
Cadinho RoCo

Olhos de mel disse...

Oie meu amigo lindo! Gosto de conhecer um pouquinho da história do mundo. Principalmente o lado romantico, como é conhecida, por aqui, Lisboa.Mas em tudo existe um pouco do lado negro, até porque faz parte da vida. Esse café... tem histórias, heim?
Beijos

Anja Rakas disse...

Ha sempre tempo para visitar palavras doces e rostos desconhecidos bonitos.

O que é que há, pois, num nome? Aquilo a que chamamos rosa, mesmo com outro nome, cheiraria igualmente bem.
William Shakespeare

Um bj docemente angelical

daniel disse...

Laura

Antigamente havia amor puro, depois era: "Até que a morte nos separe". Agora é andam e canções como: "Eu com todo o alvoroço / e o rapaz lá na rua / a olhar para a lua / com todo o pescoço", não fazem sentido. Acabaram os mistérios, o fruto proibido, que podiam alimentar o amor.
Voltar a Angola seria aliciante, mas pelos vistos, fora de Luanda, não dá.

http://daniel-daniel-milagre-daniel.blogspot.com/2008_01_01_archive.htm

Deixei linck do AVC.
Com desejos do melhor, deixo beijos.
Daniel

daniel disse...

Bandys

E de vez em quando, um poema, que não sendo do meu jeito fazer, gosto de ler as poesias, como a tua.
Volta sempre!
Beijos
Daniel

daniel disse...

Daniele

Quando passei a Lisboa pela primeira vez, tinha 21anos, depois de a desejar muito. Emancipei-me vim e fiquei. Conheço-a como ninguém, por gosto.
Volta sempre!...
Abraços
Daniel

daniel disse...

Desnuda

Essa não!... A canção "Olhos Castanhos" do Franciso José, sempre me emociona. Ficou para sempre a minha preferida. Ai o romatismo!...
Fica a enorme gratidão, com um beijo.
Daniel

daniel disse...

Laura

É o que eu digo, ficaste com muita sensibilidade, para a beleja. Não serve de consolo, mas adjuda um pouquinho. De qualquer modo, gosto de trocar impressões contigo e apraz saber, que és desinibida, em relação ao que nos rodeia.
Considero-te com um beijo.
Daniel

daniel disse...

Cadinho Roco

Um certo lirismo, se controlado, pode fazer maravilhas e dá jeito.
Daniel

Laura disse...

Oi. Como não conhecia aletra dos teus olhos castanhos, adorei, que lindooooooo, o meu pai costumava trauteá-la...dizia que era linda, enfim, decerto é verdade... ji a ti, de mim...

daniel disse...

Olhos de Mel

O Chico Zé, como o chamavam, carinhosamemte, acabou no Brasil e creio que depois do episósio que relato, já poucas vezes terá vindo a Portugal.
O Café acabou há muito, mas era uma das referências de Lisdoa. O Parque Mayer, onde actuaram bastantes artistas brasileiros, lembro-me de repente, por exemplo, da Berta Loren, do cantor Fracisco Egídio, do Badaró, etc. e o sítio, parou no tempo.
Beijos
Daniel

daniel disse...

Marta

Sem dúvida, a década de sessenta tinha os seus encantos. Confessos ter marcado, para sempre, a minha vida, que mudou radicalmente.
De qualquer modo, hoje é tudo mais confortável.
Grato eu, com beijos
Daniel

daniel disse...

Laura

Fizeste bem ler bem o poema
"Olhas Castanhos", canção cantade pelo Francisco José. É muito bonita, adequada à sua voz muito romântica.
O link não resultou, parece que ainda necessito de uma grande sabatina.

Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008
MILAGRE!...
A.V.C. UMA PATOLOGIA MORTAL

Poderá ser tomado por ousadia, alguém falar de ACDENTE VASCULAR CEREBRAL – AVC, não sendo neurologista.
Retorquir-se-á que as questões médicas, mesmo sendo do foro de especialistas, todos os humanos são potencias doentes com direito a relatar, na primeira pessoa, a sua particular experiência.
O meu caso, só comparável até certo ponto, com o que acometeu Ariel Charon, por ser o único em que encontrei contornos parecidos, tornado mediático, por o padecente por ter sido um dos políticos mais conhecidos, em virtude do velho conflito do Médio Oriente.
Continuo a não ligar muito a patologias, procuro apenas inteirar-me de porquês, para aprontar ajudas. De resto o vocábulo doenças não abala o meu espírito leigo. Muitas sugerem-me “fabricação” de mentes fracas.
Em 2006 foi criado o DIA DO AVC e a concomitante divulgação de, que a certíssima irmã morte, serve-se da circunstância, para ceifar diariamente três vidas. No entanto um facto consumado leva-me a prestar muita atenção a esta doença.
No dia vinte e seis de Junho de 2006, depois de ter trabalhado das seis às nove horas da manhã, estava para tomar o primeiro almoço e tratar das habituais ablações, quando comecei a sentir:
- Primeiro uma impressão no peito a seguir mau estar – acudiu-me de imediato a esposa com uma dose de água mineral. Parecia sentir-me melhor, depois!... Vim a conhecer o epilogo, passados dois meses um dos quais passado em coma profundo. Quando fui recuperando, para saber que durante um mês vegetei ligado a uma máquina em Santa Maria, período em que fui operado ao cerebelo. Depois a tentativa de ser retirado o aparelho a segurar a vida, que sempre amei, a dar mau resultado.
Passado um mês vieram os cuidados intensivos, as muitas visitas não me deixaram qualquer tipo de recordação.
Apenas no dia de despedida da estadia ali, lembro-me de ver filha e esposa, a quem já tinham entregue lista de locais apropriados para internados em estado terminal, os quais felizmente ousaram rejeitar. Vieram visitar-me a casa ainda, bastante familiares e amigos, que também não recordo.
Passado algum tempo, chegou a faculdade de recuperar algum conhecimento, o que já me permitia ir conhecendo familiares. Ao mesmo tempo queria saber toda a história recente, que protagonizei e pude ler um relatório médico respeitante: A terminar constatei que a levar a essência à letra, nunca poderia ser eu o leitor do documento, porque já estava ali implícita a voracidade que levaria mais uma vítima.
Como durante cerca de trinta anos lançava uma revista, mais parecia um catálogo de vendas de vendas, passaram só uns meses e com a ajuda da filha, ainda editei quatro números, com um editorial a que designei sempre de “Nota de Abertura”. Desde l994 escrevia mensalmente na “CRÓNICA FILATÉLICA” de Madrid, da AFINSA, só por tês meses o trabalho esteve interrompido. O último número chegou-me em Maio de 2005, com a habitual colaboração, já depois de ter estalado o chamado “Golpe dos Selos”.
O mais interessante e que faz me eleger o paradigma Ariel Charon é que, depois de tantas e requintadas análises a variados órgãos, na primeira visita a um médico particular, o Dr. Silva Marques, especializado em medicina Interna, que passou a assistir-me, este verificou que uma das carótidas não funcionava, para a fixar, receitou-me um TAC.
Com todos os pró e contras, fiquei detentor dum deficit, provocado pelo não funcionamento de uma direita.
Continuo a alimentar um grande amor à vida, tal como sempre vou fazendo o que gosto, só com a diferença de poder fazer o que ousei desejar, desde que passaram cinco anos de quase convalescença, o tempo que mediou a que os órgãos vitais, um a um, passaram a funcionar razoavelmente.
Só passados três anos uma amiga de família, cujo estatuto lhe conferia a faculdade de entrar a qualquer hora num serviço de saúde, transmitiu que um médico lhe afirmara: O doente X não tem qualquer hipótese de escapar a uma morte certa.
É evidente que muitos factores contribuíram para o sucesso, em primeiro lugar a minha esposa, que nunca se poupou a esforços para me proporcionar conforto, além da própria filha.
Devo lembrar a Drª. Rosa Pereirinha, que comandou o tratamento, não hesitando na operação.
Acrescento, quando nem sequer tinha equacionado o assunto, visto nunca ter tido “vagar” para estar menos optimista, eis que me descubro a sorrir.
Aconteceu já este ano de 2008. Recuperei o sorriso!...
Depois de sete anos sem a faculdade do sorriso e… recuperar, alguém conhece o valor desse bálsamo que trouxe mais sabor à vida?
MILAGRE!...

Daniel Costa

Arrisquei, tornar-me macador.
Beijinho
Daniel

daniel disse...

Anja Rakas

De facto é sempre tempo e "para quem é bom nunca é tarde".
Creio imaginar, a que te referes!
Aceito a doçura e retribuo com um beijo.
Daniel